GB
Fiz uma carreirinha de cocaína na mesa e consomei tudo. Tava putão — isso aqui me alivia pra c*****o, dá mais vontade de matar ainda, e minha lista tava cheia; tinha um monte precisando encontrar a morte. Ou eu mesmo.
Precisava matar pra desestressar, é o jeito, tá ligado? Ou, se for mulher, alivia mais o sistema e acalma os neurônios que ficam catucando aqui na mente.
Cocei o nariz, baguncei o cabelo, peguei o boné em cima da mesa e enfiei ele na testa. Catei a chave da moto e saí da biqueira.
Bola: Ô. — me chamou; olhei pra ele ajustando minha arma. — Lc tava assaltando um mercadinho na rua da biqueira onze, sabe colé?
GB: Ele cheirou qual droga? Quero também, parceiro. — franzi a testa.
Bola: E, Guto tá dando lição nele lá no forninho, e mandou te chamar pra tu dar um trato nele.
GB: Eu tava afim de matar alguém, não aquele pivete. — balancei a cabeça e saí andando, ele me acompanhou rindo.
Bola: Parece que Guto não vai mudar de ideia, o menó já tá praticamente morto.
GB: O moleque é novo, tá perdidão igual espermatozoide no cu procurando o útero da mulher. — ele sorriu.
Chegamos no forninho e mandei abrirem a porta da cela onde ele tava.
Uma p*****a foi liberada de uma cela e me olhou sorrindo; nem dei confiança. Essas mulheres são como carrapato: gruda e não sai mais, tá ligado? Eu nem dou condição quando vejo que a mina é assim.
Entrei e vi Guto enfiando uma faca no pé do jovem. O cara gritava de dor, até chorou — mó frouxo mesmo.
Lc: Para, caralho... por favor! — implorou, e Guto riu.
Guto: Pensava antes de assaltar um lugar honesto. Tem o quê, moleque? É regra: sem atrapalhar a vida dos moradores que não têm nada a ver com o que a gente faz. Se eu te dou missão, é pra tu fazer; se eu não te dou, fica com o cu quieto.
Lc: Eu vacilei, eu sei p***a! — se exaltou; Guto enfiou a faca mais. — Aí! — gritou de novo.
Guto tirou a faca, deu pra mim. Limpei a lâmina e deixei em cima da mesinha.
Guto: Me diz um motivo pra o GB não te matar, aí a gente conversa. — cruzou os braços.
Me encostei na mesa encarando. O moleque me olhava com a cara toda suja de sangue dos socos que levou; a boca parecia uma poça.
Lc: Sezin me mandou... — disse meio embolado, cuspindo sangue.
Guto: Uhm. — se pendurou na mesa, olhando ele de relance. — E tu obedeceu por quê? Se quem dá ordem aqui sou eu.
Lc: Ele me disse que tu tinha mandado. Eu não exitei; se ele falou que você mandou, eu obedeci! Não fiz mais que minha obrigação: obedecer quem tá mais acima.
Olhei pro Guto, que não parecia convencido — tava puto pra c*****o. Ele queria explodir todo mundo. Quando tem problema com seus vapores ou soldados, ele fica assim: no fim, dá morte. Só que, vendo a situação, eu não tava a fim de matar o muleque.
GB: Buscam o Sezin. Se ele fugiu ou tentar fugir, fazem busca e não voltam sem ele. — encarei Bola.
Ele balançou a cabeça, apontou com o queixo pra porta, e os moleques acompanharam. Sobramos na sala só eu, Guto e Lc. Segurei Guto que já queria terminar com aquilo; eu não ia matar e nem deixar matar sem uma justificativa ideal.