O cheiro de café fresco se espalhava pela cozinha enquanto Yara se movia com naturalidade pelo espaço descalça, camiseta larga dele, o cabelo preso de qualquer jeito. Ela abriu o armário sem perguntar, pegou as xícaras certas, mediu o pó no automático, como se aquele não fosse apenas o apartamento de Harry, mas deles. Harry estava encostado na bancada, braços cruzados, só observando. Não era a cena em si que o prendia era o quanto aquilo já parecia rotina. O silêncio confortável. A i********e sem esforço. O fato de ele conseguir imaginá-la ali todos os dias, reclamando da cafeteira, roubando a caneca dele, deixando bilhetes na geladeira. Ele sentiu o pensamento se assentar com um peso calmo: Eu quero mais disso. Não um pouco. Tudo. Yara se virou com as xícaras nas mãos. — Açúcar? —

