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1461 Palavras
Quando o sol nasceu no dia seguinte, Anancy já se encontrava de pé revisando a proposta para a Krepost e se assegurando que nada estivesse com uma falha sequer. Ela estava nervosa? Era óbvio que sim, já havia assinado inúmeros contratos, fechado vários negócios, propostas infindáveis foram elaboradas por ela, mas aquilo era de outro nível, a Krepost, era de outro nível. Enquanto ela brincava e imaginava que era uma dama da alta sociedade com seus 11, do outro lado da Europa, Mikhail começava aquilo que viria a se tornar um império multimilionário e só tinha 14 anos. Anancy ainda tinha 4 horas até a reunião e decidiu usar esse tempo para se sentir plenamente confiante naquilo que sempre fizera, por isso passou todo o tempo lendo até finalmente seguir em direção ao prédio da Krepost. °°° Ao final da reunião, os executivos da Krepost estavam impressionados, eles puderam confirmar o motivo de Anancy ter tanto sucesso e respeito, uma mulher extremamente inteligente, carismática, persuasiva e sem dúvida com um bom olho para oportunidades, diziam eles em meio a elogios infindáveis que deixavam a mulher sem jeito. Mikhail que durante toda a reunião se manteve apenas escutando e raramente falando, agora observava a mulher se despedir dos seus colaboradores e então se afastar, aquela era a oportunidade dele para falar com ela. — Senhorita Williams — olhou para ela com um sorriso quase imperceptível. — Senhor Reznikov — ela estendeu a mão para ele. Mikhail olhou para a mão estendida, olhou para o rosto dela e então segurou delicadamente a mão dela, em um leve cumprimento. — Um beijo seria uma opção melhor, não acha? — ele perguntou sem soltar a mão dela. — Você é muito s*******o — ela afastou a mão. — E você é um espanto — ele elogia. Anancy olhou para ele e arqueou a sobrancelha. — Fala da proposta? — Falo de você por completo, seu cérebro é muito sexy — declarou galanteador. — Eu preciso trabalhar e você também — ela declara querendo fugir. — Janta comigo essa noite? — Eu adoraria, mas essa noite eu tenho tanto trabalho, fico te devendo essa — propôs. — Tudo bem, eu cobro essa dívida depois. — Até mais, eu preciso ir — deu um passo atrás. — Até mais — e ela saiu. Mikhail observou Anancy se distanciar e depois seguiu em direção ao seu escritório. Mal entrou na sala, seu celular começou a tocar e o número era desconhecido, Mikhail decidiu ignorar a chamada mas a pessoa foi persistente até que na terceira chamada ele atendeu. — Reznikov — seu apelido foi dito com aquele forte sotaque russo. — O que você fez com minha marionete? Escondeu ele ou já se livrou dele por mim? — a zombaria na voz do outro lado, deu clareza para Mikhail sobre quem era a pessoa. — Achei que você não se importasse que eu pegasse ele emprestado por alguns dias — o celular foi colocado no viva voz enquanto ele ligava o computador. — Podia pelo menos ter me avisado Mikhail, eu não tinha acabado de brincar com ele — Yuri fingiu estar resignado. — Eu não me daria a esse trabalho todo por um rato de esgoto — retrucou Mikhail. — Nossa, me machucou hein, rato de esgoto? Esperava esse insulto vindo do Nikolai e não de você. — O desgosto pela sua existência não é um sentimento exclusivo do meu irmão, se você sumisse eu não reclamaria — ele foi sincero. — Você sabe que eu não posso fazer isso. — O que você quer? — Mikhail suspirou. — Eu quero tudo, a mansão Reznikov, a herança dos Reznikov, a liderança da Bratva, a K-structure e a Krepost, é só isso que eu quero. — Só? — Mikhail acabou rindo de Yuri. — Você quer a casa da minha família, a nossa herança, o posto do meu irmão, o império da minha família e a minha empresa, quer que eu te dê também o meu orifício anal? Só assim para conter essa sua ganância — cruzou os braços e se recostou na cadeira. — Eu também tenho direito a isso tudo, eu também sou parte da família — Yuri se exaltou. — Hã? Parte de que família? Você acha que um inútil como você poderia ser parte da minha família? — Mikhail zombou — vai