O RASTRO DO VERME CAIO O quarto do motel fedia a cigarro barato e ao suor azedo da mulher que eu tinha acabado de usar. Eu não conhecia o carinho; o que eu conhecia era o domínio, a força de quem esmaga o que tem pela frente. Saí de cima dela como quem descarta um trapo de chão, sem olhar nos olhos, sem um sopro de humanidade. A garota tremia, encolhida no canto da cama, tentando cobrir as marcas vermelhas que meus dedos deixaram nos braços dela. — Tá aqui a tua parte. Agora some da minha frente antes que eu mude de ideia — sibilei, tirando um maço de notas amassadas do bolso e jogando sobre o corpo dela. Vesti minha calça, sentindo a rigidez do couro do coldre contra a minha cintura. Saí daquele lugar sem olhar para trás, deixando a luz neon piscando no corredor. Eu precisava voltar

