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2107 Palavras
Ao final do dia, Anancy estava morta de cansaço, só queria chegar em casa, tomar um banho, comer e descansar, mas não teria essa chance tão cedo. Tinha um compromisso marcado com suas amigas a duas semanas e não estava nem em cogitação mudar a data apenas por seu cansaço. Quando o carro estacionou na frente do prédio onde Joycellin morava, Elise abriu a porta para ela descer. – Vocês podem tirar um tempo para vocês, quando eu estiver prestes a voltar pra casa eu ligo_ avisou após descer. – Está certo, qualquer problema estaremos por perto_ Elise assentiu e esperou sua chefe entrar no prédio para poderem seguir. Anancy cumprimentou o porteiro que já a conhecia e tinha sido avisado que ela chegaria, depois seguiu para esperar o elevador chegar. Enquanto ele não chegava, ela respondeu a mensagem da amiga avisando que já estava pegando o elevador pro andar dela e revirou os olhos assim que outra notificação sobre aquela história dela estar saindo com Derick chegou a seu celular. – Você é linda até quando está sorrindo pra outro_ a voz de Mikhail fez ela se assustar e olhar para o lado rapidamente, achando que provavelmente estaria ouvindo coisas. Mas ele estava ali, bem do lado dela. Seu terno cinza grafite combinava com os cabelos penteados para trás e bem arrumados, sua mão esquerda repousava no bolso e seu olhar estava fixo no elevador privativo do lado. – Você está saindo com ele?_ ele perguntou finalmente virando o rosto para ela, seus olhares se cruzando. – Não_ a resposta deixou seus lábios antes mesmo que seu cérebro processasse_ quer dizer... não que isso diga respeito a você, mas não tem nada acontecendo entre mim e Derick_ ela desviou o olhar e falou como se não tivesse passado o dia inteiro querendo esclarecer isso para ele. Um sorriso ameaçou surgir nos lábios dele, mas ele se segurou, voltando a olhar para frente. – Pra que andar você vai?_ ele questionou. – O 16°_ respondeu clicando novamente no botão do elevador, que agora finalmente descia. – Venha_ ele adentrou o elevador privativo e olhou pra ela. Anancy encarou o elevador... 8°...7°...6° – Eu não mordo Williams_ acrescentou ele, fazendo ela ceder e adentrar no mesmo espaço_ ele faz o seu tipo?_ perguntou m*l o elevador se fechou. – Não_ ela respondeu sem olhar pra trás, onde ele estava. – E eu faço?_ indagou. – Porquê você quer saber? Eu não tenho um tipo_ cruzou os braços. – Então como sabe que ele não é seu tipo?_ arqueou a sobrancelha. Ela se indignou e se virou para encará-lo. – Porque eu não tenho sentimentos amorosos por ele_ ditou de forma óbvia. – E têm por mim?_ ele não desviou o contacto visual que ela firmou quando se virou. – Eu não estou apaixonada por você_ respondeu com convicção. – Ter sentimentos amorosos não é estar apaixonada_ retrucou baixo, firme e provocador_ você têm sentimentos amorosos por mim?_ repetiu. – Deveria parar com essas perguntas tolas_ ela se vira, voltando a dar as costas para ele. – Então isso é um sim?_ ele deu um passo e parou do lado dela. – Porquê você quer tanto que eu sinta algo por você?_ olhou pra ele. – Porque seria tolice não querer aquele sorriso para mim_ dá de ombros de forma descontraída. – Não é seguro ficar deixando qualquer pessoa entrar no seu elevador, é privativo por algum motivo_ desconversa e fica sem palavras para responder a tal frase, por sorte as portas do elevador se abrem_ mas obrigada por me deixar usar seu elevador_ ela rapidamente tenta sair, mas ele segura sua mão e a impede de sair, também puxando-a pra perto. – Você é péssima a desconversar_ rebate olhando para os lábios dela. Ele aproxima seu rosto, vão ficando mais próximos, às respirações misturando-se, Anancy fecha os olhos, mas ele apenas dá um beijo em sua bochecha esquerda. – Tenha uma boa noite, Williams_ falou após se afastar e a soltar. – Você também, Reznikov_ e a porta do elevador se fechou entre eles. No corredor a dupla Amélia e Joy saíram correndo de volta para o apartamento após verem aquela cena inusitada do "casal" tão íntimo. Enquanto o elevador subia para o andar acima, Mikhail levou seu celular e ligou para Dmitri. "– Sim senhor?!