Victor (Alguns dias depois...)
Acordo sentindo o cheiro de whisky e charuto.
Encaro o teto espelhado e vejo duas mulheres deitadas junto a mim.
Uma loira e uma morena.
Me sento na cama coçando os meus olhos.
Minha cabeça está latejando, a bebedeira de ontem a noite não me fez bem.
Observo aquele quarto de hotel e me pergunto como eu fui para ali?
A última coisa que me lembro é de sair do clube acompanhado por duas prostitutas, muito bem acompanhado por sinal.
São as mulheres mais bonitas do clube, as mais gostosas pra ser sincero.
São o tipo de mulher ideal pra mim.
Sem cobranças, sem sentimentos e sem sofrimento.
Desde eu vi minha mulher e minha filha morrerem em minha frente eu me tornei uma pessoa fria, não aceito sentir qualquer sentimento por ninguém que eu possa perder, é inaceitável pra mim amar novamente.
Eu era um homem diferente, eu descobri um lado em mim que nem eu conhecia, um lado sombrio, um lado dominador que eu jamais sonhei que tinha guardado dentro de mim.
Eu não fazia noção do quanto esse mundo é interessante e instigante, não fazia noção do quanto isso pode nos aprisionar, nos fascinar, é um mundo louco, diferente e sedutor.
Estar no controle e ter tudo sobre o seu controle é maravilhoso, saber que tudo vai ficar do jeitinho que você quer é tudo pra mim.
Eu jamais voltaria a ser quem eu fui antes novamente, jamais!
Levanto da cama pegando minha roupa que está espalhada pelo chão e me visto.
Deixo o dinheiro combinado sobre o pequeno criado e o dinheiro do táxi.
Saio do quarto indo direto para o meu carro, não quero correr o risco de uma das duas acordarem e vierem encher minha cabeça com qualquer baboseira.
Fui até o meu apartamento e deu tempo apenas de tomar um banho e me trocar, não iria pra empresa fedendo bebida, cigarro e p**a.
Me arrumei em menos de meia hora e diriji para a empresa e quando cheguei o expediente já tinha começado, mas como eu sou o chefe eu faço o meu horário.
Fui direto para minha sala e fechei as cortinas, não suporto a luz do sol batendo em meu rosto.
Comecei o meu trabalhando analisando um novo processo, caso simples, um divórcio.
Batidas na porta tiraram minha atenção.
Levantei a cabeça encarando a porta, Laura está parada me encarando.
Levanto uma sobrancelha.
- sim?!- digo a encarando.
Ela entra fechando a porta atrás de si.
- eu vim trazer um processo que uma dos novos advogados estão analisando...- ela diz me entregando uma pasta.
Abro a mesma encarando o papel.
É um caso simples, vara familiar.
Leio todo o caso e suas anotações são impecáveis, cada descrição do caso e cada detalhe que ela da.
Desvio o olhar da papelada encarando Laura.
- ele é novo aqui?- pergunto.
Ela da um sorriso fraco.
- ela, ela é nova, começou com alguns dos que foram contratados...- ela diz.
Me ajeito na cadeira e volto a encara aquelas anotações.
- tem futuro, sua descrição do caso é perfeita!- digo.
Laura da um sorriso largo.
- é pelo visto ela é boa, posso mantê-la no caso?- ela pergunta.
Afirmo com a cabeça.
- sim, mas quero conhece-la primeiro!- digo.
Ela franze a testa e levanta uma sobrancelha.
- pra quê? Você já sabe que é boa!- ela diz.
Dou os ombros.
- porque eu sou o chefe e decido o que eu quero ou não fazer!- digo e olho em seus olhos.
Ela abraça sua pasta e da um sorriso fraco.
- sim senhor, mandarei que ela compareça em sua sala!- ela diz.
Desvio meu olhar do dela e volto a encara meu computador.
- agora pode ir...- digo apontando para a porta.
Apenas ouvi seus passos e o barulho da porta batendo.
Voltei a encarar o computador voltando prestar atenção em meu trabalho.
Perdi algumas horas ali, não sei quanto tempo exato, só me dei conta que estava preso a muito tempo dentro daquela sala quando ouvi batidas na porta.
Levantei a cabeça e encarei o relógio.
Já passa do meio dia.
Dou um suspiro e me estico relaxando os meu corpo.
- pode entrar...!- digo bocejando.
A porta da sala se abriu e uma mulher entrou.
Cerrei os olhos a encarando.
Meus olhos se ligaram com minha mente no mesmo instante, jamais me esqueceria, a garota do elevador.
Hoje ela parece estar mais calma do que da última vez que a vi.
Esta com uma calça jeans justa ao corpo, blusa colada, um terninho e tem seus cabelos presos em um r**o de cavalo.
Ela parece estar relaxada, mas mantém seu corpo tenso e sua expressão fechada.
Dou um sorriso de lado com aquilo.
- pode entrar, quero trocar uma palavra com você...- digo.
Ela acena com a cabeça e entra fechado a porta atrás de si e caminha que minha mesa.
