Pré-visualização gratuita Conto 1 - Larissa e |Matheus - capítulo 1
Larissa
Faz quatro meses que Matheus me pediu em casamento e o grande dia está chegando. Eu até disse que era melhor esperar o bebê nascer, mas ele não quis, disse que não esperaria tanto, mas minha barriga estava tão grande! Muitos me perguntavam se eu não carregava gêmeos, mas não, graças a Deus, ou eu iria enlouquecer, é apenas um menino.
Isso mesmo, eu e Matheus esperamos um lindo menininho e seu nome já está escolhido, será Breno.
Breno era bastante agitado, se ele fosse metade de toda essa agitação quando nascesse eu viraria um zumbi, mas não poderia estar mais feliz. Matheus não esconde o sorriso a todo momento. Acaricia minha barriga sempre que estamos juntos e conversa com Breno, o que ele diz de ser uma conversa de homem para homem. Reviro os olhos e sorrio me lembrando das suas bobagens.
— O que faz minha mulher sorrir desse jeito? Se for outro homem, arrebento a cara. – Ele fala fingindo uma cara de mau. Rio da sua tentativa frustrada.
— Os homens da minha vida me fazem sorrir desse jeito. – Falo alisando minha enorme barriga e me sentando na cama onde tem dois vestidos esticados, ainda estou indecisa. – Qual dos dois, Matheus? – Pergunto os alisando.
Ele se move para frente da cama e analisa minhas opções.
— O decote do vermelho é muito profundo, vai deixar esses seus s***s deliciosos à mostra.
— Então vai ser esse. – Respondi o pegando e me levantando para vesti-lo.
— Quer me provocar? – Ele fala e eu acho que é sobre o vestido, mas quando olho, o vejo focado em meu corpo coberto apenas por um conjunto de calcinha e sutiã cor de rosa claro.
— t****o. – Falo vestindo o vestido vermelho, e como ele disse, meus s***s ficaram bem evidentes, já que cresceram bastante com a gestação.
— Vamos apenas ver os detalhes finais para o casamento, não precisa ir tão arrumada assim.
— Com ciúmes, meu amor? – Pergunto sorrindo. Não sei ciúmes de quê, quem iria olhar para uma mulher grávida de oito meses?
— É claro que não. – Ele vem em minha direção, mas meu telefone toca e aponto para que ele o pegue para mim.
Aliso o vestido esticando as dobras que tinham se formado e pego o parelho da sua mão. Vejo que é minha tia Alice. Atendo.
— Oi, tia. Que saudade. – Falo realmente sentindo falta dela. Com toda correria do casamento, estava com pouco tempo para visitas.
— Saudades também, querida. Onde está?
— Em casa.
— Sente-se, Larissa.
Vou em direção a cama e me sento sob o olhar atento de Matheus que tenta entender o que está acontecendo.
— Aconteceu alguma coisa, tia?
— Sua mãe ficou sabendo do seu casamento, não sei como, e me ligou avisando que estava chegando.
— Depois de tantos anos sem nem ligar pra saber se estou viva, ela decide vir para meu casamento? – Questiono não entendendo o que ela quer.
Se não fosse por minha tia, minha vida teria sido muito difícil. Ela me apoiou em tudo, pois minha mãe sempre foi uma louca despreocupada. Viajava quando queria sem se preocupar com uma filha pequena. Abandonava um emprego sem saber como colocaria comida na mesa no dia seguinte. Me deixava com minha tia para passar férias e só voltava três meses depois... e coisas do tipo.
Toda irresponsabilidade fez com que eu me aproximasse mais da minha tia, que me apoiou na escolha da faculdade e quando concluí e iria voltar para casa, decidi passar um tempo com ela antes de seguir minha vida, já que minha mãe tinha saído em uma de suas viagens e nem sabia para onde. Mas devo agradecer por isso, pelo menos, pois de outro modo não teria conhecido Matheus, que pode ser quinze anos mais velho que eu, mas não me importo nem um pouco, pois ele é o homem da minha vida.
— O que foi, meu amor? – Matheus pergunta preocupado. Estico a palma da mão para ele, pedindo um tempo. Ele se senta ao meu lado.
