Capitulo 06

2476 Palavras
— Ao banheiro. - Karen responde. - E horas não tenho que prestar explicação a uma mera serva. — Esqueceste quem es essa serva. - Elena responde com um tom de superioridade. — Lembro-me que a senhora Karen a pouco se vangloriava de ter trazido a princesa de volta. - Enzo comenta distraidamente, nesse momento Laura olha para a senhora que a pouco tentava sair sem ser notada. — Karen? Como? - Então Laura se aproxima da senhora, não muito logo pronuncia - “Findus.” - Nesse momento a imagem de Karen se transforma, assumindo agora imagem de uma senhora baixinha de cor pálida e cabelos tão vermelhos quanto de Pedro. — Vovó! - O mesmo fala. — Como vai senhora Carol? - Enzo, sem se abalar, pergunta. - Faz muitos anos que não nos vemos. — Você sabia o tempo todo. - Carol afirma. — Sabíamos que não havia sido Karen a trazer Ísis de volta, mas não imaginava que seria a senhora disfarçada de Karen. - Pedro afirma. — Você pode até ser meu neto ingênuo, mas o Marechal com certeza sabia estou certa? - Todos no salão encara o marechal, que apenas esboça um singelo sorriso de lado. — General Antunes, leva nossa convidada para seus aposentos? - Enzo ordena, logo alguns guardas levam Carol para prisão. - Perdoe por não ter esperado sua ordem majestade, mas creio que está tarde e muitas coisas aconteceram hoje, creio que tanto vossa alteza quanto vossa majestade precisam descansar. — Concordo Enzo, realmente aconteceram muitas coisas, Elena leve minha filha para o quarto dela para descansar e claro lhe dê algo para comer. O Duque, creio que já saiba onde fica seu aposento, assim como os demais. General Antunes pode se retirar. — Senhorita Laura, creio que passará a noite no castelo. - A Imperatriz Viúva fala, mas não dar tempo da jovem responder. - Me acompanhe a levarei para um dos quartos de hóspedes e amanhã conversamos melhor. Lentamente todos vão se retirando do salão e seguindo em direção aos quartos, com exceção do g***o mais jovem que seguiam em silêncio em direção a um salão menor onde Elena havia pedido aos servos para servir o jantar aos convidados e a princesa. Apesar de o silêncio não ser incomodo aos presentes, Artur não podia disfarçar que algo o incomodava, havia sido passado boa parte de sua infância e adolescência brincando naqueles corredores com Elena e agora ela o tratava como um estranho. — Lena, Leninha, minha loira. – Artur chama Elena como costumava chamar quando eram crianças, ele olha para os demais, observando um misto de expressões, Ísis o observava curiosa, já Uriah e Heitor haviam entendido os planos de Artur. Ele se aproxima, então abraça Elena pelos ombros a levantando do chão. – Sabe a Ísis meio que me dispensou, então o que acha de você se casa comigo… - Fala em tom de brincadeira, mas tal brincadeira não agradou nem Elena muito bem, afinal não era segredo que tinha sentimentos pelo moreno; nem Enzo já esse encarou a fala do general um tanto desrespeitosa para com a princesa, afinal apesar de não ser favorável ao casamento, o compromisso ainda não fora rompido. — Artur para de cena, todos sabemos que jamais romperia por v*****e seu compromisso com pela princesa. - Responde Elena se soltando dos braços de Artur. - Afinal, es deveras ambicioso para abandonar a oportunidade de obter poder, mesmo que apenas como príncipe consorte. — Elena! Que bicho te mordeste para falar um disparate desse, ainda mais na frente da princesa, o que ela pensará ao meu respeito. - Retruca Artur nervoso, com a fala da amiga. — Que isso General, ja pensava que fostes um galanteador, mas com a sua fala confirmei que eres um perfeito libertino. - Ísis responde com uma pose pensativa, o que arrancou risos de Uriah e Heitor, e uma carranca de Artur. — Não esqueças princesa de acrescentar, ambicioso, de caráter duvidoso. - Completa Pedro dando uma leve piscada para Enzo, Artur faz menção de retrucar, mas desiste. — Podem ir sem mim, perdi o apetite. - Fala dando as costas para o g***o e seguindo para seu quarto. Todos observam Artur se afastar do g***o, apesar de não comentarem, o entendimento da reação do General foi a mesma, afinal se Elena estivesse errada quanto ao seu interesse no casamento com a princesa, sua reação seria diferente. Contudo, apesar de o entendimento ser o mesmo, as reações diferiam, Uriah se perguntava se o grande amigo, aquele que admirou por tanto tempo, seria realmente tão mesquinha, seria por isso que Heitor nunca permitiu que contasse a Artur quem ele realmente era? Heitor, esse sempre desconfiou que Artur não era confiável, esse era o motivo de evitar que o mesmo descobrisse que Uriah