11. Ayla

1285 Palavras

A varanda dos fundos da Dona Tereza era meu refúgio secreto. Era pequena, apertada, com duas cadeiras velhas de plástico e uma plantinha murcha numa lata de tinta reaproveitada. Mas dali, dava pra ver o céu quase inteiro. Um pedaço aberto entre telhados tortos e antenas de TV. Quando o sol começava a sumir, o azul ficava lilás, e a brisa trazia o cheiro da janta de alguma vizinha, geralmente arroz queimando ou alho fritando. Era a hora que o morro desacelerava. Sentei com uma xícara de chá nas mãos, os pés descalços encostando no chão frio. O dia tinha sido longo. Cansativo. Mas um tipo de cansaço diferente. Bom. Daqueles que vêm depois de fazer algo real. A porta da cozinha bateu lá dentro. Um passo pesado, conhecido. Voz abafada. Victor. — Tia? — chamou. — Dona Tê? Cadê a senhora?

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR