Ao final do dia, Anancy estava morta de cansaço, só queria chegar em casa, tomar um banho, comer e descansar, mas não teria essa chance tão cedo. Tinha um compromisso marcado com suas amigas a duas semanas e não estava nem em cogitação mudar a data apenas por seu cansaço.
Quando o carro estacionou na frente do prédio onde Joycellin morava, Elise abriu a porta para ela descer.
– Vocês podem tirar um tempo para vocês, quando eu estiver prestes a voltar pra casa eu ligo_ avisou após descer.
– Está certo, qualquer problema estaremos por perto_ Elise assentiu e esperou sua chefe entrar no prédio para poderem seguir.
Anancy cumprimentou o porteiro que já a conhecia e tinha sido avisado que ela chegaria, depois seguiu para esperar o elevador chegar. Enquanto ele não chegava, ela respondeu a mensagem da amiga avisando que já estava pegando o elevador pro andar dela e revirou os olhos assim que outra notificação sobre aquela história dela estar saindo com Derick chegou a seu celular.
– Você é linda até quando está sorrindo pra outro_ a voz de Mikhail fez ela se assustar e olhar para o lado rapidamente, achando que provavelmente estaria ouvindo coisas.
Mas ele estava ali, bem do lado dela. Seu terno cinza grafite combinava com os cabelos penteados para trás e bem arrumados, sua mão esquerda repousava no bolso e seu olhar estava fixo no elevador privativo do lado.
– Você está saindo com ele?_ ele perguntou finalmente virando o rosto para ela, seus olhares se cruzando.
– Não_ a resposta deixou seus lábios antes mesmo que seu cérebro processasse_ quer dizer... não que isso diga respeito a você, mas não tem nada acontecendo entre mim e Derick_ ela desviou o olhar e falou como se não tivesse passado o dia inteiro querendo esclarecer isso para ele.
Um sorriso ameaçou surgir nos lábios dele, mas ele se segurou, voltando a olhar para frente.
– Pra que andar você vai?_ ele questionou.
– O 16°_ respondeu clicando novamente no botão do elevador, que agora finalmente descia.
– Venha_ ele adentrou o elevador privativo e olhou pra ela.
Anancy encarou o elevador... 8°...7°...6°
– Eu não mordo Williams_ acrescentou ele, fazendo ela ceder e adentrar no mesmo espaço_ ele faz o seu tipo?_ perguntou m*l o elevador se fechou.
– Não_ ela respondeu sem olhar pra trás, onde ele estava.
– E eu faço?_ indagou.
– Porquê você quer saber? Eu não tenho um tipo_ cruzou os braços.
– Então como sabe que ele não é seu tipo?_ arqueou a sobrancelha. Ela se indignou e se virou para encará-lo.
– Porque eu não tenho sentimentos amorosos por ele_ ditou de forma óbvia.
– E têm por mim?_ ele não desviou o contacto visual que ela firmou quando se virou.
– Eu não estou apaixonada por você_ respondeu com convicção.
– Ter sentimentos amorosos não é estar apaixonada_ retrucou baixo, firme e provocador_ você têm sentimentos amorosos por mim?_ repetiu.
– Deveria parar com essas perguntas tolas_ ela se vira, voltando a dar as costas para ele.
– Então isso é um sim?_ ele deu um passo e parou do lado dela.
– Porquê você quer tanto que eu sinta algo por você?_ olhou pra ele.
– Porque seria tolice não querer aquele sorriso para mim_ dá de ombros de forma descontraída.
– Não é seguro ficar deixando qualquer pessoa entrar no seu elevador, é privativo por algum motivo_ desconversa e fica sem palavras para responder a tal frase, por sorte as portas do elevador se abrem_ mas obrigada por me deixar usar seu elevador_ ela rapidamente tenta sair, mas ele segura sua mão e a impede de sair, também puxando-a pra perto.
– Você é péssima a desconversar_ rebate olhando para os lábios dela.
Ele aproxima seu rosto, vão ficando mais próximos, às respirações misturando-se, Anancy fecha os olhos, mas ele apenas dá um beijo em sua bochecha esquerda.
– Tenha uma boa noite, Williams_ falou após se afastar e a soltar.
– Você também, Reznikov_ e a porta do elevador se fechou entre eles.
No corredor a dupla Amélia e Joy saíram correndo de volta para o apartamento após verem aquela cena inusitada do "casal" tão íntimo.
Enquanto o elevador subia para o andar acima, Mikhail levou seu celular e ligou para Dmitri.
