Maria caminhava pela viela estreita do morro, com os fones de ouvido, tentando esquecer a semana e as fofocas da escola. Cada passo ecoava entre os prédios baixos, e o vento levava o cheiro do mar misturado à fumaça de churrasco de alguma casa próxima.
— Então é aqui que você se esconde, Branca de Neve?
A voz fez Maria congelar. Guilherme surgiu logo atras, olhar intenso e sorriso torto no rosto. Por um instante, ela não conseguiu reagir, sentindo o coração disparar.
— Eu… só estava voltando pra casa — disse, tentando soar casual, embora as palavras saíssem trêmulas.
— Claro — ele respondeu, dando um passo em direção a ela. — Mas parece que você anda pensativa demais. Quer dividir os pensamentos comigo?
Maria ergueu os olhos, encontrando aqueles castanhos claros que pareciam ler cada sentimento que ela tentava esconder. Um calor subiu pelo peito, misturado com nervosismo.
— Não é nada — murmurou, desviando o olhar.
Guilherme deu outro passo, encurtando a distância, sem parecer ameaçador, mas impossível de ignorar.
— Nada? — Ele inclinou a cabeça, sorriso provocador. — Acho que você tá mentindo. Sempre mente pra mim?
Maria respirou fundo, sentindo o corpo reagir involuntariamente. Ele estava perto demais. O cheiro dele, a postura confiante, o toque quase acidental do ombro ao se aproximar… tudo isso fazia o coração dela disparar.
— Talvez… — respondeu, voz baixa, sentindo a tensão quase insuportável no ar.
Guilherme sorriu de canto, devagar, e então se inclinou levemente. Maria sentiu o rosto queimar. O mundo parecia se resumir àqueles centímetros entre eles. Ela podia sentir a respiração dele, o calor que vinha dele, e o cheiro que a deixava tonta.
— Cuidado, Branca de Neve — sussurrou ele, tão próximo que Maria m*l podia respirar. — Uma hora desses você não vai resistir.
Ela fechou os olhos por um instante, quase cedendo àquele impulso. O coração disparado, as mãos trêmulas, a sensação de que tudo estava prestes a mudar. E então, como se o tempo tivesse decidido brincar com ela, um gato atravessou a viela correndo, fazendo ambos recuarem abruptamente, rindo nervosamente.
— d***a! — murmurou ele, sorrindo de canto, ainda tão perto que Maria podia sentir o calor dele.
Ela riu baixo, tentando recuperar o controle, mas sabia: nada seria como antes. Cada encontro, cada olhar, cada provocação tornaria impossível ignorar aquilo que crescia entre eles.
— Até amanhã, Branca de Neve — disse ele, virando-se e desaparecendo entre as sombras do morro.
Maria ficou parada, respirando fundo, o corpo ainda quente, o coração acelerado, percebendo que, pela primeira vez, não queria fugir daquilo. A tensão, a provocação, o desejo contido… tudo parecia finalmente fazer sentido. E ela sabia que Guilherme sentia o mesmo.
O sinal da escola m*l havia tocado quando Maria entrou na sala, ainda com a respiração um pouco mais acelerada do que o normal. O encontro de ontem à tarde no morro não saía da cabeça: a proximidade, o toque quase acidental, o quase beijo interrompido pelo gato… Tudo parecia ter deixado uma marca invisível, mas impossível de ignorar.
Letícia percebeu de imediato. Sentou-se ao lado dela e cutucou seu braço:
— Mari… você tá diferente. Tá corada, distraída… O que aconteceu ontem?
Maria engoliu seco, desviando o olhar.
— Nada demais, Lê… — murmurou, tentando disfarçar, mas a voz traía seu nervosismo.
No instante seguinte, Guilherme entrou na sala. Como sempre, com postura confiante, olhos atentos. Assim que cruzou o olhar com Maria, deu aquele sorriso de canto que fez seu coração disparar instantaneamente. Ele se aproximou da carteira dela sem falar nada, apenas deixando a presença quase sufocante que Maria ainda tentava controlar.
— Você anda bem silenciosa hoje — comentou baixo, tão perto que ela sentiu a respiração dele na nuca. — Tão pensativa… Tá pensando em mim?
Maria corou, tentando manter a postura, mas não conseguiu impedir o pequeno rubor que subiu pelo rosto.
— Não… — tentou negar, mas a voz saiu falha.
Guilherme sorriu de canto, satisfeito, e se recostou levemente na carteira ao lado, como se estivesse ali apenas para observá-la. Cada movimento, cada olhar, cada gesto parecia carregar uma provocação silenciosa, uma tensão que nenhum dos dois podia ignorar.
Letícia, sempre atenta, riu baixinho ao perceber a reação da amiga.
— Ih… tá vendo, Mari? Ele tá de olho em você o tempo todo. Não tenta disfarçar.
Maria suspirou, desviando o olhar para a janela, tentando organizar os pensamentos. Guilherme, porém, não deixava escapar. Cada vez que ela olhava para ele, havia algo no jeito que ele a observava que a deixava ainda mais inquieta: intensidade, provocação e… desejo contido.
No intervalo, o grupo se espalhou pela quadra da escola. Maria ficou com Letícia e algumas meninas, tentando rir, falar de coisas banais, mas a mente estava presa no encontro do dia anterior. Guilherme se aproximava de vez em quando, sempre sutil, sempre com aquele toque de provocação: um braço encostando perto, um sorriso rápido, uma palavra que parecia sussurrada só para ela ouvir.
Maria percebeu que não conseguia mais disfarçar. O que sentia por Guilherme não era apenas atração física, era tensão, curiosidade, desejo e confusão emocional. E quanto mais ele provocava, mais ela se via perdida entre o que queria e o que ainda tentava controlar.
Quando o sinal tocou para o fim do intervalo, Maria respirou fundo, tentando retomar o controle. Guilherme cruzou seu olhar uma última vez antes de se afastar, e ela soube: aquele jogo de provocações, olhares e tensão estava apenas começando, e ela não queria e nem podia escapar dele