_ a voz do seu braço direito soou do outro lado da linha." – Pode sumir com essas manchetes_ ordenou. "– É pra já_ assentiu do outro lado e a chamada se encerrou." Mikhail adentrou seu apartamento já afrouxando a gravata e desabotoando a camisa social, seguiu até seu balcão na cozinha meticulosamente organizada e se serviu com um copo de vodka, voltando para a sala e se sentando em sua poltrona escura, enquanto finalmente descansava com satisfação pelo destino ter feito o trabalho pesado e ter permitido tirar a limpo a história do suposto romance, sem que precisasse ir atrás disso. ••• Paralelamente, no andar de baixo Anancy foi recebida por Joy. – Oi_ elas se abraçaram. – Como você está?_ Amélia perguntou quando foi sua vez de abraçar a amiga. – Eu estou bem e vocês?_ largou a bolsa no sofá e sentou no tapete recebendo uma taça de vinho branco de Joy. – Óptimas_ Amélia respondeu. – O jantar está quase pronto_ Joy avisou se sentando na poltrona do outro lado da sala. – Estou mesmo morrendo de fome_ Anancy deu um gole no seu vinho. – Não têm nada pra nos contar?_ Joy questiona girando o vinho dentro da taça. – Que eu não estou saindo com o Derick?_ mais pergunta do que afirma, já que ela não sabia exatamente do que se estava falando. – Isso nós já sabemos_ Joy fala como se fosse a coisa mais óbvia, e certamente pra elas era, a conheciam desde os 4 anos, se não a conhecessem bem o suficiente pra perceber aquele detalhe, então estaria ela vivendo em uma ilusão. – Estamos falando do vizinho lá de cima_ Amélia aponta para o teto, fazendo Anancy olhar pra cima. – Do homem lindo, maravilhoso, assustadoramente atraente, e poderoso Russo, com quem você "supostamente" vive competindo_ Joy faz aspas com os dedos. – Porquê as aspas e o supostamente?_ Anancy questiona indignada_ nós realmente competimos na maior parte do tempo. – Ou é uma fachada para o vosso relacionamento secreto?_ Joy tenta a sorte. Anancy ri e olha para Amélia como se a mesma também estivesse rindo daquele disparate, só que Amélia não está rindo, pelo contrário, ela também parece acreditar na mesma ideia de Joy – OPA, opa, opa, calma aí_ ela para de rir e encara de Joy pra Amélia e vice versa_ beberam demasiado vinho não foi? – Nós vimos vocês se agarrando na porta do elevador privativo dele, tipo, vocês estavam bem próximos_ Amélia expôs. – Isso não quer dizer nada, vocês não viram um beijo ou algo que dissesse que temos algo, ele podia estar tirando um cisco no meu olho_ retruca mentindo na cara dura, ou pelo menos tenta. – Na verdade houve um beijo sim, e mesmo que não houvesse, que proximidade foi aquela? Pra dois rivais vocês são muito... – Íntimos_ Amélia acrescentou quando viu Joy ter dificuldade em escolher a palavra certa a usar. – Isso mesmo, íntimos, e com todo o resto do mundo ele é seco, só não é com você_ completa_ sempre achei isso estranho, mas depois de hoje já sei que têm algo aí. – Não exagerem_ Anancy tomou outro gole do vinho_ t*****r uma vez com ele e querer t*****r de novo não é necessariamente ter algo aí né_ outro gole. Os rostos de Amélia e de Joycellin não esconderam a surpresa após ouvirem o que Anancy falou. Joy até largou sua taça na mesa e se aproximou dela no sofá para melhor escutar e expressar sua indignação. – Como você não nos contou isso?_ sua voz saiu mais alta do que o esperado. – Tem calma, eu contei sim, só não detalhadamente_ Anancy se defendeu. – Quando?_ Amélia tão indignada quanto Joy, indagou. – Quando a três semanas atrás, eu falei que fiz uma loucura e tive minha primeira vez_ deu de ombros, deixando elas ainda mais indignadas. – Eu achei que você estivesse, sei lá... zoando_ Joy confessou. – Mas eu não estava_ ela deu de ombros se levantando. – Quando? Como?