"– Sim senhor?!_ a voz do seu braço direito soou do outro lado da linha."
– Pode sumir com essas manchetes_ ordenou.
"– É pra já_ assentiu do outro lado e a chamada se encerrou."
Mikhail adentrou seu apartamento já afrouxando a gravata e desabotoando a camisa social, seguiu até seu balcão na cozinha meticulosamente organizada e se serviu com um copo de vodka, voltando para a sala e se sentando em sua poltrona escura, enquanto finalmente descansava com satisfação pelo destino ter feito o trabalho pesado e ter permitido tirar a limpo a história do suposto romance, sem que precisasse ir atrás disso.
•••
Paralelamente, no andar de baixo Anancy foi recebida por Joy.
– Oi_ elas se abraçaram.
– Como você está?_ Amélia perguntou quando foi sua vez de abraçar a amiga.
– Eu estou bem e vocês?_ largou a bolsa no sofá e sentou no tapete recebendo uma taça de vinho branco de Joy.
– Óptimas_ Amélia respondeu.
– O jantar está quase pronto_ Joy avisou se sentando na poltrona do outro lado da sala.
– Estou mesmo morrendo de fome_ Anancy deu um gole no seu vinho.
– Não têm nada pra nos contar?_ Joy questiona girando o vinho dentro da taça.
– Que eu não estou saindo com o Derick?_ mais pergunta do que afirma, já que ela não sabia exatamente do que se estava falando.
– Isso nós já sabemos_ Joy fala como se fosse a coisa mais óbvia, e certamente pra elas era, a conheciam desde os 4 anos, se não a conhecessem bem o suficiente pra perceber aquele detalhe, então estaria ela vivendo em uma ilusão.
– Estamos falando do vizinho lá de cima_ Amélia aponta para o teto, fazendo Anancy olhar pra cima.
– Do homem lindo, maravilhoso, assustadoramente atraente, e poderoso Russo, com quem você "supostamente" vive competindo_ Joy faz aspas com os dedos.
– Porquê as aspas e o supostamente?_ Anancy questiona indignada_ nós realmente competimos na maior parte do tempo.
– Ou é uma fachada para o vosso relacionamento secreto?_ Joy tenta a sorte.
Anancy ri e olha para Amélia como se a mesma também estivesse rindo daquele disparate, só que Amélia não está rindo, pelo contrário, ela também parece acreditar na mesma ideia de Joy
– OPA, opa, opa, calma aí_ ela para de rir e encara de Joy pra Amélia e vice versa_ beberam demasiado vinho não foi?
– Nós vimos vocês se agarrando na porta do elevador privativo dele, tipo, vocês estavam bem próximos_ Amélia expôs.
– Isso não quer dizer nada, vocês não viram um beijo ou algo que dissesse que temos algo, ele podia estar tirando um cisco no meu olho_ retruca mentindo na cara dura, ou pelo menos tenta.
– Na verdade houve um beijo sim, e mesmo que não houvesse, que proximidade foi aquela? Pra dois rivais vocês são muito...
– Íntimos_ Amélia acrescentou quando viu Joy ter dificuldade em escolher a palavra certa a usar.
– Isso mesmo, íntimos, e com todo o resto do mundo ele é seco, só não é com você_ completa_ sempre achei isso estranho, mas depois de hoje já sei que têm algo aí.
– Não exagerem_ Anancy tomou outro gole do vinho_ t*****r uma vez com ele e querer t*****r de novo não é necessariamente ter algo aí né_ outro gole.
Os rostos de Amélia e de Joycellin não esconderam a surpresa após ouvirem o que Anancy falou. Joy até largou sua taça na mesa e se aproximou dela no sofá para melhor escutar e expressar sua indignação.
– Como você não nos contou isso?_ sua voz saiu mais alta do que o esperado.
– Tem calma, eu contei sim, só não detalhadamente_ Anancy se defendeu.
– Quando?_ Amélia tão indignada quanto Joy, indagou.
– Quando a três semanas atrás, eu falei que fiz uma loucura e tive minha primeira vez_ deu de ombros, deixando elas ainda mais indignadas.
– Eu achei que você estivesse, sei lá... zoando_ Joy confessou.
– Mas eu não estava_ ela deu de ombros se levantando.
– Quando? Como?_ Amélia questionou confusa.
– Lembra da vez que você foi me pegar naquele hotel?_ ela assentiu_ eu estava fugindo dele.
