— Meu Deus, o que fez com ela? — ouvi a voz distante de Rebekah, que mais parecia um sussurro abafado. — De hoje ela não passa.
— Ei, acorda! — Kol ergueu minha cabeça e me fez olhá-los.
Meus olhos se recusavam a ficar abertos e eu não conseguia mais sustentar a cabeça erguida. A voz deles continuava distante mas percebi que o problema era meu ouvido. Já fazia dias que eu estava sem me alimentar, amarrada em uma cadeira com verbena e facas cravadas pelo meu corpo inteiro.
— Ela está bem — Kol disse apontando para mim —, viu? Ótima.
— A Aurora está atrás dela, até enfrentou Klaus achando que foi ele — Rebekah falou, balançando a cabeça negativamente. — Até ele está atrás dela. Se ele descobrir...
— Ele não vai, Rebekah.
A porta foi aberta com um estrondo e ela voou pelo ar, revelando Klaus e ele ficou paralisado ao me ver, claramente perplexo.
— Mary? — Chamou, com os olhos arregalados.
Kol olhou para Rebekah com ódio e ela disse um "desculpa" sem emitir som.
Klaus correu até mim e arrancou as cordas do meu corpo e me segurou quando eu caí por falta de forças.
— Não me toque — falei baixo, com dificuldade e com os olhos fechados.
— Eu vou cuidar de você agora, está tudo bem. — Ele tirou os cabelos do meu rosto.
— Eu odeio vocês — respondi, agora com os olhos abertos, olhando em seus olhos. — Eu odeio você.
Klaus apenas me encarou e ouvi sua respiração descompassada, com um olhar decepcionado eu diria, se não o conhecesse bem.
Lucien entrou correndo pela porta e se ajoelhou ao lado de Klaus no chão. Ele me pegou no colo e empurrou Klaus de lado, que permaneceu ainda nos encarando.
— Tudo bem, eu vou te proteger. — Lucien passou os dedos pelo meu rosto e beijou minha boca com cuidado.
— Me tira daqui — abracei ele e enterrei meu rosto em seu peito.
Lucien me levou em velocidade de vampiro para a casa da Aurora e me deitou em sua cama.
— Mary! — James correu até mim e algumas lágrimas se formarem em seus olhos. — Me desculpe, eu não cuidei de você como deveria.
— Não é sua culpa, James. — Coloquei a mão em seu rosto, limpando suas lágrimas.
— Pode nos dar um momento a sós? — James olhou para Lucien e ele saiu. — Precisa se alimentar. — Cortou seu pulso e colocou em frente ao meu rosto.
— Não posso. — Afastei o pulso dele, resistindo ao ímpeto de provar do sangue.
— Você é minha irmã, eu faço tudo por você. Apenas beba, por favor. — Deixou as gotas de sangue cair em minha boca.
Agarrei o pulso dele e me alimentei até sentir minhas forças se recuperando, e parei quando ele ficou fraco.
Batidas na porta fizeram James se assustar e esconder o pulso sangrando. Ele se levantou e abriu a porta e pude ver Aurora pedindo para entrar.
— Oi. — Ela sentou ao meu lado com o cenho franzido. — Quer alguma coisa?
Balançei a cabeça negativamente, fechando os olhos.
— Eu preparei a banheira para você — ela continuou. — Precisa tirar essas roupas e dormir um pouco.
— Tá bom — concordei e me apoiei nela para levantar.
— Vou cuidar dela — Aurora disse a James, me levando até seu quarto sem esperar a resposta.
Ela me levou até o banheiro e abriu o zíper emperrado do meu vestido e me ajudou a entrar na água. Senti o choque térmico do meu corpo frio em contato com a água quente e finalmente consegui relaxar.
Aurora sentou no chão do banheiro e escovou meus cabelos enquanto eu estava de olhos fechados.
— Não se preocupe — ela falou, próxima ao meu ouvido. — Eu vou fazer o Kol pagar por isso. Ele não vai te machucar mais.
— E a Esther e o Mikael? — Perguntei, virando um pouco minha cabeça para vê-la com o canto do olho.
