Curto demais

806 Palavras
Dias depois sofia ta pronta pra sair e Gabriel percebeu antes mesmo dela sair do quarto. Era sempre assim. Um silêncio estranho. Um barulho de salto no corredor. E aquela sensação r**m subindo pelo peito. Quando Sofia apareceu na sala, o mundo dele travou. O vestido era curto demais. Justo demais. Mostrava as pernas, marcava o corpo, deixava claro demais que ela já não era mais a menina que ele insistia em enxergar. Os olhos dele escureceram na hora. — Vai trocar isso — disse seco, sem levantar a voz. Sofia revirou os olhos, girando na frente do espelho como provocação. — Ai, para, Gabriel. Tô linda nesse vestido. Ela sorriu, daquele jeito despreocupado que sempre o desarmava… e o tirava do controle ao mesmo tempo. Ele deu dois passos na direção dela, mandíbula travada. — Sofia, se você se abaixar, todo mundo vai ver sua calcinha — a voz saiu mais dura. — Vai trocar isso agora. Ela cruzou os braços, irritada. — Aii, Gabriel, p***a… você é chato, sabia? As palavras bateram nele como um gatilho. Não era só o vestido. Era a ideia de outros homens olhando. Desejando. Imaginando. Ele fechou a mão com força, os nós dos dedos ficando brancos. — Eu não tô falando por falar — rosnou. — Lá fora ninguém respeita. E eu não vou permitir que fiquem te olhando desse jeito. — Você não permite nada! — ela respondeu, já revoltada. — Eu não sou sua propriedade! O silêncio pesou. Gabriel virou o rosto por um segundo, respirando fundo, lutando contra o impulso de gritar… ou de mandar alguém sumir só por pensar nela errado. — Troca a roupa — repetiu, mais baixo, perigoso. — Não me faz perder a paciência. Sofia o encarou, os olhos brilhando de raiva e algo mais que ela não queria admitir. — Você manda em tudo nesse morro… menos em mim — disse, passando por ele com o ombro erguido. Mas mesmo assim… foi. Ela entrou no quarto batendo a porta, xingando baixo, arrancando o vestido com força. — i****a… controlador… — murmurou, pegando outra roupa. Do lado de fora, Gabriel ficou parado, os olhos fixos na porta fechada, o peito subindo e descendo rápido demais. Aquilo já não era cuidado. Não era proteção. Não era papel de irmão. Era ciúme. Cru. Violento. Incontrolável. E o pior de tudo? Ele sabia. Ela estava terminando de se arrumar quando ele apareceu encostado no batente da porta. Braços cruzados. Olhar fechado. Presença dominante. — Vai aonde? — perguntou, seco. Sofia terminou de passar o gloss com calma, como se não estivesse sentindo o peso dele ali. — Vou sair com as meninas. — pegou a bolsa. — Vou chegar tarde, hein. Ele estreitou os olhos. — Sofia… Ela suspirou, já impaciente. — Ai, Gabriel… eu vou beber um pouco, curtir uma festa. Relaxa, tá? Aquilo foi o suficiente pra deixá-lo alerta. — Você tá fumando, não, né? A pergunta saiu rápida, dura, quase uma acusação. Ela virou pra ele na hora, séria. — Não, Gabriel. Eu sei que você sempre fala pra mim não fazer isso. — respirou fundo. — E eu também não gosto, tá? Só bebo mesmo. Relaxa. Ele observou cada detalhe do rosto dela, como se estivesse procurando alguma mentira escondida. — Se acontecer alguma coisa… — ele começou. — Eu te ligo — ela cortou. — E você manda algum dos seus homens me buscar, tá bom? Ela falou simples. Natural. Como se aquilo fosse normal. E talvez fosse. Sofia se aproximou, na ponta dos pés, e deu um beijo rápido no rosto dele. Um gesto inocente… mas que fez tudo dentro dele travar. O cheiro dela ficou. O calor ficou. O toque ficou. — Se cuida — ele murmurou, quase sem voz. Ela sorriu. — Sempre me cuido. E saiu. A porta se fechou atrás dela, deixando o silêncio pesado demais. Gabriel ficou parado por alguns segundos, o maxilar travado, o peito apertado. Aquela sensação de perda momentânea sempre vinha quando ela saía sozinha. Como se o mundo lá fora fosse um território inimigo. Ele pegou o celular. — Fica de olho — disse ao telefone, a voz baixa e ameaçadora. — Quero saber quem chega perto dela. Qualquer coisa… me liga na hora. Do outro lado, um “pode deixar” rápido. Ele caminhou até a janela e ficou observando até vê-la desaparecer na esquina, o vestido balançando, o cabelo cacheado solto, livre demais para um mundo tão sujo. — Você não faz ideia do perigo que é — murmurou. — Nem do perigo que você me causa. E naquela noite, enquanto Sofia acreditava que só ia curtir mais uma festa… Gabriel já sentia que algo estava prestes a sair do controle. Porque quando o ciúme vira vigilância… o amor proibido já deixou de ser apenas um erro.
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