– Foi assim tão mau pra você fugir dele?_ perguntou Joy.
– Não ouviu ela dizendo que quer repetir a dose? Deve ter sido incrível_ Amélia riu_ o que nos leva a querer saber porquê você fugiu_ olham para ela com o brilho da curiosidade.
– Sei lá_ terminou seu vinho e serviu outra dose.
– Tipo, vocês transaram mesmo? Você e ele... Sabe..._ Joy foi fazendo uns gestos com as mãos, arrancando uma risada alta de Amélia e um suspiro indignado de Anancy.
– E eu achei que ter a conversa sobre bebés com a minha mãe era desconfortável_ reclamou tomando um pouco mais de vinho.
– Tá, desculpa é que..._ ela limpou lágrimas imaginárias_ eu esperei muito pra escutar isso de você e agora..._ ela realmente estava chorando.
– Você está de brincadeira_ Anancy fala desacreditada_ você está chorando de verdade?_ larga a taça e se aproxima da amiga chorosa_ não é pra tanto Joy_ ela reclama.
– Até eu estou ficando preocupada Joy_ Amélia também se aproxima dela.
– Me desculpem, é difícil controlar os hormônios, esse bebê está dando cabo de mim_ ela fala de forma desajeitada.
– Não se preocupe vo..._ Amélia processou o que escutou_ espera aí, Joycellin você disse o quê?_ questionou achando que havia escutado m*l.
– Eu estou grávidaaaaa_ e as lágrimas desceram com ainda mais intensidade.
– Oh meu amor, tem calma_ Anancy a abraçou fortemente.
– Como assim? Quando? De quem?_ Amélia estava perplexa.
– Traz um copo de água pra ela_ Anancy pediu e Amélia correu pra pegar.
Joy bebeu do conteúdo e esperou uns instantes até se acalmar, pra então olhar Pras suas melhores amigas.
– Vocês podem perguntar_ largou o copo na mesa.
– Quando?_ Amélia começou.
– De quem?_ Anancy prosseguiu.
– Porquê você estava bebendo?
– Contou pra ele?
– Seus pais sabem?_ elas bombardearam até se aperceber que precisavam parar.
– Desculpa, a gente está bombardeando você e não precisa responder.
– Relaxem, eu quero responder_ as tranquilizou_ eu descobri faz uma semana, por isso queria tanto que vocês viessem me ver, eu não contei nem para os meus pais e nem pra ele, eu não sei como fazer isso, vocês são as primeiras a saber disso, vocês são as minhas melhores amigas_ deu de ombros_ e eu não estava bebendo, era espumante sem álcool_ sorriu.
– Nós estaremos aqui pra você_ Amélia segurou suas mãos_ sempre_ sorriu acolhedora.
– Eu sei_ sorriu com as lágrimas a beira de caírem.
– Além disso, as tias já amam, se precisar bater em alguém, sabe que pode contar com a gente_ Anancy brincou, arrancando uma risada de Joy.
– Se eu contar quem é o pai desse bebê vocês irão me odiar_ seu rosto se entristeceu.
– Te odiar é uma palavra forte, julgar sua escolha possivelmente, mas odiar impossível_ Anancy garantiu.
– Nem se eu disser que é do Asani?
Amélia riu achando que era brincadeira, mas a seriedade de Joy, fez a máscara cair.
– Mentira_ balbuciou.
– Asani? Asani Williams? Meu irmão gémeo? O mesmo Asani i****a que nós conhecemos?_ Anancy indagou tentando achar um resquício de zoação na amiga.
– Me desculpa_ ela fala envergonhada.
– Eu diria que ele é feio e tal, mas de peruca ele parece um pouco comigo_ ela da de ombros ainda incrédula_ você não precisa se desculpar comigo por nada mas poxa, como vocês conseguiram fazer isso bem debaixo dos nossos narizes e nós não desconfiamos de nada?_ ela estava abismada.
– Eu preciso ser mais atenta nessa vida_ Amélia riu desacreditada, mas então viu Anancy deixando lágrimas rolarem_ o que foi?_ perguntou assustada.
– Eu serei tia, caramba_ a ficha caiu tão rápido que nem ela estava esperando.
– Eu sei_ e também caiu na choradeira.
– Não façam isso comigo_ Joy se segurou pra não chorar e acabou rindo das amigas.
– O enxoval, as roupinhas, os pezinhos_ as duas não paravam de choramingar enquanto a futura mãe do bebê só olhava com orgulho para a dupla.