— Eles estão presos em qualquer que seja o esconderijo super secreto do Kai — ela respondeu ironicamente, então suspirou. — Eu só não entendo por que eles têm tanto ódio de você.
— Eu também queria entender, não existe nenhum motivo aparente. Eu nunca fiz nada para eles.
— Acho que é porque você conseguiu do Klaus o que eles nunca tiveram.
— O quê? Ter meu coração arrancado por ele?
— Não, acho que ele já arrancou o coração do Mikael alguma vez.
— Então eu e eles estamos no mesmo barco.
— O Klaus amou você — ela disse sem esperar resposta, então soltou meus cabelos e colocou a mão sobre meus ombros.
— Duvido que o Klaus consiga amar qualquer outra pessoa que não seja ele mesmo.
— Também é novidade pra mim. — Ela soltou uma risada.
Aurora se levantou e pegou uma toalha em cima da cama, abrindo ela para que eu pudesse me enrolar.
— Por que você é tão boa para mim, Aurora? — Questionei, me sentando na cama de frente para ela.
— Sei que poucas pessoas demonstraram bondade por você no decorrer da vida, e desde que eu tirei você daquele caixão percebi que não é tão h******l quanto as histórias contavam.
— Tem histórias sobre mim?
— Como não teria? A garota que amou demais e teve muito mais do que seu coração partido.
— É triste. — Dei um meio sorriso desanimado, fitando o chão. — Eu fui patética por amar quem não era capaz de receber amor e dar amor. As pessoas devem sentir pena de mim.
— Eu não acho. Eu acho você corajosa por isso. Eu nunca seria capaz de amar alguém dessa forma.
— É triste perceber que nossos corações viraram pedras.
— É melhor que ser traída. — Aurora endireitou os ombros, animada. — O que fazemos agora?
— Não posso mais esperar, eu quero ter a minha vingança o quanto antes. Vou começar com o Kol, depois do Klaus ele é quem eu mais odeio. Quero que o Klaus veja um por um de seus irmãos morrerem antes de morrer.
— Tudo bem. Começamos amanhã mesmo então.
— Antes eu preciso ter um conversa com o Kai e combinar o plano com a Esther.
— O que tem em mente?
— Bom, como é óbvio nós duas ficaremos com o Klaus, o triunfo de m***r ele vai ser nosso e eu até deixo o Mikael ajudar um pouco para poder morrer satisfeito. O Kol eu também quero ter o prazer de m***r, então amanhã vamos dividir a estaca de carvalho branco pra cada um deles e com a ajuda do Marcel e do Kai matamos ele.
— Não falei mais com o Kai desde quando ele trouxe a Esther e o Mikael, não sei se ele conseguiu a estaca.
— Se ele não conseguiu vai conseguir amanhã de um jeito ou de outro.
— Acredito que o Elijah será um problema, você sabe como ele quer proteger a família. — Ela revirou os olhos.
— A vez dele está chegando também, além disso ele não vai poder estar em dois lugares ao mesmo tempo.
— Nossa, você já pensou em tudo mesmo.
— Eu nunca pensei em outra coisa além disso.
Batidas na porta interromperam nossa conversa e quando eu dei permissão, Lucien entrou com uma expressão preocupada.
— Estava demorando — disse Aurora fazendo cara f**a, se levantando.
— Disse alguma coisa, Aurora? — Lucien perguntou a ela, com a mesma cara.
— Ah, não, nada. Só que você é como uma mancha de vinho em um tapete caríssimo. — Ela o encarou, desafiando ele, então saiu do quarto sem dizer mais nada.
— Ela está insuportável esses últimos dias — Lucien contou, sentando ao meu lado.
Ele colocou o braço sobre meus ombros e deitei minha cabeça em seu peito, fechando meus olhos por alguns segundos.
— Como você está? — Perguntou, passando uma mão em meu cabelo.
— Cansada. — Suspirei.
— Eu só vim ver como estava, vou te deixar descansar agora. — Ele se levantou após beijar minha testa.
— Fica — pedi, segurando a mão dele.
Lucien parou e me olhou, então sorriu sem mostrar os dentes e deitou ao meu lado na cama.