sonhando. — Eu também sou um Reznikov — vociferou. — Não, você é um bastardo que meu pai sentiu pena e acolheu, mas como um cachorrinho mau, você tentou morder a mão que te alimentou, por isso acabou assim, se escondendo como um ratinho de esgoto. — Eu terei tanto prazer em te matar Mikhail — ameaçou. — Você não me assusta, se é tão bom quanto acha porquê vive se escondendo? — Quando você... — Me ligue quando tiver algo interessante a falar — Mikhail o interrompeu e desligou a chamada sem o mínimo de interesse em saber o que o outro diria. °°° No seu escritório Yuri irritado jogou o celular contra a parede e gritou de raiva. — Aquele merdinha, eu vou matar ele, mas antes vou tortura-lo lentamente, esfolar ele vivo, jogar água quente em seu corpo e fazer todas as atrocidades possíveis. — Ele gritava irritado com a insolência do mais novo. — Guarde essa raiva Yuri, brevemente você terá sua chance de brincar com o Mikhail — Vladimir falou deitado no sofá enquanto olhava seu mais novo aliado perder o controle. — Ele não perde por esperar, todos eles terão o que merecem e você poderá finalmente ficar com a Kati — Yuri esboçou um sorriso perverso e Vladimir acompanhou. °°° O dia se passou em uma rapidez absurda, o relógio já quase marcava 20h e Anancy ainda estava em seu escritório terminando alguns documentos que não queria deixar acumulados durante a viagem para Zurique. Arrumou mais uma pilha de papéis já revisados e olhou novamente as horas, 19:49, soltou um suspiro e ouviu seu próprio estômago roncar, decidindo então que levaria a última pilha de papéis para terminar em casa enquanto tomava um vinho e esparecia do dia cansativo. Ela então pegou nos documentos, arrumou suas coisas e saiu se despedindo do segurança. No caminho para casa, Anancy pediu para Rowena passar de um restaurante onde ela encomendou o jantar e assim a guarda-costas o fez, Elise foi quem desceu para pegar a comida enquanto a chefe lia um relatório. Duas batidas soaram na janela do carro e Anancy olhou assustada para a janela. — Trabalhando até no carro? — ele sorriu enquanto a analisava depois que ela baixou o vidro. — Tenho um monte de trabalho por terminar — ela suspirou largando o papel de lado. — Hummm, viciada em trabalho — Derick constatou. — Olha quem fala, estou até surpresa de ter te achado, tá fazendo o que aqui? — Vim jantar, e você? — pegar o jantar, preciso terminar uma papelada — ela apontou para o papel de lado. — Vai comer sentada de frente para o trabalho? Ah não seja essa pessoa Any, venha jantar comigo — ele propôs. — Obrigada pelo convite, mas eu realmente preciso trabalhar. — Anda me evitando por conta daquelas fofocas? — ele se referiu aos boatos da última vez que foram vistos juntos. — Não estou te evitando Derick, apenas temos nos desencontrado, além disso, porque eu te evitaria? São só boatos, não passam disso — ela dá de ombros. — Então já que você não me está evitando, eu posso te chamar para jantar um dia desses? Sem ser algo relacionado ao trabalho? — ele perguntou esperançoso. Anancy sorriu sem mostrar os dentes. — Claro, somos amigos né, um dia a gente sai — fez um joinha. Antes que Derick pudesse responder, Elise voltou para o carro trazendo a comida. — Bem, eu já estou indo — Anancy despediu. — Então entrarei em contato — ele se afastou e o carro pode finalmente arrancar. Anancy voltou a ler seu relatório calmamente por uns minutos e então pegou seu celular no acento, enviando uma mensagem breve para seu ex rival empresarial. " Têm tempo amanhã pra me encontrar? " Uns 12 minutos depois a resposta chegou. " Para você, sempre. Te busco 18h, tá bom?" Ela assentiu como se ele pudesse ver, e então digitou a resposta: " A gente se encontra, a intenção é não dar nas vistas Reznikov." " Deixa comigo, eu não darei nas vistas, te pego no trabalho." " Você por si só já chama atenção." " Eu faço valer a pena, não se preocupe detka." E então Anancy largou o celular de lado com um sorriso, podendo voltar a se concentrar no trabalho.
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