As luzes douradas do ateliê refletiam nos espelhos altos, multiplicando os vestidos espalhados pelo salão. Camadas e mais camadas de tecidos volumosos, rendas pesadas e brilhos exagerados me envolviam como uma fortaleza opressiva. Eu estava sentada no pequeno tablado de provas, cercada por tule e seda bordada, enquanto minha mãe e minha futura sogra debatiam acaloradamente sobre qual modelo era digno de um casamento como o meu.
— Esse tem presença! — minha mãe exclamou, apontando para um vestido com uma saia tão ampla que poderia engolir metade da sala.
— Mas esse aqui tem mais sofisticação! — a sogra rebateu, puxando outro modelo ainda mais exagerado, coberto de bordados brilhantes.
Eu respirei fundo, minhas mãos apertando o tecido do vestido que estava usando. Pesado, volumoso, sufocante. Assim como tudo naquele casamento. Como toda a minha vida.
Uma das vendedoras, percebendo meu desconforto, hesitou antes de trazer algo diferente. Era um vestido de seda branca, sem pedrarias ou bordados, fluído e delicado, deslizando como água entre seus dedos. Meus olhos se fixaram nele imediatamente.
A seda branca escorria entre os dedos da vendedora como um rio calmo, fluído e delicado, em um contraste gritante com as camadas pesadas de tecidos adornados que se empilhavam ao meu redor. Enquanto minha mãe e minha sogra se perdiam em vestidos bordados com pedrarias e metros de tule, meus olhos foram atraídos para aquele modelo simples, clássico.
Ele não exigia atenção, não clamava por ostentação. Apenas existia, refinado e puro.
— Eu gostaria de provar esse. — Minha voz soou baixa, mas convicta.
As duas pararam imediatamente, os olhares impiedosos recaindo sobre mim.
— Esse é muito simples, Elena. — Minha mãe foi a primeira a falar, franzindo a testa.
— Sim, querida, um casamento como o seu exige algo grandioso, que imponha respeito. — Minha sogra acrescentou, acenando para que as vendedoras trouxessem mais opções.
Suspirei e fechei os olhos, desejando que qualquer coisa me tirasse daquela situação.
E então, como se os deuses da máfia tivessem ouvido meu pedido silencioso, as portas do ateliê se abriram com um baque surdo.
Dois soldados entraram primeiro, escaneando o ambiente como sombras, e então Luca surgiu. Sua presença absorveu o espaço de forma imediata e inevitável, os ombros largos, a postura imponente, os olhos escuros que carregavam o peso de um mundo ao qual eu pertencia agora.
Minha sogra se levantou em um instante, o rosto rígido.
— Luca, não deveria estar aqui! Isso traz má sorte!
Ele riu, um som curto e afiado.
— Não existe azar maior do que se casar com um criminoso. — Deu um passo adiante, os olhos passeando pelo ateliê. — Além disso, este lugar pertence à família. Eu vou onde quiser.
Minha mãe entrelaçou os dedos, o tom calculado.
— E como exatamente você sabia que estávamos aqui?
Luca a olhou sem pressa, um fantasma de sorriso nos lábios.
— Eu sei tudo o que acontece no meu domínio.
Ele avançou pela sala até me encontrar cercada pela montanha de tecido brilhante, parando à entrada da sala de espelhos. Seu olhar deslizou sobre mim e então arqueou uma sobrancelha analisando daquela montanha de tecido e brilho em que fui enfiada.
Eu dei de ombros, impotente, e sem querer meus olhos caíram sobre o vestido de seda que a vendedora ainda segurava.
Luca acompanhou meu olhar e, sem hesitar, ordenou:
— Prove esse.
O ar ficou suspenso por um instante, como se todos ali estivessem aguardando uma contestação que nunca veio. Obedeci. Segui para o provador, a vendedora me ajudando a deslizar dentro do vestido. O toque da seda contra minha pele foi um alívio, como se, pela primeira vez naquela manhã, eu pudesse respirar.
Quando voltei para o pedestal no centro da sala, senti os olhos de Luca sobre mim antes mesmo de erguer a cabeça. Seu olhar queimava, percorrendo as curvas do vestido, o decote elegante nas costas, a f***a sutil na coxa.
Luca se levantou, sem desviar os olhos de mim.
— É esse.
— É muito simples. — A voz de sua mãe cortou o momento como uma lâmina.
— Acredito que Elena também tenha preferências neste casamento. Ela é a matriarca, sua vontade é que deve prevalecer. — ele se virou para mim. — Não é mesmo.
Minha respiração ficou presa por um segundo. Assenti e sorri, sem me dar conta de que fazia isso.
— Isso, esse está perfeito, é exatamente o que eu quero.
Um brilho de orgulho passou pelos olhos dele e ali entendi o que Luca desejava de mim.
— Perfeito, vamos levar esse. — ordenou a vendedora.
Por um momento, tive vontade de abraçá-lo, de me deixar levar pelo alívio inexplicável que me preenchia. Mas me contive.
Apenas sorri, e naquele instante, isso foi suficiente.