CAPÍTULO 4 -- ELE ME CHAMOU DE QUE????

907 Palavras
POV ALICINHA Tudo que passava pela minha cabeça era que eu iria morrer ali, ser estuprad@ e depois desovada em alguma vala no Rio de Janeiro. Era um destino terrível e eu já podia ver o sorriso de satisfação de Cristina, minha madrasta, e de Ágata. Pensando por esse lado, eu tinha mais ódio de morrer e dar esse gostinho para aquelas duas cacatuas do agreste do que de fato medo de algo. Aqueles projetos de marginais tupiniquins haviam confiscado minha bolsa, é claro. Do contrário eu já teria ligado para qualquer pessoa, para a polícia, sei lá. Eu calculei milhões de alternativas para tentar pegar minha bolsa, mas em nenhuma delas eu teria tempo suficiente para pegar e discar um número, nem o de emergência. Então o que eu faria? Bem, se de todo modo eu estaria fadada a morte, talvez eu devesse me arriscar e ter uma chance de sair viva daquela. Sim, eu iria tentar abrir a porta da van e pular em alta velocidade. Os bandidos da suvaqueira estavam distraídos vendo vídeos no tik tok. Via-se de cara que se não fosse as arm@s que carregavam, que facilmente eu conseguiria driblá-los, não passavam de duas amebas com uma ervilha no local do cérebro. Eles estavam assistindo vídeos da… Galinha Pintadinha?????? Dois bandidos vendo vídeos para crianças menores de três anos de idade??? Era O fim mesmo, logo eu, aspirante a advogada sendo sequestrada por dois criminosos kids. Eu fechei os olhos, senti meu estômago revirar e um calafrio, até finalmente saltar do meu lugar e abrir a porta. Eu nem tive tempo de reconsiderar, pois o motorista fez uma curva fechada e meu corpo foi arremessado para fora. Acho que vi minha vida passar bem diante dos meus olhos. Primeiro o impacto do meu corpo todo caindo por cima do braço direito e uma dor aguda me fazer gritar. Depois fui rolando devido a alta velocidade, até finalmente parar numa espécie de meio fio. Eu sentia cada costela doer. As mão haviam esfolado nas palmas, e eu estava envolta de poeira. Após tossir, eu ergui a cabeça e notei que a van dava uma ré violeta, a fim de me capturar. Dor?? Senti nenhuma depois que me coloquei de pé e entrei em uma viela, correndo o máximo que pude. Eu corria, olhava para trás. Alguns moradores ao perceberem a movimentação até saíram de suas casas minúsculas quase germinadas. Haviam vielas onde só cabia praticamente meu quadril (que não era tão largo assim). Eu notei que mancava, o tornozelo direito não estava bem, nem o braço. Deve ter lesionado na queda. A vantagem de ser uma comunidade repleta de casas e vielas, é que parecia um labirinto. Foi fácil despistar aqueles dois fãs de galinha pintadinha. Assim que eu me senti segura e longe daqueles dois, parei para tomar fôlego, encostando em uma parede de uma casa. Estava de olhos fechados, toda machucada, sentindo uma dor articular de novo, vendo meu tornozelo inchado. Acabada, devastada. Aquelas duas cacatuas do agreste deviam ter jogado alguma macumba em mim, só podia. Mas meu santo é mais forte e eu fugi, graças a Deus. Agora era só encontrar o caminho de casa de novo. Certo??? Não, errado. A urucubaca das cacatuas era forte, deus me free.. – Paradinha aí. Quero saber porque tu tá correndo aqui na minha favela??? Se você se mexer eu vou estourar sua cabeça, Sininho. Abre os olhos. Um cara alto, forte, cheio de tatuagens até o pescoço, apontava uma arm@ em minha direção. Ele me chamou de Sininho? Como a do Peter Pan???? – Eu, eu… Eu fui sequestrad@. Estava apenas tentando escapar. – Eu disse, já desabando em lágrimas. O estranho não pareceu se comover. Ele continuou com o revolv.er bem apontado pra mim. Não vacilou. Devia ser outro bandidinho também, mas com algum neurônio a mais que os outros dois. – Entra no carro – Disse ele apertando uma chave. Vi um carro de luxo piscar as luzes após dois bipes. – Não, eu não vou. Eu morro, cara, mas eu não entro na merd@ do carro de ninguém.-- Falei já exausta. Eu morreria, mas não cederia a nenhum marginal. – Corajosa. Mas entra no carro, ou eu não vou te matar, Sininho. Eu vou fazer uma coisa bem pio… – Ah, não? Vai o que? Cortar meus dedos um a um e depois jogar sal com vinagre??? - Eu bati palmas – Tenho duas palavras pra você: para… béns. Foi a mesma coisa que os outros dois marginaizinhos kids fãs de galinha pintadinha me disseram… Qual foi? Você segue o mesmo roteiro? Vão cantar ‘a galinha pintadinha… e o g**o carijó”????!... Ah, me deixa em paz e atira logo. Alias, corta meus dedos… Eu falei sem parar quase um minuto, como um desabafo. O tal cara se aproximou de mim. Ele parecia mil vezes maior de perto. Eu sou alta, mas aquele bandid0 era gigante. Achei que ele fosse quebrar meu dedos ou fazer algo do tipo, mas não. Ele me pegou pela cintura e me jogou nos ombros, como se eu fosse um saco de batatas com poucas batatas, pois eu parecia leve demais para ele. – Se você falasse menos, Sininho, acho que não se meteria em confusão. – Falou ele me pondo dentro do carro. O grandalhão, desta vez, travou as portas elétricas. Nada de uma nova fuga. Quem era aquele cara????????
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