Pré-visualização gratuita cap 01 onde ele pode me levar
Beatriz
Amar alguém sem conhecê-lo é uma completa loucura.
Apenas por vê-lo de longe, me apaixonei por ele — pelo sorriso, pelo jeito totalmente obscuro e misterioso. Talvez seja coisa da minha cabeça, fruto da minha imaginação.
Mas ele é a primeira pessoa que já amei... e o primeiro a ser um traficante. O mais temido da Maré. GB.
É um amor proibido. Sou filha de pastor — não posso nem me envolver com algo assim. É pecado. Meu pai vive repetindo isso, enchendo minha cabeça.
E eu sei que é errado. Tento me convencer disso todos os dias.
Mas mesmo sabendo que a paixão da minha vida nunca me notou, continuo sentindo. Ele nem sabe quem eu sou, nunca sequer olhou na minha cara.
Se eu pudesse escolher, talvez nem me apaixonasse. Sei que, mesmo se nos conhecêssemos, ele não olharia pra mim. Ele tem muitas outras por perto, mulheres lindas, seguras... e eu?
Sou tímida, m*l arrumada, sempre andando pelo morro com uma Bíblia nas mãos. Que homem se interessaria por alguém assim?
Como disse, sou filha de pastor. Minha família tem uma igreja aqui no Complexo da Maré — uma igreja simples, humilde.
Meu pai herdou o templo, e desde então nossa família serve a Deus.
Eu também tento me entregar totalmente a Ele, porque é o meu suporte, quem guia o meu caminho.
Mas, diferente dos meus pais, eu sou dividida. Não sei se quero seguir totalmente o mesmo caminho. Tenho outras vontades, outros sonhos.
Só que, enquanto eu morar debaixo do teto deles, tenho que ir à igreja, louvar, participar de tudo — mesmo quando meu coração está em outro lugar.
Se eu fizer qualquer coisa que eles considerem pecado, sei que serei castigada. Meu pai não perdoa fácil.
Já aconteceu antes — com a minha irmã mais velha, Rafaela.
Ela nunca gostou da igreja. Não é que não ame a Deus, só não quis seguir o mesmo caminho que eles.
Rafaela se apaixonou por um bandido — o subdono do morro, o Lagarto. Estão juntos há dois anos, e meu pai sente vergonha dela.
Diz que não tem mais filha.
Minha mãe, por outro lado, nunca deixou de amar.
Ela diz que filha é filha, aconteça o que acontecer.
E talvez seja por isso que eu tenha tanto medo.
Meu pai me vê como a filha “certinha”, e eu morro de medo de decepcioná-lo.
Trair a confiança dos meus pais seria o maior dos pecados.
Mas... quando penso em GB, eu não sei do que sou capaz.
Não sei até onde esse amor proibido vai me levar.