POV ALICINHA
– Ah, porr@, é você, seu filho da put@. Tá brincando se acha que a gente vai te deixar sair vivo daqui hoje, The Killer.
Ele riu, eu senti o hálito quente do The Killer na minha nuca.
– É? E vão matar junto uma patricinha da Zona Sul? – riu ele – Uma coisa é matar bandido aqui na comunidade, outra bem diferente é uma riquinha. Vai pegar m@l.
– Então se entrega que a gente te leva pra delegacia.
– Ah, cara, acha que eu sou o****o?
POV THE KILLER.
Apesar de ser uma ideia para me livrar de tudo aquilo, lá no fundo eu sabia que o certo, de verdade, seria meter uma bala na cabeça da Sininho. Vê-la ali, desenvolta diante dos policiais, despertou em mim milhares de gatilhos, memórias relacionadas a Cibele. Se eu tivesse sido esperto com Cibele desde o começo, eu teria evitado quase perder a minha cabeça (o que – acreditem vocês – foi por pouco que não ocorreu).
Agora, a história parecia se repetir novamente. Com a diferença de que haviam Corvos na sala da minha casa querendo minha cabeça literalmente.
– Solta moça, porr@ – disse o chefe dos corvos.
– Nada disso. Eu vou cair fora. E se tentarem algo, eu explodo os miolos dela, – falei sem sequer vacila.
E devo ter transmitido tanta verdade que a Sininho tremeu, pois acho que ela entendeu que eu teria coragem de fazer o que eu disse que faria. Lá no fundo nada disso ocorreria de fato e acho que era o que mais me incomodava. Eu me senti fraco ao me dar conta de que talvez eu perdesse mesmo a minha cabeça por conta de uma garota que eu nem sequer conhecia, afinal de contas, jamais teria coragem de atirar na Sininho.
– Merda@. – falou o capitão.
– Valeu, seus otários. Vejo vocês algum dia no inferno.
Ao dizer isso, eu fui me afastando, ainda mantendo a Sininho bem presa ao meu corpo ao mesmo tempo em que deixava o cano da arma pressionado na têmpora dela.
Fui para o corredor e chutei a porta que se abriu atrás da gente. Eu sabia que não teria muito tempo, que aqueles corvos viriam atrás de mim, não seria fácil.
Assim que soltei a sininho, eu fiquei com a maldita de uma pena. Ela recuperava o fôlego e massageava a região do pescoço onde apertei com meu braço.
– Você está bem?
– Acho que sim – me falou. – só meu pé que ainda dói muito.
Eu queria confortá-la, mas não havia tempo. Empurrei um armário e ao lado havia um botão.
– Que isso, uma porta falsa?? – perguntou ela.
– Sim, uma passagem secreta,
Nesse instante ouvi uma pancada forte na porta.
– A gente vai entrar, seu mer@. E vamo torrá sua cabeça. – falou o policial
Olhei para a Sininho e ela parecia apavorada.
Fiz sinal de silêncio para ela e apertei o botão. Com um ranger de dobradiça enferrujada, abriu-se uma porta.
– vamos, vamos. Vem – eu disse.
Ela hesitou por alguns segundos. Que grande i****a eu sou., pesnei. É claro que não fazia sentido para ela ir comigo. O bandid0 era eu e não ela. Sininho só teria vantagens em ir embora, ser resgatada.
– Certo, foi bom te conhecer, Sininho. – eu disse enquanto entrava na passagem secreta.
Eu a vi me olhando e senti uma dor terrível em meu peito, como se de novo estivesse perdendo Cibele. Era péssimo.
A porta finalmente se fechou e tudo ficou escuro.
Adeus, Sininho.
POV ALICINHA.
Eu simplesmente travei. Não consegui me mover.
Tudo ficou surdo ao meu redor quando os policiais finalmente entraram no quarto. A essa altura o The Killer já devia estar bem longe dali. Os soldados tentaram arrombar a porta falsa, mas foi inútil. Seja lá do que fosse feita, eu acho que não dava para arrombar.
Ao entenderem que eu era uma mulher sequestrada ali dentro, as piadinhas pararam. Um policial me deu um casco e eu me cobri. Em seguida fui levada para a delegacia e após prestar depoimento fui liberada para casa. Desta vez, por ser uma força maior, meu pai apareceu junto da minha madrasta na porta da delegacia 9o delegado precisou praticamente ameaçá-lo).
– Essa garota só nos traz problemas. – disse minha madrasta assim que saímos da delegacia.
Mas minha mente estava vaga, Eu só conseguia olhar para o morro com várias luzinhas acesas piscando e imaginar que aquela noite foi a coisa mais maluca na minha vida e que talvez mudasse meus dias para sempre.
Mas de uma coisa eu estava certa: nunca mais veria The Killer.
E esperava que ele estivesse bem.
UM ANO DEPOIS…