Já era tarde quando Anya chegou em casa. O céu de Moscou estava encoberto, e o frio da noite fazia seus dedos formigarem enquanto ela segurava a pequena sacola com o avental dobrado dentro. Ainda sentia no corpo o cansaço das horas na cozinha da mansão, mas por dentro, algo leve e quente a fazia sorrir sem perceber. Quando empurrou a porta do apartamento, já esperava encontrar seu tio, sentado na poltrona como sempre. E não se enganou. Vadim estava ali, com uma garrafa de vodca na mesa ao lado, as pernas cruzadas e a arma descansando no coldre preso ao cinto. Ele ergueu os olhos para ela assim que entrou e abriu um sorriso exageradamente afável. — Olha só quem voltou — disse com voz melosa. — A minha garotinha trabalhadora. Anya fechou a porta devagar, pendurando o casaco no gancho sem

