Capitulo 6

1880 Palavras
Somente depois da saída de Elena que Ísis se deu conta do quão cansada estava, sendo levada a terra dos sonhos logo ao se deitar, um sono profundo, que a muitos anos não tinha. Em seu sonho foi levada a um jardim, onde as flores foram delicadamente organizadas, criando um túnel de flores brancas e roxas criavam, o vento soprava uma brisa leve, balançando levemente seus cabelos. O canto dos pássaros lhe chamava atenção, mas em maio a esse canto ouviu algumas vozes femininas, então, lentamente seguiu pelo túnel querendo saber quem mais estava naquele jardim. Ao fim do túnel havia uma trilha ornamentada com tulipas, lírios-brancos e violetas. As vozes ficaram mais altas, mas agora estava acompanhada pelo som de água corrente, ao fim da trilha havia um grande chafariz em mármore branco, cercado por rosas-amarelas que se entrelaçavam formando a fonte. Ao centro uma escultura lhe chamou a atenção, era uma Harpia brasileira, conhecia as inúmeras histórias a respeito da ave, afinal sempre foi fascinada por ela. Ísis admirava a exuberante escultura quando as vozes soam novamente, desta vez mais perto que imaginara, ali a poucos metros, aos pés da estátua estavam duas mulheres. Uma era alta, seus cabelos ondulados era de um castanho nem tão claro, nem tão escuro, exibiam um brilho capaz de iluminar todo o jardim, sua voz era suave e lhe transmitia uma tranquilidade jamais sentida, era jovem, não deveria passar dos 18 anos. A jovem ao seu lado tinha uma pele tão branca quanto a neve, ela usava vestido longo lilas com discretos detalhes em preto, era a mesma mulher que vira no jardim do castelo mais cedo. Suas vestes destoavam bastante a da outra jovem, que parecia ser da mesma época de Ísis. — Ela deve saber como faço para voltar. - Ísis fala consigo mesmo, contudo não teve tempo de se aproximar, pois logo a imagem a jovem se dissipa no ar como fumaça, ficando apenas a Dama Misteriosa, que fazia uma leve reverência ao lugar onde a jovem estivera. Ao levantar os olhos, Sinis nota a presença de Ísis na saída de um dos túneis a observando, ao notar que fora vista, Ísis sem graça se aproxima da fonte, estava acoada, como uma criança que fora pega fazendo arte. Sinis ajeita sua postura, e assim que Ísis a alcança, a reverência, mas a diferença entre a reverência destinada a Ísis diferiu daquela destina a outra jovem, sendo essa mais discreta, como se ambas fosse da realeza. — Imperatriz Ísis. - Sinis a cumprimenta e logo volta a sua postura ereta. — Quem era aquela jovem? - Ísis pergunta não se dando conta da forma com a qual Sinis se dirigiu a ela. - Que lugar é esse? — Era a jovem Aurora, milady e aqui, ela acaba de nomear esse lugar como “Porthladd Diogel”. — Esse jardim pertence a ela? E para onde ela foi, ela é uma bruxa ou feiticeira? — Foste a jovem Aurora que criaste este lugar. Ela retornou para casa, onde sua presença se faz necessária. - Sinis responde então começa a caminhar pelo jardim, seguida de perto por Ísis. - Quanto a ela ser uma bruxa, não posso afirmar nem que sim, nem que não, mas creio que não deverias se preocupar com ela ainda, afinal tens muitos problemas no reino. — A julgar pelas roupas ela viera da mesma época que eu, então ela sabe como retornar! Moça, preciso falar com ela, preciso voltar para casa! — Já estás em casa majestade e tens muito com o que preocupar e muito a fazer por seu povo, antes de se encontrar com Aurora. - Uma voz masculina soa atrás das mulheres. — O que faz aqui Angel? - Sinis fala sem direcionar seu olhar ao recém-chegado, ao contrário de Ísis, que encara o jovem, se surpreendendo com a aparência do mesmo. A pele extremamente branca, os cabelos em um castanho pouco mais escuro que o de Aurora, os olhos pequenos, quase sumiam devido ao grande sorriso presente em seu rosto, suas roupas consistiam em um moletom, calça jeans e tênis, em sua orelha um pequeno brinco se destacava. — Isso são modos de me tratar Sinis? - Ele fala em tom brincalhão, e somente nesse momento se deu conta que em momento algum a Dama Misteriosa havia se apresentado, na verdade, ela apenas respondeu o que lhe fora perguntado. — Não imaginei que foste aparecer por aqui, afinal até onde sei é um lugar para nos manter seguros, e você não precisa de p******o. - Sinis fala se sentando em um banco próximo e encarando Angel. -Nesse ponto terei que concordar contigo. - Angel responde se sentando na grama de frente para Sinis. - Sente-se Ísis, creio que tenhas algumas perguntas, caso contrário Aurora não teria lhe trazido aqui, muito menos me enviado. — Ela acabou de sair daqui e não me falou nada a respeito. - Sinis comenta meio confusa, mas ao olhar para Angel se recorda de algo. - Claro, o tempo para ela é relativo. — Acho que tenho que me desculpar esse tempo todo conversando com vocês, nem me apresentei ou lhe dei a oportunidade de se apresentar. - Ísis fala sem graça. - Me chamo… - Ísis começa a se apresentar, mas é interrompida por Sinis. — Ísis Duarte, formada em Medicina com especialização em cirurgia cardíaca, trabalha em um hospital no interior de São Paulo no Brasil, possui duas amigas, Sara e Ana. Foste criada em um orfanato, e agora retornou a sua era para