Elena levantou com um sobressalto e não foram as conversas animadas sobre a descoberta de uma nova carma Brasileira que a acordaram, o abrigo estava envolto em uma trilha de sussurros sobre uma garota chamada Sara e a entrevista bombástica que a mãe dela deu no jornal das 20H.
Puxou o tecido, como se a camada extra de suor pudesse protegê-la de ser capturada pela OIL também.
A coberta comunitária pinicava sua pele sensível, mas Elena Drummond sabia que estavam limpas, pois o cheiro convidativo do amaciante pairava no dormitório, como um perfume que tentava mascarar a essência de desespero que transpirava de todos os moribundos. Elena não se arrependia nem um pouco das doações generosas que as Empresas Drumond fizeram para este abrigo. Ao menos algo bom brotava do antro de podridão que seu pai e alguns dos acionistas criaram. Respirou fundo, tentando se concentrar.
Estava inquieta; o suor frio adornava seus membros, seu corpo estava se preparando para um confronto inevitável.
"É apenas um sonho, Lena. O que eles podem fazer?" disse a si mesma, tentando reunir coragem, ela prometeu que enfrentaria os monstros nos seus sonhos, era mais fácil dizer do que fazer.
Não havia como seu companheiro saber que ela era procurada pela OIL, certo? Com certeza eram sonhos bobos sem ligação nenhuma com a realidade. Quando aqueles olhos vermelhos a encontrassem novamente, ela os enfrentaria. Afinal, ela era Elena Drummond e sua família não era facilmente intimidada, ou assim ela esperava.
fechando os olhos, Lena dormiu novamente.
O problema dos sonhos é que, frequentemente, você não sabe como exatamente chegou lá. Ela estava, como sempre, em uma cabana rústica. A lareira jazia escura e pela falta de cinzas parecia que há muito não cumpria seu papel de aquecer o ambiente. Uma vela, quase completamente derretida, plantada sobre a lareira, deixando um vestígio de luz que se apagava lentamente. Quando os lupus perturbavam seu sono era nesse exato lugar que seus pesadelos começavam, nunca prestou atenção à cabana antes, estava focada demais em correr desesperadamente pela floresta.
Mas hoje ela ficaria e enfrentaria as bestas.
Era só não dar informações sobre sua localização, a dark web afirmou que companheiros só tinham acesso à psique depois do acasalamento.
Ela não tinha mais o que temer.
Só um sonho bobo com seu companheiro Lycan que não sabe de nada sobre seu cartaz de procurada, nada demais Lena.
Elena inspirou fundo, estufou o peito e cerrou a mandíbula.
Alguém deveria morar nesse lugar. O chão de madeira, velho, mas limpo, tinha um aspecto envelhecido. A cama estava bagunçada, os lençois brancos emaranhados aos pés da cama e o travesseiro marcado, como se alguém tivesse acabado de levantar. Um robe vermelho, com tiras finas, estava colocado no espaldar da cama. Elena ergueu suas mãos e percebeu que estava usando um vestido fino, da mesma cor do robe. O tecido tinha mangas longas que chegavam até seus pulsos. Será que ela estava... correndo da própria casa todo esse tempo?
Um rugido que atravessou as paredes fez seu coração disparar, e, num impulso, deu dois passos rápidos em direção à porta, pronta para fugir mais uma vez.
Acalme-se, é apenas um sonho e******o!
Tentou se convencer.
Mordeu a bochecha, fechou as mãos em punhos cerrados e foi até a cama, vestindo o robe, dando um laço mais forte do que o necessário e sentou-se, cobrindo seu corpo com a coberta alva. Mas isso não amenizou em nada a tremedeira que tomou conta de seus membros.
Esse lugar a deixava inquieta. Como alguém poderia morar aqui? O cenário gritava:
filme de terror, perigo!
Uma coisa interessante era que a cabana parecia velha, mas havia candelabros de prata pendurados nas paredes. E, se não estivesse tão nervosa, poderia jurar que a cabeceira da cama tinha detalhes em ouro. Sem contar na seda que estava usando—isso remetia à roupa de cama de nobres, igual às imagens nos livros de história.
As tábuas da entrada rangeram, anunciando os "convidados". Elena obrigou seus olhos a permanecerem bem arregalados encarando a porta de entrada, que estava entreaberta.
Não se deu ao trabalho de fechá-la; aquelas bestas poderiam derrubar árvores com suas caudas, logo uma porta seria como esmagar um inseto.
— O-la? — chamou Elena Drummond, com a voz trêmula.
A porta se abriu lentamente, cada milímetro passando diante de seus olhos em câmera lenta. Um grande focinho apareceu, e ela agarrou a coberta com força. Seu espírito, coitado, tinha subido aos céus e voltado tantas vezes que ela já estava ficando tonta. O lobo fungou fundo, inspirando os aromas da cabana antes de entrar. Sim, desta vez, ela não fugiria feito a covarde que era. Ela ficou. Elena enfrentaria de frente.
O monstro peludo usou a cabeça para terminar de escancarar a pobre porta. Seu focinho bateu na parede e, agora, ela o viu com mais clareza.
— p**a merda! — exclamou, sem palavras melhores para expressar seus sentimentos.
O animal era colossal e precisou abaixar a cabeça para entrar na cabana. Seus olhos amendoados a procuravam, e eles se agarraram a ela em um jogo de encarar. O que seria uma sobrancelha em humanos se ergueu, e sua cara tombou para o lado, o movimento fazendo brilhar todos os pelos negros que cobriam seu corpo. Lena engoliu em seco, esperando que se ela permanecesse parada como uma estátua, as bestas não a notariam.
Nada para ver aqui, certamente estou invisível.
Ela não aguentou e soltou a respiração com um bufar alto demais.
O que raios essas bestas queriam?
O outro lobo entrou logo em seguida, empurrando o outro no bumbum para poder passar. Esse era branco, tão branco que iluminava o ambiente. Os dois dominaram o quarto; agora, mesmo que ela quisesse fugir, não poderia. O jeito era continuar arruinando o lençol com suas mãos e batendo a mandíbula em desespero.
O lobo branco moveu sua face em direção à porta, parecia estar chamando ela para fora? O brilho ansioso em seus olhos arrepiou partes de seu corpo que ela tinha vergonha de admitir.
Não, obrigada. Nem a p*u que eu movo um músculo dessa cama.