cap 05 não me arrependo

676 Palavras
Rafaela Chutei a perna dele pra ver se saía de cima de mim, mas o desgraçado dormia igual a uma pedra, nem se mexia. Dei um beliscão e ele acabou me empurrando — caí no chão de b***a. Filho da p**a. Levantei sentindo a coxa arder, fui até o banheiro do quarto e vi vários chupões no meu pescoço. Ele é um covarde e um i****a. Tá, eu gosto de umas mordidas e chupadas, mas não precisava sugar meu sangue, né? Qualé, tamo no Crepúsculo agora? Tomei um banho rápido, me enrolei na toalha e fui até o guarda-roupa pegar um short jeans e um cropped amarelo. Voltei pro banheiro, tentei esconder as marcas com corretivo, mas não adiantou muito. Acabei deixando o cabelo solto pra disfarçar. Quando decidi vir morar com o Lagarto, eu sabia que seria pra sempre — sem volta. No tráfico é assim: Assumiu? Se envolveu? É pra sempre. Pode até se separar, mas vai estar sempre ligada a ele, sendo posse dele. Não me arrependo. Amo pra c****e o Fernando, e sei que ele me ama também. Ele não é de falar muito, é o jeito dele, mas tá sempre me ajudando. Nas noites em que tô chorando de saudade dos meus pais, ele tá ali, perto de mim. É difícil ter um traficante assim, carinhoso. No começo, achei que ele fosse o tipo que me bateria toda vez que a gente brigasse, que não me amaria... mas é totalmente o contrário. Posso ter feito uma escolha errada ao trocar minha família por ele? Posso. Mas, por enquanto, tô feliz. Dois anos não são dois dias. Aprendi isso. Se nada deu errado até agora, é porque talvez tenha sido a escolha certa... né? Ou não? Lagarto: Que horas são? — ouvi a voz rouca dele vindo do quarto. Rafa: Uma hora. Lagarto: E tu nem me acorda? c*****o, branca. — ele levantou e pegou o celular jogado no chão. — Olha isso... duzentas mensagens do chefe. Rafa: Acordei agora também, bebê! Eu lá ia saber? — franzi a testa e ajeitei o cropped. Ele me ignorou, balançou a cabeça e entrou no banheiro. Depositou um beijo no meu ombro antes de tirar a roupa e entrar no chuveiro. Essa mania dele de me ignorar é estressante. Não é por mal... é o jeito dele. Mas a vontade de tacar um pedaço de p*u na cabeça dele é grande. Ou chamar um n***o pra meter o p*u no cu seco dele — vai que resolve, né? Lagarto: Tu vai aonde, que tá se arrumando toda aí? — perguntou, se vestindo com as armas na cintura. Rafa: Vou sair com a Katy. A gente vai dar uma passada no campo, os moleques tão jogando. — disse, colocando um brinco de frente pro espelho. Lagarto: Hm. — veio até mim com aquela marra toda. Me agarrou pela cintura, desceu a mão pela minha b***a. Joguei o cabelo pra trás e ele puxou de volta, trazendo meu rosto pro dele. Rocei os lábios nos dele, senti a língua dele encostar na minha... e, na hora, dei só um selinho, deixando ele com gosto de quero mais. Ele me xingou de “galinha atiçadora”, e eu ri. Peguei o celular, encaixei na cintura, e ele segurou minha mão. Descemos as escadas juntos. Dandara, a mulher que vem aqui em casa dar uma geral, já tava na cozinha. Faz comida, limpa... eu não gosto muito da ideia, mas Lagarto quis assim. Rafa: Bom dia, Dara! — sorri. Dara: Boa tarde, né, pilantra! — ela riu. — Bateu o pescoço no corrimão da escada e veio rolando até aqui embaixo, foi? — olhou pras marcas no meu pescoço. Rafa: Pior que foi, mulher. Foi uma queda brusca. — fingi demência, e ela gargalhou. Lagarto: O corrimão gosta de bater aí. — falou, pegando um pedaço de bolo e sorrindo malicioso. Revirei os olhos, ele beijou minha boca, se despediu da Dara e saiu dizendo que voltava pra janta. Me servi e fiquei ali, conversando com ela.
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