Eu senti antes de ver. Foi aquele tipo de sensação que chega primeiro no corpo: o ar mudando, a conversa diminuindo, os olhos virando. Eu entrei na ONG com a mochila no ombro, tentando parecer normal, e o corredor inteiro ficou com aquela quietude estranha de quando todo mundo tá fingindo que não tá olhando... mas tá. Não era curiosidade comum. Era choque. Uma menina que ajudava na limpeza parou com o pano na mão. Um dos voluntários ficou com o celular meio escondido atrás do caderno. Duas mulheres que eu tinha atendido no "dia de beleza" me olharam com pena como se eu tivesse quebrado e elas estivessem tentando não piorar. Meu coração começou a bater mais forte. Eu dei bom dia, respondi uns "oi", mas as palavras pareciam cair no chão e ficar lá, sem voltar. Eu senti uma coisa gelada

