CAPÍTULO 5 -- COM QUEM ME PAREÇO?

1005 Palavras
POV ALICINHA Ele me colocou no banco do carona e passou o cinto por mim como se eu fosse uma criança do jardim de infância. – Quem é você? - Eu perguntei enquanto tentava abrir a porta a todo custo. Me jogaria de um carro em movimento de novo, se fosse preciso. Mas aquele brutamontes não disse nada. Apenas continuou dirigindo por vielas que eu acreditava que aquele carro nunca conseguiria passar. – Se não me falar quem você é, eu vou gritar. Então seus olhos escuros feito uma noite sombria, me fitaram. – Sou a sua sorte – respondeu ele com sua voz grave. – Ah, temos o mestre dos magos aqui. Sorte boa ou ruimm? Por que minha sorte não vai nada bem. Eu fui sequestrad@ duas vezes só hoje e ainda torci meu pé. - Talvez o problema não seja a sua sorte, moça. Seja você. Caraca, aquilo foi difícil de ouvir. – Não sabe nada sobre mim, cara. E vai ser preso quando meu pai vir atrás de você. – Posso não saber muito sobre você, mas já lidei com malucas do tipo. E não, algo me diz que seu pai não está nem aí pra você. – Pois está muito enganado, viu? Ele logo vai mandar um monte de gente aqui nessa favela e vai te prender. De novo aquele cara riu, sem me olhar. Passou a língua pelos lábios e falou finalmente: – Já são mais de uma hora da manhã. A essa altura, uma patricinha como você, se realmente fosse importante para o pai, já faria essa favela aqui estar lotada de viaturas fazendo buscas. Sempre batem aqui primeiro quando uma do seu tipo some de lá do asfalto. Não, não. Eu sei que você tá perdidinha, moça. Pior que aquele bandidinho de quinta estava certo. Não que meu pai não fosse fazer nada para me procurar, mas certamente Christina e Ágata fariam a cabeça dele para atrasar ao máximo a procura por mim. Eu estava mesmo perdida, perdidinha, como aquele estranho disse. – Que saco de vida ! – Falei voltando a chorar. Era o que me restava. O estranho não disse nada. Apenas continuou dirigindo, as mãos firmes no volante. Frio, como um bandid0 deveria ser. Chegamos finalmente a uma casa no meio da comunidade, uma casa bem diferente das demais. Era um sobrado, bem feito até por ser na favela. Sequei minhas lágrimas e então disse: – Olha, querido, as coisas não precisam terminar assim, certo? Por favor, não faça nada comigo. A verdade é que nesse dia eu ia me entregar de vez para o Samuel, meu recém ex-namorado. Achei que estava na hora e talvez tenha sido por isso que Samuel tenha me traído, porque eu estava esperando um tempo para finalmente ter minha primeira vez. Mas eu também não esperava perder minha virgindade com um bandid0 estranho. Não era justo. – Me chama de Killer. Pra tu é Killer. Agora desce do carro. Eu saí e fiquei parada em frente ao portão. Ele se aproximou de mim e ficou me olhando de cima, por ser alto. Eu caminhei para trás, encurralada. - Por favor, não faça nada, por favor. De novo esse tal Killer não me disse uma palavra sequer. Digitou uma senha em uma fechadura eletrônica (eu nem sabia que no morro tinha disso ) e entramos por um corredor que deu para um quintal grande e lá no fundo havia uma única casa com a luz acesa. Era meu fim mesmo. – Eu juro, eu posso cozinhar, lavar, passar. Eu pareço uma estátua, sou fria e nada atraente. Tenho uma cicatriz de apendicite que ficou horrorosa e não me depilo há sete dias, juro pra você E não tomo banho há mais de doze horas. Juro que não desperto interesse em ninguém, juro mesmo, moço… Sim, era um blefe, eu nem sabia como fazer essas coisas de casa e havia tomado banho ha menos de tres horas. Bem, mas era tudo no que eu conseguia pensar. Nada desse Killer reagir. Apenas continuava me levantando em direção a casa puxando meu punho. - Olha, eu sou… eu sou virgem, sério, cara, não faça nada comigo. Eu te imploro. Ao pensar nisso, eu chorei copiosamente. Eu sei que é brega e tudo mais, mas tinha o sonho de me entregar ao homem que eu amasse e acreditei de verdade que seria o Samuel. Mas não foi. Era um pesadelo. – Escuta, Sininho. Eu nunca ia forç@r você a fazer nada. Agora para de chorar. Ao dizer isso, a luz da varanda se acendeu. Ouvi barulho de porta se abrindo e vi uma senhorinha que tinha uma aparência de evangélica surgir na porta. Ao vê-la, tão inofensiva, eu senti meu corpo todo relaxar. O Killer aproximou-se da porta. – Bença, mãe. Ela olhou pra ele e depois pra mim. – Deus te abençoe, meu filho. Quem é essa moça? Sua namorada??? Ele olhou pra mim com certa ansiedade que eu ainda não tinha visto, meus olhos vermelhos. – Não, mãe. Não é. Eu a encontrei perdida na comunidade. Aí a senhorinha, mãe desse cara, me olhou de novo e ficou pasma: – Ela parece muito com a… Os dois se olharam. Eu parecia com quem? – Sim, mãe, ela parece sim. E acho que se machucou. a encontrei no meio da favela. Será que pode cuidar dela essa noite? - Claro, meu filho. Claro. Mas é que você sempre leva essas moças para sua casa. – Mãe, lá não é um bom lugar pra garotas do tipo dela. E tem isso também, dela ser parecida com você sabe quem. Ia chamar muita atenção. O olhar daquela senhorinha me deixou mais calma, apesar de eu querer entender sobre de quem falavam, que se parecia comigo. Contudo, uma coisa de cada vez: eu só precisava respirar aliviada após saber que ele não faria nda demais comigo. – Tudo bem. Eu vou cuidar da moça. – Obrigado, mãe. Cedinho eu volto pra ver como ela tá.
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