- Não quero que se preocupe papai – Aisha pediu ao pai antes de se despedir.
- Filha .. devia ter ouvido seu pai e nunca ter feito essa prova – Frank estava apavorado e infeliz – Tem que ter muito cuidado, não brinque com bruxos, você não sabe do que eles são capazes. Finja que esta os vigiando, mas não diga nada do que ver. Os elfos não vão machuca-la se não tiver informações pra eles, mas os bruxos não pensarão duas vezes em te fazer m*l se desconfiarem de você. Por favor filha, sei que na maioria das vezes, não me ouve, acha que sou apenas um velho caipira e talvez eu seja, mas não existe ninguém nesse mundo que te ame mais do que eu. Faça o que estou lhe pedindo. Prometa.
- Confie em mim, tudo isso logo vai acabar, eu prometo – Aisha olhou para o capitão Bélim que parecia impaciente – Não conte nada a mamãe e as meninas, deixe que pensem que estou na capital, em breve estarei de volta e pedirei transferência pra cá – Aisha abraçou fortemente o pai antes de deixá-lo. Desta vez seu coração bateu angustiado.
O general Bélim lhe entregou um pacote.
- Seu uniforme – Ele a encarou – Terá que viajar com os bruxos, o secretario a levara até a caravana deles.
- Sim senhor – Aisha concordou desanimada.
- Estarei com os elfos logo atrás de vocês. Não precisa ter medo. Kyle, um estudante fada, encontrara você todas as semanas no bar do Bigode, no primeiro dia da semana e no quinto dia. Ele será nosso mensageiro. Para a sua segurança, não precisara ter contato com nenhum elfo.
- Certo – Aisha ficou mais calma, ao pensar que não precisaria ter que manter contato direto com elfos, morando com bruxos.
– E a minha vaga de estudo? No futuro quero trabalhar no departamento de justiça.
- Assim que terminar sua missão, poderá retornar ao seu curso e o tempo que gastar nessa missão, será atribuída como um adicional a sua carreira – Ele ergueu ainda mais a cabeça – Muitos dariam tudo por uma oportunidade como essa. Seja útil e não faça tolices. – Ele falou como falava com seus soldados antes de uma missão.
Aisha apenas anuiu com a cabeça em concordância.
- Pegue – Ele entregou a ela um pequeno pacote. Aisha o abriu relutante e deixou que caísse em suas mãos um cordão com uma pedra roxa escura, quase preta. A joia era exótica e rústica, com um metal escuro envolto da pedra, no formato de uma mão segurando um coração.
- O que é isso? É assustador! – Ela pegou a joia como se fosse algo amaldiçoado.
- Isso é um amuleto mágico, depois da guerra de luz e escuridão, muitas armas, amuletos e joias, cajados, objetos mágicos foram aprisionados no cofre real para que os bruxos não tivessem mais acesso a elas- Ele explicou com atenção – Esse amuleto, eu mesmo tirei do pescoço de uma curandeira.
- Por que tenho que levar isso? – Aisha não gostou muito da ideia.
- Tunnel é um colégio muito disputado, a maior parte dos alunos são filhos de bruxos renomados ou de bruxos que possuem dons especiais. Você não possui nem uma coisa, nem outra. Os amuletos mágicos são coisas muito cobiçadas entre os bruxos, quando apresentá-lo, certamente será aceita.
- E se alguém me tomar? – Ela ficou preocupada.
- Toda joia ou amuleto mágico possui um encantamento, não podendo ser tomada a força ou sob feitiço, pois isso anularia todo o poder da joia, por tanto, esse amuleto só pertencerá a alguém se você o entregar por livre e espontânea vontade, ou se você o tirar do pescoço e o deixar longe do seu corpo por muito tempo, pois se a joia ficar sem o calor de um corpo, ela perde a afinidade com o dono, pertencendo assim a quem a pegar.
- Como sabe de tudo isso, sendo um elfo?
- Porque foram elfos que forjaram as joias mágicas que hoje existem.
- Quanto tempo longe do corpo ela perde a afinidade?
- Não tenho certeza, o certo é não a tirar do pescoço.
- Ainda sim é muito arriscado.
- Sim é – O general concordou – Mas não temos muitas opções – Admitiu – Já enviei todos os seus documentos para Tunnel, não precisara mentir em relação a nada. Responda tudo que te poder com a verdade, evite mentir ao máximo, pois se alguém desconfiar que está mentindo, poderão optar por usar algum tipo de porção ou feitiço – Ele suspirou – A única mentira que irá contar, será a de que recebeu esse amuleto de sua mãe. Se eles te perguntarem se sua mãe é uma bruxa, negue, diga apenas que ela recebeu esse amuleto de sua avó e que o mesmo sempre esteve sobre o poder de sua família. Isso será suficiente para que permaneça la por pelo menos um mês. Quando eles perceberem que você não tem o dom, certamente eles te mandarão embora. Isso já é esperado, mas quanto mais tempo conseguir ficar la, mais tempo teremos para vigiá-los de perto.
- Certo – Aisha ficou mais tranquila.
- Agora, vou te fazer uma pergunta – Bélim a encarou intrigado - Por que só agora você resolveu procurar a escola? Se sua mãe não é bruxa? – Ele a encarou sem suavizar o semblante sério – Vamos ver se conseguiria ser convincente.
Aisha suspirou, apesar de não considerar uma virtude, ela sabia usar a língua com bastante habilidade para inventar histórias, pois era a forma mais fácil de conseguir enganar os pais para alcançar seus interesses.
- O medalhão pertence a bruxos, por isso acredito ser uma bruxa, embora meus pais não concordem.
O general a encarou com um olhar sombrio, a facilidade com que a garota inventara a história e a leveza de sua língua em pronuncia-la o incomodou tanto quanto o satisfez.
- Espero que não use sua habilidade para coisas erradas – Ele disse em um tom de ameaça.
- Posso ficar em Marah e estudar com os comuns – Ela sugeriu irritada com o comportamento do general.
- Cumpra seu dever e logo estará de volta.
- Está certo – Aisha concordou se retirando para trocar de roupas e seguir com o secretário.