Uma nova busca

443 Palavras
O pequeno quarto ainda cheirava a remédios e suor. Maria dormia, exausta após o choro e o abraço inesperado da mãe. Milena permanecia sentada ao lado, sem desgrudar os olhos da filha, como uma sentinela. A cada movimento de Maria na cama, Milena se inclinava, atenta, pronta para protegê-la de qualquer sombra. Thiago entrou devagar, trazendo um copo de água. — Você precisa descansar, Milena. Desde que chegamos, não fechou os olhos. Ela balançou a cabeça, obstinada. — Não vou sair daqui. Nem por um segundo. O irmão suspirou. — Cuidado pra não sufocar a menina. Maria precisa de você… mas também precisa respirar. Milena o encarou, séria: — Você não entende, Thiago. Eu perdi um filho antes. Não vou permitir que isso aconteça de novo. Do lado de fora, Bruno conversava com Letícia em voz baixa. — Você tem certeza do que disse? — perguntou ele, aflito. — Absoluta — respondeu a jovem, o olhar inquieto. — Eu estava no hospital. Vi Guilherme abrir os olhos. Ele falou meu nome, pediu pra avisar a Maria… mas, antes que eu pudesse voltar, ele tinha sumido. Bruno esfregou o rosto, cansado. — Tres meses desaparecido… e quando finalmente acorda, some outra vez. Isso não é coincidência. Letícia baixou os olhos, a culpa evidente. — Achei que, se avisasse logo, conseguiríamos encontrá-lo. Mas talvez já seja tarde. Bruno pousou a mão no ombro dela, tentando acalmá-la. — Não é sua culpa. Se Guilherme sumiu, ele tem motivos pra ter saído assim. Mas precisamos entender quais. Enquanto isso, Milena saiu do quarto por um instante e ouviu parte da conversa. O coração dela disparou ao ouvir o nome de Guilherme. — Ele está vivo… — murmurou, com um misto de alívio e fúria. — E desapareceu outra vez. Bruno se virou para ela. — Precisamos organizar uma busca. Mas agora não é só pelo menino. É pela Maria também. Se Guilherme sumiu, pode estar em perigo. Milena respirou fundo, as mãos ainda trêmulas. — Maria precisa dele. Mais do que de mim, mais do que de você, Bruno. Ela precisa dele. Um silêncio pesado se seguiu, todos compreendendo a gravidade. Thiago apareceu na porta, quebrando a tensão: — Acordou de novo. Está chamando por alguém… Milena entrou imediatamente. Maria estava sentada, suada, o olhar perdido mas insistente. — Mãe… eu quero o Guilherme. Eu preciso dele aqui… por favor, traz ele pra mim. Milena segurou o rosto da filha com delicadeza incomum. — Nós vamos encontrar ele. Te prometo. Do lado de fora, Bruno e Thiago trocaram olhares sérios. Sabiam que a promessa de Milena não era apenas palavras — era uma ordem silenciosa de guerra.
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