- sim senhor?!- ela diz parando em minha frente.
Dou um sorriso fraco.
Se eu fosse ela não me trataria dessa forma, isso só me deixa mais instigado.
Eu não resisto mulheres submissas e obedientes, principalmente.
Dominar uma mulher na cama é o que eu faço de melhor, elas nunca reclamam.
- senhor?- sua voz afasta meus pensamentos.
Balanço a cabeça, me arrumo na cadeira e a encaro ficando sério.
- pode se sentar, por favor!- digo apontando para a cadeira a minha frente.
Ela da um sorriso fraco e senta.
Sua postura é clara, ela está nervosa.
Suas mãos juntas, seus dedos nervosos e sua cabeça baixa denúncia tudo.
Não sei o que ela tem, mas algo parece íntimida-la a todo momento.
- eu fiz algo de errado?- ela pergunta, sua voz e calma, suave e contida a todo momento.
Parece ser uma pessoa bastante equilibrada.
- eu só queria te parabenizar, estava lendo suas anotações sobre o caso que te deram para trabalho e sua análise foi incrível, nunca vi nada assim de alguém sem experiência...- digo.
Ela me encara com um sorriso fraco nos lábios, sua expressão é de surpresa.
- fico feliz em ouvir isso, estava totalmente insegura quanto ao meu trabalho...- ela diz brincando com os próprios dedos.
- não fique, realmente você nasceu pra isso!- digo.
Sua expressão é de incredulidade, parece que ela não acredita nas minhas palavras, ou então em si mesmo.
- o caso está com você!- digo.
Ela levantou a cabeça e me encarou com os olhos arregalados, abriu sua boca em um "o" e o seu rosto paralisou.
Ela mexia a boca, mas não conseguia falar.
A encarei sério, ela realmente não acredita em si mesmo.
- está tudo bem?- pergunto a encarando.
Ela balança a cabeça e levanta se virando.
Sua expressão está paralisada, sem reação.
Me levanto também.
Ela se virou pra mim e me encarou com os olhos brilhando.
- você tem certeza? Eu não sou capaz de tal ato...- ela diz baixo, juntando as mãos.
Balanço a cabeça.
- se eu estou confiando o nome da minha empresa a você é porque tenho certeza!- digo olhando em seus olhos.
Me mantive sério, não quero que ela confunda as coisas.
Adoraria tê-la como uma de minhas garotas, mas não vou confundir f**a com trabalho.
- senhor, eu não vou conseguir...- ela diz com a voz falha.
A encaro sério, já sem paciência para o seu drama.
- é o seguinte, participarei de alguns julgamentos nas próximas semanas justamente sobre esse assunto e você me acompanhará e aprenderá como fazer, problema resolvido!- digo.
Desvio meu olhar do dela.
- senhor...- ela começou a dizer, mas eu logo tratei te interrompe-la.
- assunto resolvido, não tenho tempo para os seus dilemas, já gastei muito do meu tempo e da minha paciência com você, com licença!- digo voltando e me sentar.
Ela concordou com a cabeça e eu ouvi o barulho do seu sapato batendo no chão e a porta se fechado.
Levantei a cabeça, fechei os olhos e dei um longo suspiro.
Passei o resto do dia ali trabalhando, só tirei uma pausa pra almoçar e mesmo assim pedi o meu almoço na minha sala.
Quando sai da minha sala já passava das seis e meia da noite, a maioria dos funcionários já tinham ido embora e restavam poucos que também estavam indo embora.
Chamei o elevador que logo veio, a porta me deixando sozinho.
Me encostei na parede e dei um longo suspiro, não demorou muito para a porta se abrir novamente.
Levantei a cabeça e meu olhar se cruzou com tímidos olhos negros.
Ela ficou parada quando me viu, mas logo entrou e a porta se fechou nos trancando sozinhos.
Ela ficou na minha frente e de costas pra mim.
Pela postura do seu corpo eu vi que ela não está nada confortável com aquilo.
Não entendo ô porque da minha presença incomodar tanto a ela.
A porta se abriu e ela se apressou em sair, mas eu fui mais rápido e a segurei pelo braço.
Ela se virou me encarando, seus olhos estão arregalados e sua testa franzida.
- me diz o seu nome?!- peço.
Ela abaixou a cabeça, mas logo voltou a me encarar.
Sua expressão ficou calma e leve e um sorrisinho se formou em seus lábios.
- angel...- ela diz olhando em meus olhos.
Acabei com a cabeça e soltei o seu braço.
Desci meu olhar por seu corpo e meu olho travou na enorme aliança dourada em seu dedo.
Dou um sorriso fraco e volto a encarar seu rosto.
- me desculpe senhor, meu marido está me aguardando...- ela diz acenando com a cabeça e saíndo do elevador.
Meu olhar a acompanhou.
O jeito que ela caminha exala sensualidade.
O jeito que seu bumbum mexe a cada passo que ela da.
Seu quadril balançando.
- Angel...- digo dando um sorriso e balanço a cabeça..