Dias depois sofia ta pronta pra sair e
Gabriel percebeu antes mesmo dela sair do quarto.
Era sempre assim.
Um silêncio estranho.
Um barulho de salto no corredor.
E aquela sensação r**m subindo pelo peito.
Quando Sofia apareceu na sala, o mundo dele travou.
O vestido era curto demais. Justo demais. Mostrava as pernas, marcava o corpo, deixava claro demais que ela já não era mais a menina que ele insistia em enxergar.
Os olhos dele escureceram na hora.
— Vai trocar isso — disse seco, sem levantar a voz.
Sofia revirou os olhos, girando na frente do espelho como provocação.
— Ai, para, Gabriel. Tô linda nesse vestido.
Ela sorriu, daquele jeito despreocupado que sempre o desarmava… e o tirava do controle ao mesmo tempo.
Ele deu dois passos na direção dela, mandíbula travada.
— Sofia, se você se abaixar, todo mundo vai ver sua calcinha — a voz saiu mais dura. — Vai trocar isso agora.
Ela cruzou os braços, irritada.
— Aii, Gabriel, p***a… você é chato, sabia?
As palavras bateram nele como um gatilho.
Não era só o vestido.
Era a ideia de outros homens olhando.
Desejando.
Imaginando.
Ele fechou a mão com força, os nós dos dedos ficando brancos.
— Eu não tô falando por falar — rosnou. — Lá fora ninguém respeita. E eu não vou permitir que fiquem te olhando desse jeito.
— Você não permite nada! — ela respondeu, já revoltada. — Eu não sou sua propriedade!
O silêncio pesou.
Gabriel virou o rosto por um segundo, respirando fundo, lutando contra o impulso de gritar… ou de mandar alguém sumir só por pensar nela errado.
— Troca a roupa — repetiu, mais baixo, perigoso. — Não me faz perder a paciência.
Sofia o encarou, os olhos brilhando de raiva e algo mais que ela não queria admitir.
— Você manda em tudo nesse morro… menos em mim — disse, passando por ele com o ombro erguido.
Mas mesmo assim… foi.
Ela entrou no quarto batendo a porta, xingando baixo, arrancando o vestido com força.
— i****a… controlador… — murmurou, pegando outra roupa.
Do lado de fora, Gabriel ficou parado, os olhos fixos na porta fechada, o peito subindo e descendo rápido demais.
Aquilo já não era cuidado.
Não era proteção.
Não era papel de irmão.
Era ciúme.
Cru.
Violento.
Incontrolável.
E o pior de tudo?
Ele sabia.
Ela estava terminando de se arrumar quando ele apareceu encostado no batente da porta.
Braços cruzados.
Olhar fechado.
Presença dominante.
— Vai aonde? — perguntou, seco.
Sofia terminou de passar o gloss com calma, como se não estivesse sentindo o peso dele ali.
— Vou sair com as meninas. — pegou a bolsa. — Vou chegar tarde, hein.
Ele estreitou os olhos.
— Sofia…
Ela suspirou, já impaciente.
— Ai, Gabriel… eu vou beber um pouco, curtir uma festa. Relaxa, tá?
Aquilo foi o suficiente pra deixá-lo alerta.
— Você tá fumando, não, né?
A pergunta saiu rápida, dura, quase uma acusação.
Ela virou pra ele na hora, séria.
— Não, Gabriel. Eu sei que você sempre fala pra mim não fazer isso. — respirou fundo. — E eu também não gosto, tá? Só bebo mesmo. Relaxa.
Ele observou cada detalhe do rosto dela, como se estivesse procurando alguma mentira escondida.
— Se acontecer alguma coisa… — ele começou.
— Eu te ligo — ela cortou. — E você manda algum dos seus homens me buscar, tá bom?
Ela falou simples. Natural. Como se aquilo fosse normal.
E talvez fosse.
Sofia se aproximou, na ponta dos pés, e deu um beijo rápido no rosto dele. Um gesto inocente… mas que fez tudo dentro dele travar.
O cheiro dela ficou.
O calor ficou.
O toque ficou.
— Se cuida — ele murmurou, quase sem voz.
Ela sorriu.
— Sempre me cuido.
E saiu.
A porta se fechou atrás dela, deixando o silêncio pesado demais.
Gabriel ficou parado por alguns segundos, o maxilar travado, o peito apertado. Aquela sensação de perda momentânea sempre vinha quando ela saía sozinha. Como se o mundo lá fora fosse um território inimigo.
Ele pegou o celular.
— Fica de olho — disse ao telefone, a voz baixa e ameaçadora. — Quero saber quem chega perto dela. Qualquer coisa… me liga na hora.
Do outro lado, um “pode deixar” rápido.
Ele caminhou até a janela e ficou observando até vê-la desaparecer na esquina, o vestido balançando, o cabelo cacheado solto, livre demais para um mundo tão sujo.
— Você não faz ideia do perigo que é — murmurou. — Nem do perigo que você me causa.
E naquela noite, enquanto Sofia acreditava que só ia curtir mais uma festa…
Gabriel já sentia que algo estava prestes a sair do controle.
Porque quando o ciúme vira vigilância…
o amor proibido já deixou de ser apenas um erro.