O pequeno quarto ainda cheirava a remédios e suor. Maria dormia, exausta após o choro e o abraço inesperado da mãe. Milena permanecia sentada ao lado, sem desgrudar os olhos da filha, como uma sentinela. A cada movimento de Maria na cama, Milena se inclinava, atenta, pronta para protegê-la de qualquer sombra.
Thiago entrou devagar, trazendo um copo de água.
— Você precisa descansar, Milena. Desde que chegamos, não fechou os olhos.
Ela balançou a cabeça, obstinada.
— Não vou sair daqui. Nem por um segundo.
O irmão suspirou.
— Cuidado pra não sufocar a menina. Maria precisa de você… mas também precisa respirar.
Milena o encarou, séria:
— Você não entende, Thiago. Eu perdi um filho antes. Não vou permitir que isso aconteça de novo.
Do lado de fora, Bruno conversava com Letícia em voz baixa.
— Você tem certeza do que disse? — perguntou ele, aflito.
— Absoluta — respondeu a jovem, o olhar inquieto. — Eu estava no hospital. Vi Guilherme abrir os olhos. Ele falou meu nome, pediu pra avisar a Maria… mas, antes que eu pudesse voltar, ele tinha sumido.
Bruno esfregou o rosto, cansado.
— Tres meses desaparecido… e quando finalmente acorda, some outra vez. Isso não é coincidência.
Letícia baixou os olhos, a culpa evidente.
— Achei que, se avisasse logo, conseguiríamos encontrá-lo. Mas talvez já seja tarde.
Bruno pousou a mão no ombro dela, tentando acalmá-la.
— Não é sua culpa. Se Guilherme sumiu, ele tem motivos pra ter saído assim. Mas precisamos entender quais.
Enquanto isso, Milena saiu do quarto por um instante e ouviu parte da conversa. O coração dela disparou ao ouvir o nome de Guilherme.
— Ele está vivo… — murmurou, com um misto de alívio e fúria. — E desapareceu outra vez.
Bruno se virou para ela.
— Precisamos organizar uma busca. Mas agora não é só pelo menino. É pela Maria também. Se Guilherme sumiu, pode estar em perigo.
Milena respirou fundo, as mãos ainda trêmulas.
— Maria precisa dele. Mais do que de mim, mais do que de você, Bruno. Ela precisa dele.
Um silêncio pesado se seguiu, todos compreendendo a gravidade.
Thiago apareceu na porta, quebrando a tensão:
— Acordou de novo. Está chamando por alguém…
Milena entrou imediatamente. Maria estava sentada, suada, o olhar perdido mas insistente.
— Mãe… eu quero o Guilherme. Eu preciso dele aqui… por favor, traz ele pra mim.
Milena segurou o rosto da filha com delicadeza incomum.
— Nós vamos encontrar ele. Te prometo.
Do lado de fora, Bruno e Thiago trocaram olhares sérios. Sabiam que a promessa de Milena não era apenas palavras — era uma ordem silenciosa de guerra.