assumir como Imperatriz e salvar seu povo. - Ísis fica surpresa com a riqueza de detalhes de sua vida que aquela dama tinha. — Quem é você e como sabe de tudo isso? - Ísis questiona se levantando. — Me chamo Sinis, e esse ser aí é o Angel. - Sinis se apresenta. — Sabemos tudo a seu respeito, porque é importante para nossos amigos, e Aurora se importa com todos, ela fez questão de garantir sua segurança. — Até onde pôde, afinal tem algumas coisas que são necessárias. — Quem é essa Aurora, que tanto falam? Ela parecia bem jovem. — Quem é Aurora? Boa pergunta. - Sinis fala pensativa. — Ela é tudo, o ser mais poderosa que poderá existir. - Angel responde, chamando atenção de ambas mulheres. — “Tanto mais que a maldade é o pão que comem e a violência, o vinho que bebem. Mas a vereda dos justos é como aurora, cujo brilho cresce até o dia pleno. A estrada dos iníquos é tenebrosa: não percebem aquilo em que hão de tropeçar.¹” — Provérbios. - Ísis fala, e Angel acena confirmando. — Mas ela é apenas uma humana, como pode ser o ser mais poderoso? Sempre pensei que você fosse o mais poderoso. — Sou poderoso no quesito habilidades e capacidade, mas Aurora possui um poder diferente, ela pode mudar o mundo, de salvar a todos que nele existem, ela contagia a todos com sua bondade e serenidade, ela representa tudo que há de bom na face da terra, mas também pode representar todas as calamidades que já existiram. — Então a missão dela… - Sinis começa. — É muito maior do que qualquer um pode imaginar. — “É ele quem te livrará do laço do caçador e da peste perniciosa, te cobrirá com suas plumas; sob suas asas encontraras refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de p******o e tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia, nem a peste se propaga nas trevas, nem o m*l que grassa ao meio-dia²” - Ísis fala. - Seria ela um anjo? — Agora entendi o motivo dela ter pedido que deixássemos você em um orfanato de freiras. - Sinis comenta. — E esse jardim onde é? — Não sabemos. - Sinis responde indiferente. — Ninguém sabe, pode nem mesmo existir ou existir apenas em nossa mente; por isso, é um lugar para nos manter seguros. - Completa Angel. - Tudo dependo do objetivo de Aurora. — Então só podemos vir para cá se ela nos chamar? — Não exatamente, você virá sempre que precisar, e lhe será ofertado aquilo que precisa naquele momento. - Sinis completa. — Você disse acreditar que ela era apenas uma humana, e vocês não são humanos? — Angel é um espectro, bom eu, uma semi-deusa, sou filha de Poseidon, mas isso é segredo. - Sinis responde fazendo um sinal de silêncio. — Bom, acho que já conversamos demais, e não falamos sobre o ponto principal. - Angel fala, assumindo uma postura mais séria, o que tirou uma cerca risada de Ísis. — Desculpe, é que você com essa aparência super fofa, fazendo essa expressão séria me da v*****e de aperta essas bochechas. - Então como que para provocar, Angel faz um bico e infla as bochechas, provocando mais risos nas mulheres ali presentes. — Saiba que Aurora adora essa minha aparência, e sempre que tem oportunidade aperta minhas bochechas, arranco risos do restante do g***o, creio que ela faça isso para descontrair o g***o. - Fala recordando de algo. - Mas chega de papo o dia já está amanhecendo, Ísis você precisa tomar cuidado, tem pessoas ao seu lado que estão dispostas a qualquer coisa para obter poder, e muito vão querer te derrubar ou desviá-la de sua missão. — Missão? Que missão? — Com o tempo você descobrirá, mas no momento tem que salvar seu povo, e estabelecer a ordem, somente depois poderá iniciar sua missão. Enfrentará grandes perigos, mas não tema Sinis sempre estará ao seu lado e lhe protegerá, essa é uma das missões dela. Ísis acorda assustada com batidas um tanto quanto violentas em sua porta, ela senta na cama e fala para pessoa que parece lutar pela vida que entre. A porta se abre e quem ela menos esperava entra, Enzo passa pelo porta como um furacão sendo seguido por Pedro, Erik e Laura. — Está tudo bem? - Pergunta Enzo afoito, conferindo de perto se havia algum ferimento em Ísis. — Acho que sim, aconteceu algo? - Ísis responde confusa. — Por um momento não consegui sentir sua presença. - Laura responde, o que fez com que Ísis recordasse do sonho que tivera. — Eu não sair daqui, eu acho. - Ela responde pensativa. — O QUE ACONTECEU? - Elena grita ao entrar no quarto e encontrar Ísis ainda de camisola sentada na cama, e Enzo também sentado na cama com as mãos no rosto de Ísis. - Eu não sei o que está acontecendo aqui, mas se alguém ver isso, a honra da imperatriz será arruinada! - Completa fechando a porta do quarto. Nesse momento Enzo volta a si e rapidamente retira as mãos do rosto de Ísis e se levanta, e meio sem graça, assumindo a postura séria de um marechal, e com uma leve reverência se retira do quarto silenciosamente, seno seguido pelos demais. Sem falar nada Ísis se levanta e vai para o quarto, ela repassa em sua mente tudo que aconteceu em seu sonho, quem seria aquelas pessoas que conversaram com ela. Quando saiu do banho, Elena já havia arrumado a cama e separado o vestido que usaria naquele dia.
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