Ouço minha tia dizer para não me preocupar, ela só deve estar emocionada com o casamento de sua filha única e eu só torço para que ela não crie confusão. Quando minha tia desliga volto meu olhar para Matheus que ainda está preocupado.
— Minha mãe vai vir no nosso casamento. – Falo sem ânimo algum ou humor.
— E isso não é bom? – Ele segura em minhas mãos e as beija.
— Não sei – bufo. –, sinceramente, não sei.
— Nosso casamento é em menos de uma semana, nada pode estragar nosso dia lindo. – Ele diz sorridente e piscando. Forço um sorriso, pois estou com um pressentimento não muito bom. – As mulheres da organização da festa devem estar arrancando os cabelos, não quero ter que pagar perucas para todas.
Sorrio com seu jeito bobo de ser. Me levanto e pego minha bolsa na cômoda ao lado da cama e vamos ver como estão as coisas do nosso casamento.
Matheus
— Tudo isso? – Pergunto assustado com a nota na minha frente. – Pensei que tivesse pago tudo a essa altura. – A mulher revirou os olhos.
— Senhor, foi o senhor mesmo que pediu que seu casamento fosse único.
Ela disse, mas eu não conseguia desgrudar os olhos do recibo.
— Único, não milionário.
— Deixa de ser pão duro, Matheus. – Rebeca me cutuca.
Quando estávamos descendo, nos encontramos com ela que tinha resolvido fazer uma visita a minha futura esposa e resolveu vir conosco, pois é, foi visitar a minha mulher e não ao seu irmãozinho querido, estou sendo desprezado pela minha própria irmã, e agora estou sendo acusado de pão duro.
— Pão duro? Olha o preço disso. – Estico o papel para ela que para de falar ao observar, mas sorri e fala para me provocar.
— Você pode pagar, irmãozinho, não faça drama.
— Tem ouro nisso? – Perguntei à mulher.
— Alguns detalhes da decoração é banhado a ouro, sim. As flores são importadas, todo o tecido é importado. A escultura de gelo também não é algo barato e tivemos que mudar o salão, pois o que havíamos agendado não havia uma climatização adequada para manter o escultura intacta até o final. O Bufê é o mais requisitado de São Paulo...
— Tudo bem, eu entendi. – Não estava mais assimilando a imensa lista da mulher para justificar o aumento brusco no valor.
Ouvi uma risadinha e quando olhei, vi a traidora da minha futura esposa rindo com as mãos apoiadas na barriga e Rebeca se controlando para não gargalhar. Isso só pode ser armação delas, é pegadinha, olho para os lados, deve ter uma câmera escondida por aqui.
Volto a atenção para a mulher que me olha de um jeito esquisito.
— Vai querer desmarcar tudo, senhor? – Pergunta ela. Acho que entendi o olhar estranho.
— Não, claro que não, ainda quero um casamento único para minha mulher.
— Então esse é o valor final dos detalhes que foram acrescentados após a sua intervenção. – Ela deixa claro que fui eu quem pediu esse absurdo. É verdade que Larissa tinha escolhido um casamento simples em um jardim, e já havia fechado o contrato, mas eu intervi questionando a mulher se havia como alterar o pedido para que meu casamento fosse único. É claro que ela disse que sim, e aí está o motivo da empolgação e da boa vontade.
Aceito tudo, é claro, já que é para minha rainha.
Saímos do lugar e as duas ainda estão rindo.
— Papai mandou avisar que está vindo. – Fala Rebeca ao entrarmos no carro.
— Por que ele não me ligou? – Questiono e ela dá de ombros.
— Não sei. Mandou avisar que chega amanhã.
Seu telefone tocou e ela o atendeu. Ficamos em silêncio durante a ligação, era Marcos ligando para minha irmã que não poderia estar mais apaixonada. Me sentia bem em ver minha irmã feliz em um relacionamento, depois de passar tantos anos em um casamento infeliz.
— Pode me deixar no estúdio, Matheus? – Ela perguntou logo após desligar o aparelho.
— Claro. – Respondi a olhando através do espelho. Ela estava no banco de trás, mas isso não impedia minha irmã e Larissa de conversarem, mesmo minha mulher estando no banco da frente ao meu lado.
