CAPITULO 6

1200 Palavras
CAPÍTULO 6 – ELA É PARECIDA COM A MINHA EX. – Chefe, a gente precisa trocá uma ideia. – Disse Sardinha entrando na minha sala. Atrás dele vinha Chaveiro. – Com licença. – Completou. Eu olhei para os dois ali, incompetentes, parados em minha frente. Se essa menina fosse uma policial, a gente tava perdido. Eles dois juntos dos outros não foram capazes de conter uma garota daquele porte. Do que eu estava me rodeando. – Vem cá, Sardinha – falei chamando ele até a poltrona onde eu estava sentado. – Chefe, eu… Assim que ele se aproximou, eu saquei minha arm@ e dei dois tiros no rosto dele. Voo sangue pra todo canto, restos de cérebro espatifado na mobília. Olhei para o espelho da cristaleira ao lado, e meu rosto estava todo salpicado de um vermelho vivo que começou a escorrer. O corpo sem vida do Sardinha caiu no chão, fazendo uma poça nojenta de sangue ao redor. Eu me ergui, coloquei a arm@ na mesinha de centro. – Por favor, não me mate. – pediu chaveiro. Eu sorri. – Estende a mão, chaveiro. – Chefe, eu posso explicar, a garota é maluca… Ela pulou da vã – Disse ele chorando. Mais parecia uma garotinha e não um homem. Aquilo me irritava. Talvez, se ele não chorasse feito uma menina, eu o tivesse poupado do castigo. – Estende a porr@ da mão, c*****o. VAMOS!!! Assim que Chaveiro fez o que ordenei, apanhei a arma e disparei contra sua mão, que ficou instantaneamente deformada. Ele gritou de dor, se jogando no chão, berrando feito um bebê e******o. Então fui até ele e me agachei ao lado. – Isso não foi só pela garota. – sussurrei – A próxima vez que me roubarem e você não me disser, Chaveiro, eu explodo seus miolos. – Mas chefe, eu não sabia de nada. – Eu sei que não. – Então porque atirou? – Atirei só pra você já saber que não deve esquecer. Agora levanta e limpa essa sujeira. Amanhã de manhã quero tudo limpo. Sardinha estava roubando dinheiro que vinha com o tráfico. Ele não me entregava tudo, se achava esperto. Há dias que eu estava rastreando isso. Até que soube das quantias gigantescas que ele guardava. Se eu continuasse dando confiança, Sardinha logo juntaria gente pra tomar o morro de mim e isso eu não ia admitir. Sou The Killer, além de traficante3, um assassino frio. Vidas importam pra mim até me desonrarem. – Como ela tá, mãe? – perguntei por telefone, já deitado na minha cama. – Está no banho, meu filho. Ela chora o tempo todo. – Eu sei, mãe. Eu sei. Ainda tô pensando no que fazer. – Você acha que pode ser ela? – Impossível. Karina morreu naquele tiroteio, eu vi. – Elas são idênticas, meu filho. Idênticas. – Sim, elas são. Mas tenho certeza de que não são a mesma pessoa. - Será que a Karina tinha uma irmã gêmea??? – Talvez. Isso não é impossível, mãe. – O nome dessa moça é Alice, ela me disse agora. – disse minha mãe. Eu a chamarei de sininho e sei lá porquê. Não me lembro de ter perguntado o nome. – Entendi. Amanhã de manhã vou aí. Tô mandando dois caras ficarem aí na porta pra ela não fugir. – Menino, você toma juízo. Eu tô orando por você. Até pedi pro pastor colocar seu nome na caixinha de oração. – Ora sim, mãe. Obrigado. Bença e fica com Deus. – Deus te abençoe. Karina, de quem minha mãe falou, foi uma ex -namorada minha, que vacilou feio comigo antes de morrer. Eu era apaixonado por ela, mas soube que a piranh@ tramou pelas minhas costas com o meu maior rival do Comando do Norte, o Machadinho. Iam tomar meu morro, mas no dia não deu certo e na troca de tir0s ela acabou sendo baleada. Sangrando nos meus braços ela confessou. Eu a teria matado se ela já estivesse morta. Mas pouco importava, eu já estava morto por dentro. O problema é que agora essa garota surge, igualzinha a Karina. Alice, o nome dela. Bonita. E por que merd@ eu dei o apelido a ela de Sininho?? Eu chamava Karina assim, e talvez eu fosse apaixonado ainda por aquela desgraçad@. POV ALICINHA Meu mundo desabava bem diante dos meus olhos. Eu estava completamente perdida. A única coisa que talvez tivesse sido positiva nisso tudo, foi o fato da dona Dulce, mãe desse cara escroto, me acolher aqui na casa dela, – Eu preparei um prato de comida pra você, menina. – disse ela entrando no quarto. Era uma casa ampla, bem equipada e com conforto. Nada do que eu imaginava em um morro. – Obrigada. – Obrigada não, você precisa se alimentar. Está magra. Ela nem me conhecia e tinha esse tipo de preocupação. Não lembro a última vez que meu pai reparou em mim ou me perguntou se eu andava comendo certinho. – Estou sem fome, dona Dulce. Mas agradeço a gentileza. – Moça, não se de onde o cẽ veio, mas aqui a gente não aceita desfeita, ainda mais uma moça magra feito o cê. Vem, tá na mesa. Fiz frango com quiabo e um arroz soltinho. Vem. Ela me puxou pelo braço e eu não tive como dizer não. Era muito acolhedor o gesto dela. E a comida realmente estava boa. Mesmo sem fome, eu comi tudo e pediria mais, se não achasse que seria deselegante. – Eu amei isso. Nunca tinha comido nada parecido antes. – Frango com quiabo? – Sim, nunca. – eu disse. – Ah, menina. Então não tá comendo coisa com sustância. Anda magrinha desse jeito por causa disso. Mas vem cá, tu é lá do asfalto, né? Tem cara de moça rica. Eu ri levemente pela maneira com que ela disse isso. Eu tinha ciência de que era de uma classe mais elevada nesse grande mundo chamado Rio de Janeiro, mas ouvir isso de maneira clara e de uma moradora da comunidade soava diferente. – Não sei se sou rica, mas acho que tive privilégios. – respondi. – Hum, sei sei. E o que a moça tava fazendo perdida aqui, pelo amor de Deus. – Dois caras me trouxeram pra cá. Eu estava andando por Ipanema e fui sequestrad@. Até conseguir fugir da van que me trouxe pra cá, mas em seguida o… – eu engoli em seco – bem, o seu filho me pegou. Ai eu tô aqui com a senhora. Ela tambeḿ pareceu ter um desconforto. Acho que não aprovava as atitudes do filho. – Bem, amanhã será um novo dia. Vou pedir pro Abel deixar você ir. Agora não seria seguro. – O nome do seu filho é Abel? – Sim, minha filha. Mas agora vamos dormir. Amanhã é um novo dia. Porém, antes que pudéssemos terminar de arrumar a mesa, ouvi uns pipocos agudos. Eu era do asfalto, como eles bem diziam, mas sabia reconhecer aquilo: um tiroteio. Dentro da comunidade. O telefone da dona Dulce tocou e ela atendeu em viva voz. Era o filho: - Mãe, tô passando aí. Os corvos invadiram a favela. Tá complicado. Não abra a porta pra ninguém.
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