Segredos

1079 Palavras
Maria deixava a escola junto com as amigas, mais o clima tranquilo daquela tarde, foi quebrado pelo estampido dos fogos: um aviso claro de que algo estava acontecendo no morro. — Corra! — gritou um pai que tentava levar o filho pela mão. no meio da correria, Maria perdeu Letícia de vista. O coração disparou. Sozinha,começou a correr pelos becos estreitos, desviando de pessoas, lixo e obstáculos. Mesmo estando ali há dois anos, ainda se perdia facilmente.de repente, percebeu um grupo de homens subindo por um beco armado. O medo a paralisou por um segundo, e nesse instante seu celular caiu no chão. Ela caiu de joelhos, lágrimas escorrendo, soluçando de desespero. Maria corria sem rumo,até que chegou a uma beco sem saída, ali ele se viu encurralada, ela gritava por ajuda, com a aproximação daqueles homens — Socorro! — gritou, a voz ecoando nos becos apertados, mas ninguém apareceu para ajudá-la. então,um único disparo ecoou. Maria levantou a cabeça e viu Guilherme. Ele tinha atirado no para o alto, para chamar atenção do homens que ali estavam, e conseguiu, Guilherme atirou novamente e derrubou os dois homens, ele correu até ela com expressão determinada. — Vem!— gritou ele, pegando sua mão. Maria sentiu o coração disparar novamente enquanto ele a puxava pelos becos, subindo e descendo escadas rapidamente. Cada passo fazia os tiros parecerem mais próximos, mas Guilherme não hesitou. — Segura firme!— disse, desviando de um canto escuro. eles chegaram a uma casa vazia com a placa de “aluga”. Sem pensar duas vezes, ele estourou a fechadura e entrou com ela, correndo para o cômodo mais ao fundo,lá, finalmente, Guilherme tentou acalmar Maria, que soluçava sem parar. — Está tudo bem… está tudo bem — disse ele, firme, segurando suas mãos. — Eu não vou deixar que te machuquem. Maria não parava de chorar, então em um movimento rápido Guilherme segurou o rosto de Maria e a beijou, aquele beijo foi o estopim que a tensão que rodeava eles precisava,mesmo com toda a sua inocência, Maria beijava ele com vontade ,Guilherme a pega no colo, fazendo assim as pernas de Maria se entrelaçam em sua cintura, ele se encostou na parede assim escorregou as costas na mesma, se fazendo sentar no chão, o beijo deles era necessário, vivaz, Guilherme desenhava as curvas do corpo de Maria com a mãos ,ate que novamente os fogos foram ouvidos,anunciando o fim do confronto, e com o som dos fogos, Maria abriu os olhos e viu o que estava fazendo e imediatamente saiu do colo de Guilherme e se afastou dele, o coração ainda acelerado, o corpo tremendo, ela percebeu algo que não esperava, a intensidade do momento aproximou-os de um jeito que palavras não poderiam descrever. Ele levantou caminhou ate ela, segurou seu rosto com cuidado e deu um beijo rápido e leve. Não era um beijo apaixonado, como o que acabaram de dar, mas carregava tudo o que precisava: p******o, carinho e a promessa silenciosa de que estaria sempre ao lado dela. —Está mais calma? — perguntou ele, ainda próximo, a respiração compartilhada. —Sim… obrigada por me ajudar— respondeu Maria, com os olhos brilhando. eles permaneceram ali por alguns instantes, apenas respirando juntos, compartilhando o calor e a proximidade. Fora do quarto, os tiros e o barulho ainda ecoavam,mas naquele momento nada mais importava. Só eles, a adrenalina e a tensão que finalmente se transformava em algo seguro, mas intensamente próximo Eles saíram da casa vazia devagar, ainda respirando fundo, tentando recuperar o ritmo normal após a adrenalina. Guilherme segurava firme a mão de Maria, como se nada pudesse separá-los, enquanto ela ainda se sentia atordoada pelo perigo e pela intensidade do momento que haviam vivido. — Vamos devagar… — murmurou ele, a voz baixa, quase um sussurro, apenas para que Maria ouvisse. Maria assentiu, sentindo que, apesar do medo, estar ali com ele a deixava segura. Eles atravessaram os becos silenciosos, desviando de pessoas e sons que ainda ecoavam do confronto. A proximidade deles era reconfortante, mas o que aconteceu dentro da casa, o beijo, o toque, ficou entre os dois um segredo que nenhum dos dois ousaria contar. De repente, ouviram passos apressados e a voz firme de alguém chamando: — Maria! Maria! Ela ergueu o olhar e viu a Soberana correndo em direção a eles, expressão desesperada e olhos arregalados. — Mãe! — gritou Maria, aliviada. Milena agarrou a filha, puxando-a para perto com força, analisando cada ferimento, cada arranhão, cada sinal de que Maria havia passado por perigo. — Onde você estava, sua doida? — perguntou Milena, com a voz misturando raiva e alívio. — Eu tentei te ligar mil vezes! Por que não respondeu? Maria explicou rapidamente que tinha perdido o celular na correria e que, no meio do caos, não conseguira avisar ninguém. Milena a ouviu, os olhos brilhando de preocupação, mas sua postura de protetora rígida se manteve. — Não se meta sozinha nessas situações nunca mais — ordenou Milena, ainda segurando firme os ombros da filha. — Entendeu? Maria assentiu, sentindo o calor do abraço da mãe e a força da autoridade que sempre a fez respeitar o perigo da vida naquele morro. Guilherme ficou alguns passos atrás, observando. Ele não disse nada, apenas manteve a mão dela discretamente, como quem dizia “estou aqui e tudo vai ficar bem”, sem que Milena percebesse. — E você? — perguntou Milena, finalmente percebendo Guilherme. Seu olhar era avaliativo, mas não havia raiva, apenas curiosidade e análise da situação. — Mãe… — Maria hesitou, lembrando do que aconteceu antes, do beijo, da intensidade do momento. — Ele… ele me ajudou. É… só isso. Milena franziu a testa, mas não insistiu. Havia algo em Guilherme, algo que ela já conhecia de ouvir histórias sobre o morro e os jovens da comunidade, que dizia que ele era confiável. Por enquanto, isso bastava. Guilherme soltou a mão de Maria apenas quando Milena a apertou nos braços, mas seu olhar encontrou o dela e ambos compartilharam aquele segredo silencioso, sem precisar dizer uma palavra. A tensão, o perigo e a proximidade ainda pairavam entre eles, mas agora guardada, só deles. Enquanto Milena levava Maria de volta para casa, as ruas ainda ecoavam os últimos tiros distantes, mas dentro deles dois algo havia mudado. O medo tinha se transformado em conexão, e o segredo que compartilhavam tornou-se uma nova força que os unia, mesmo sem precisar de palavras.
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