As duas tagarelam o restante da viagem até eu deixar minha irmãzinha em frente ao estúdio de dança que ela está iniciando. Depois de toda a reforma, o lugar estava finalmente começando a funcionar e minha irmã não poderia estar mais feliz. Marcos era um cara muito legal, e estava ajudando-a com seu sonho. Além de ele mesmo estar montando uma academia especializada em idosos, interligada ao estúdio de dança de Rebeca.
Ao retornarmos nossa viagem, Larissa volta sua atenção para mim.
— Agora se lembra de mim, não é? Com Rebeca aí, só quer falar com ela. – Implico, mas mantenho meus olhos na estrada.
— Não acredito que está com ciúmes da sua irmã comigo. – Fala balançando a cabeça.
— Eu não estou com ciúme. – Me defendo e ela ri.
O dia passa tranquilamente. Amanhã Larissa tem a última prova do vestido, as pendencias com a organização já foram acertadas hoje. Nossa viagem é uma surpresa, aqui em São Paulo estamos no inverno, e sei que ela gosta de dias quentes, de piscina e mar, por isso vou leva-la ao Caribe. Passagens compradas e pousada reservada, tudo certo.
Com essa tranquilidade, passei uma noite deliciosa ao lado de minha futura esposa, e agora estou no aeroporto à espera de meus pais. Rebeca também veio recebe-los. Deixei minha rainha em casa descansando, ela acordou pela manhã especialmente exausta, os pés inchados e muita sonolência. É claro que fiquei preocupado, mas Rebeca me tranquilizou dizendo ser comum no final da gravidez.
Avisto meus pais se aproximando. Minha mãe tem uma expressão muito jovial e alegre, já meu pai parece bem cansado, mas dá para notar o sorriso alegre quando nos vê à sua espera.
— Meus filhos. – Minha mãe fala abrindo os braços para nós, que nos esprememos em um abraço triplo.
Beijo sua cabeça.
— Como foram de viagem? – Pergunto virando-me na direção de meu pai para abraça-lo.
O circulo com um braço o abraçando meio de lado e dando tapinhas em seu ombro.
— Bom, sua mãe dormiu a noite toda e tomou o café oferecido no avião como se estivesse em casa, mas eu não consigo. – Disse balançando a cabeça.
— Por isso está igual a um zumbi. – Falei e ele franziu a testa.
— Mais respeito, moleque. – Brada.
— Relaxa, velho. – Ele fica com a cara ainda mais amarrada e Rebeca ri ao lado de nossa mãe.
Foi a vez dela cumprimentar nosso pai, e então fomos para meu apartamento.
— Ah, meu filho, não queremos atrapalhar. – Minha mãe começa. – Você e sua noiva estão de casamento marcado, devem estar em um amor só... – Ela sorri e eu não aguento e preciso gargalhar.
— Não atrapalha em nada, mamãe.
— Melhor irmos para o apartamento da Rebeca. – Solucionou ela.
— Ela também está nesse “amor” que a senhora disse aí. E o apartamento dela é menor, é mais fácil de atrapalhar se for para lá.
— Não atrapalha em nada, mamãe, pode ir para meu apartamento se quiser. – Rebeca contesta.
— Iremos para um hotel. – Meu pai intervém.
— Não, senhor. – Protesto. – Vocês não vão ficar em um hotel.
— É claro que não, já arrumei o quarto extra para vocês. – Fala minha mulher, descendo as escadas, ainda mais linda do que me lembrava. Minha mãe vai a seu encontro assim que a vê.
No momento que vou na direção delas, a campainha toca.
“Por que o porteiro não anunciou?” – Penso.
Viro-me de volta para a porta e vejo Rebeca a abrindo. Alice atravessa a porta, por isso não avisaram, ela é de casa. Mas logo atrás vem uma mulher que não conheço. Ela se parece com Alice, mas ao contrário dela que possui os cabelos longos, a mulher tem seus cabelos negros cortados de modo curto e despojado com pontas repicadas, um corte bem moderno.
— Mãe? – Escuto Larissa falar, mas o que me surpreende é meu pai que parece conhecer a mulher.
— Rita!