_ Amélia questionou confusa. – Lembra da vez que você foi me pegar naquele hotel?_ ela assentiu_ eu estava fugindo dele. – Foi assim tão mau pra você fugir dele?_ perguntou Joy. – Não ouviu ela dizendo que quer repetir a dose? Deve ter sido incrível_ Amélia riu_ o que nos leva a querer saber porquê você fugiu_ olham para ela com o brilho da curiosidade. – Sei lá_ terminou seu vinho e serviu outra dose. – Tipo, vocês transaram mesmo? Você e ele... Sabe..._ Joy foi fazendo uns gestos com as mãos, arrancando uma risada alta de Amélia e um suspiro indignado de Anancy. – E eu achei que ter a conversa sobre bebés com a minha mãe era desconfortável_ reclamou tomando um pouco mais de vinho. – Tá, desculpa é que..._ ela limpou lágrimas imaginárias_ eu esperei muito pra escutar isso de você e agora..._ ela realmente estava chorando. – Você está de brincadeira_ Anancy fala desacreditada_ você está chorando de verdade?_ larga a taça e se aproxima da amiga chorosa_ não é pra tanto Joy_ ela reclama. – Até eu estou ficando preocupada Joy_ Amélia também se aproxima dela. – Me desculpem, é difícil controlar os hormônios, esse bebê está dando cabo de mim_ ela fala de forma desajeitada. – Não se preocupe vo..._ Amélia processou o que escutou_ espera aí, Joycellin você disse o quê?_ questionou achando que havia escutado m*l. – Eu estou grávidaaaaa_ e as lágrimas desceram com ainda mais intensidade. – Oh meu amor, tem calma_ Anancy a abraçou fortemente. – Como assim? Quando? De quem?_ Amélia estava perplexa. – Traz um copo de água pra ela_ Anancy pediu e Amélia correu pra pegar. Joy bebeu do conteúdo e esperou uns instantes até se acalmar, pra então olhar Pras suas melhores amigas. – Vocês podem perguntar_ largou o copo na mesa. – Quando?_ Amélia começou. – De quem?_ Anancy prosseguiu. – Porquê você estava bebendo? – Contou pra ele? – Seus pais sabem?_ elas bombardearam até se aperceber que precisavam parar. – Desculpa, a gente está bombardeando você e não precisa responder. – Relaxem, eu quero responder_ as tranquilizou_ eu descobri faz uma semana, por isso queria tanto que vocês viessem me ver, eu não contei nem para os meus pais e nem pra ele, eu não sei como fazer isso, vocês são as primeiras a saber disso, vocês são as minhas melhores amigas_ deu de ombros_ e eu não estava bebendo, era espumante sem álcool_ sorriu. – Nós estaremos aqui pra você_ Amélia segurou suas mãos_ sempre_ sorriu acolhedora. – Eu sei_ sorriu com as lágrimas a beira de caírem. – Além disso, as tias já amam, se precisar bater em alguém, sabe que pode contar com a gente_ Anancy brincou, arrancando uma risada de Joy. – Se eu contar quem é o pai desse bebê vocês irão me odiar_ seu rosto se entristeceu. – Te odiar é uma palavra forte, julgar sua escolha possivelmente, mas odiar impossível_ Anancy garantiu. – Nem se eu disser que é do Asani? Amélia riu achando que era brincadeira, mas a seriedade de Joy, fez a máscara cair. – Mentira_ balbuciou. – Asani? Asani Williams? Meu irmão gémeo? O mesmo Asani i****a que nós conhecemos?_ Anancy indagou tentando achar um resquício de zoação na amiga. – Me desculpa_ ela fala envergonhada. – Eu diria que ele é feio e tal, mas de peruca ele parece um pouco comigo_ ela da de ombros ainda incrédula_ você não precisa se desculpar comigo por nada mas poxa, como vocês conseguiram fazer isso bem debaixo dos nossos narizes e nós não desconfiamos de nada?_ ela estava abismada. – Eu preciso ser mais atenta nessa vida_ Amélia riu desacreditada, mas então viu Anancy deixando lágrimas rolarem_ o que foi?_ perguntou assustada. – Eu serei tia, caramba_ a ficha caiu tão rápido que nem ela estava esperando. – Eu sei_ e também caiu na choradeira. – Não façam isso comigo_ Joy se segurou pra não chorar e acabou rindo das amigas. – O enxoval, as roupinhas, os pezinhos_ as duas não paravam de choramingar enquanto a futura mãe do bebê só olhava com orgulho para a dupla.
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