não era um mero general. Mas de todos ali presente, a reação de Enzo e Pedro foram as que chamaram a atenção de Ísis, a troca de olhar de ambos e o sutil sinal feito a um dos guardas ali presentes não deixaram de ser notados pela mesma. Outra reação captada somente pela princesa foi o relampejo de decepção que passou no olhar de Elena, Ísis possuía inúmeras qualidades, mas aquela que mais se orgulhava era de observadora. O g***o loga retorna seu caminho, o silêncio, outrora confortável, tornou-se incomodo. O jantar transcorreu calmo, era notável o incomodo de Ísis com Elena de pé ao seu lado, que mesmo com sua insistência se negou sentar-se a mesa. Após o jantar, todos se dirigiram aos seus quartos, que ficavam em lados opostos ao quarto de Ísis, exceto Pedro e Enzo, que somente nesse momento a informaram que não moravam no castelo, mas sim em uma casa próxima, assim como Elena e seu pai. Elena acompanhou Ísis ao quarto, que somente nesse momento se permitiu observar o quão grande era, chegando a ser maior que seu antigo apartamento. — Precisa de ajuda para se trocar, Alteza? - Elena pergunta retornando do armário com um vestido simples em suas mãos, que Ísis deduziu ser uma camisola. — Não, posso me vestir sozinha, preciso apenas que pare de me chamar assim, eu não sou princesa… tudo isso não passa uma grande confusão. — Como queira, eu adoraria ser uma princesa - Elena fala, a última parte consigo mesma, sem se dar conta que a princesa podia ouvir. — Por quê? — Por que o quê? - Elena pergunta confusa, só então se dando conta que falara em voz alta, logo cobrindo a boca com as mãos. - Perdão Alteza, jamais quis tomar seu lugar. - Se apressa em dizer, se ajoelhando aos pés de Ísis. – Não me leva a m*l, mas não me parece que alguém como você queira, pessoas te bajulando, como você fez comigo todo esse tempo... – Ísis fala sentando-se na cama, ignorando por completo tanto o pedido de perdão quanto a jovem de joelhos no meio do quarto. — Claro que não, não suportaria isso – Elena responde sorrindo – Seria um pesadelo, não sei como Petra suporta, e olha que ela ainda não se tornou princesa, imagina depois do casamento. - Completa sentando-se no chão e esquecendo completamente a postura, e que na sua frente não estava uma de suas amigas e sim a Imperatriz, afinal apesar de ainda não ter sido coroada oficialmente, era a lei, na ausência de sua mãe ela assumiria. — Então? Por que adoraria se um princesa? - Ísis pergunta tentando manter Elena descontraída. — Não qualquer princesa, gostaria de estar no seu lugar. — Por quê? Para mim, tudo isso, está uma verdadeira confusão, e cá entre nós, pelo que estudei, a vida de uma princesa é muito chata.- Ísis brinca tirando uma linda gargalhada de Elena. — Vossa Alteza não entende a sorte que tens… - Elena ainda sorrindo fala. — Então me explique… porque ainda não vi nada de bom nessa história, sem falar no noivo completamente maluco que me arrumaram… - Ísis comenta, e Elena logo para de sorrir. — Por você… ele é louco por você alteza, essa é a sua sorte. — Como pode ter tanta certeza? - Ísis questiona, afinal chegou ao ponto em que queria, saber mais sobre o General Artur Castro. - Vocês se conhecem a bastante tempo certo? — Sim, crescemos juntos aqui no castelo, é impossível, eu tinha uns 4 anos quando ele chegou. — Você é filha do General Antunes, certo? - Ísis pergunta recebendo um leve aceno como resposta. - E os pais do general? Ainda trabalham aqui? — Não, Artur é um órfão de guerra, chegou aqui aos 10 anos, seus pais foram mortos, mas não conte a ninguém isso. — Como assim? — Todos pensam que Artur é o filho mais novo do Duque de Castro, foi ele que o encontrou e trouxe para o reino. Meu pai me disse uma vez que Artur era tão pequeno, não davam mais de 5 anos a ele, então o Duque decidiu adotá-lo e mentiu a sua esposa que ele tinha apenas 5 anos. — E como ele foi prometido a princesa? De certa forma ele não é um filho legítimo, creio que não seja usual casar uma princesa com um “bastardo” - Ísis fala fazendo aspas com as mãos ao dizer bastando, não é que ela tenha algum preconceito a esse respeito, mas pelo pouco que sabia de história, membros da realeza casavam entre si. — Confesso que isso não sei explicar, mas uma coisa é certa, o general tem olhos somente para Vossa Alteza. — Acho pouco provável, afinal, ele não me conhece, e mesmo que eu seja quem dizem, ele não me vê a mais de 20 anos. Tenho plena convicção que um homem de quase 40 anos não me esperaria esse tempo todo, no mínimo ele já deve ter uma concubina, e não sou do tipo que divide. — Ísis argumenta. — Artur chegou a se casar