Reencontros

600 Palavras
O vento frio de Curitiba soprava constante, trazendo aquele cheiro de chuva que parecia morar na cidade. Maria ajeitava o cachecol enquanto caminhava pela praça central, um dos seus lugares favoritos quando passava as férias ali, anos atrás. Ao lado, Letícia observava tudo com olhos curiosos o movimento calmo, as árvores alinhadas, o ritmo diferente da cidade. — Aqui é bonito demais, Mari — comentou ela, sorrindo. — Até o ar parece mais limpo. — É — respondeu Maria, respirando fundo. — Sempre me senti bem aqui. Essa praça era o ponto de encontro da galera nas férias. Letícia olhou em volta, reparando nos jovens espalhados pelos bancos e cafés próximos. — E eles, já sabem que tu voltou? — Sabem sim. Falei com a Rê ontem. Ela ficou doida pra te conhecer. Logo adiante, uma voz conhecida rompeu o som suave da praça. — Mariaaaa! Renata vinha correndo em direção às duas, com o mesmo sorriso aberto de sempre, os cabelos cacheados balançando no ar. Ela abraçou Maria com força, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Menina, eu não acredito! Achei que tu nunca mais ia voltar! — Pois é, a vida dá umas voltas… — respondeu Maria, rindo. — Essa é a Letícia, minha amiga. Renata a cumprimentou animada. — Prazer! A Maria vivia sumida, mas se for pra voltar trazendo amiga bonita assim, tá perdoada! Letícia riu, meio sem jeito. — Que isso! Logo atrás de Renata, vinham dois rapazes — Lucas e Matheus. Lucas, o mais brincalhão, abriu um sorriso largo. — Olha quem resolveu aparecer! A futura mamãe mais teimosa de Curitiba! Maria revirou os olhos, mas riu. — Nem começou e já tá me zoando, Lucas. Enquanto se abraçavam, Matheus ficou um pouco mais atrás, observando. O mesmo olhar calmo de antes, agora um pouco mais maduro, se encontrou com o de Maria. Ela sorriu, lembrando por um instante dos beijos inocentes da infância, das risadas escondidas na varanda da tia Flávia. Mas antes que o momento se prolongasse, Letícia se virou e encontrou o olhar de Matheus. Por um instante, o mundo pareceu silenciar. Matheus sorriu, discreto, como se fosse um reflexo. — Oi — disse ele, estendendo a mão. — Matheus. Letícia apertou, um pouco surpresa pela atenção. — Letícia. — A amiga do morro, né? A Maria falou de você. — Falou bem, espero. — respondeu ela, com um sorrisinho provocante. Ele riu. — Mais do que você imagina. Renata interrompeu, animada: — Gente, e o Luan? Ele tá vindo! Disse que ia chegar um pouco atrasado. O nome caiu pesado no ar. Maria respirou fundo, tentando disfarçar o aperto no peito. Desde que voltara a Curitiba, sabia que esse momento viria,ver Luan de novo, depois de tudo que viveram. E como se o destino tivesse escutado, Luan apareceu logo em seguida, vindo na direção do grupo. Alto, o mesmo olhar sereno, agora mais firme. Quando os olhos dele encontraram os de Maria, o tempo pareceu parar. Nenhuma palavra precisou ser dita. O passado inteiro se fez presente num único olhar. — Oi, Maria — disse ele, a voz grave, suave. — Oi, Luan. Ao lado, Letícia sussurrou para Renata: — Acho que já saquei quem é esse tal Luan. Renata riu baixo. — É, menina… história longa. Enquanto o grupo seguia conversando, Letícia e Matheus trocavam olhares curiosos, quase cúmplices, rindo das mesmas piadas e se entendendo com uma facilidade inesperada. E ali, sob o céu nublado de Curitiba, a vida começava a se desenhar de novo entre reencontros, lembranças e novos olhares que prometiam mudar tudo
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