a alguns anos, mas a senhora Marli morreu muito jovem, dizem que foi uma doença desconhecida, e essa mesma doença não permitiu que ela desse filhos ao general. - Elena responde, se lembrando da ruiva. - Marli Garcia, era uma bela dama, a senhora gostaria dela. — E como eles se conheceram? — Acho que foi na primeira batalha fora do reino de Artur, ele ainda era soldado, mas se destacava devido à força e beleza é claro. Ele tinha indo defender a fronteira e quando voltou, a trouxe com ele. Ninguém sabia nada sobre a jovem ruiva, não preciso dizer que o Duque ficou possesso com ele, afinal ele estava prometido a princesa, era filho do Duque, não podia casar com uma mera camponesa. Quando ela morreu, pouco tempo depois, muito falaram que foi castigo por casar com um homem prometido a outra, ainda mais que ninguém sabe ao certe de que ou quando ela falecera. — Como não sabem quando ela falecera? Creio que não, seja algo simples de esconder. - Ísis questiona confusa. — Artur havia saído em expedição, passou alguns anos fora, quendo voltara, encontrará o corpo dela. - Elena fala com um tom triste. - Não consigo imaginar a dor que ele deve ter sentido, chegar em casa e encontrar sua amada morta, os médicos não conseguiram dizer a causa exata da morte devido à decomposição, nem quando ela havia morrido. Como médica, Ísis ficou bastante curiosa a respeito da morte da esposa de Artur, e justamente por isso percebeu algo parece ter passado batido por todos ali, como o corpo só foi encontrado quando Artur chegou? As pessoas não deram por falta dela? Eles não recebiam visitas? Se ela já estava doente, não deveria ter alguém para cuidar dela, na ausência do marido pelo menos? E principalmente, um corpo em decomposição exala fortes odores, ninguém sentiu? Apesar de todos esses questionamentos em sua mente, Ísis resolveu mundo um pouco o rumo da conversa, afinal duvidava que Elena tivesse as respostas a suas perguntas. — Vocês são próximos? Digo você e Artur, mais cedo me pareceu magoada com a postura dele. — De certa forma sim. - Elena fala pensativa, então por algum motivo muda de assunto. - Quando Vossa Alteza desapareceu ele passou dias sem comer, e se isolou de todos, passou muito tempo se culpando. Aos 15 anos entrou para o exército, afinal precisava ficar forte para proteger sua Imperatriz, por isso todos estranharam quando aos 16 voltou de sua primeira missão casado com uma estranha. - Elena para novamente, volta seu olhar para janela, um olhar distante, como se voltasse no tempo, viajando por memórias, que parecem não agradá-la. – Ele é um bom homem, tem muitos defeitos, mas é um bom homem, passou por muita coisa. Alguns anos depois da morte de Marli conheceu Heitor e Uriah, só então descobriu que Marli era prima de Uriah, e que havia fugido de um casamento arranjando quando a conhecera. Desde então o trio é sempre visto juntos, o que de certa forma surpreendeu a todos, afinal Heitor é um grande Duque, e mesmo Artur não herdando o ducado do pai, também é um nobre, e o fato de ambos tratarem Uriah, um simples camponês, como se fosse um deles, gera admiração. Ísis percebeu a mudança de assunto, mas preferiu não forçar Elena, afinal já havia conseguido mais informações que esperava para um dia. Ambas ficaram ali mais um tempo em silêncio, cada uma perdida em seus pensamentos. Relembrar do casamento de Artur deixou Elena desconfortável, pois as memórias que tinha daquela época não era das melhores. Tinha Artur como seu herói, e quando ele retornou casado, n******e deixar de ficar um pouco decepcionada, não por ele ter de certa forma “traído” a princesa, mas sim porque ele escolhera outra? Por que não podia ser ela? E como uma jovem tola que era o questionou sobre isso, imagina uma jovem de apenas 10 anos ouvindo da boca do seu amado que jamais se casaria com ela porque ela não tinha nada a oferecê-lo, e ao contrário de Marli ainda era honesta. Durante muitos anos Elena se perguntava o que Artur queria dizer com aquilo, apenas depois da morte de Marli, descobrirá que Artur se casará com ela enganado, pensava que aquela bela dama era uma nobre do reino vizinho. Poder, era somente nisso que Artur pensava, e se dar conta de tal fato machucou deveras a jovem dama, e o fato de Artur saber dos seus sentimentos para com ele, e sempre que possível tentar se aproveitar disso a machuca mais a cada dia. — Bom, acho que esta tarde, vou retirar-me e deixa que a princesa descanse. — Elena fala se levantando, a jovem se retira do quarto sem dar a Ísis a chance de impedi-la ou até mesmo se despedir.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR