Angel
O brisa beija o meu rosto e faz meus cabelos voarem.
Cá estou eu plantada na porta da empresa a quase meia hora esperando meu querido marido me buscar.
Já estou ficando preocupada pensado que algo de r**m pode ter acontecido.
- angel?- uma voz surgiu atrás de mim.
Me virei imediatamente me deparando com Max, um dos colegas do escritório, muito gentil por sinal.
Dou um sorriso fraco e levanto uma sobrancelha.
- aconteceu alguma coisa?! Precisam de mim pra algo?- pergunto.
Ele balança a cabeça mantendo um sorriso doce nos lábios.
- não querida, você esqueceu essa pasta de baixo da sua mesinha...- ele diz me entregando minha pastinha rosa.
Balanço a cabeça e dou um suspiro.
- Graças a Deus você achou, aqui está a minha vida!- digo abraçando minha pasta.
Realmente minha vida está na pasta, vários documentos, dinheiro, coisas pessoais.
Ele coloca a mão na cintura, levanta a sobrancelha e da um sorrisinho.
- então estamos falando de uma mulher misteriosa?!- ele diz me fazendo rir.
Balanço a cabeça ainda rindo.
- não é pra tanto...- brinco dando um tapinha em seu braço.
Ele cruza os braços e da um sorriso fraco.
- bom, tenho que ir, meu boy está me esperando...- ele diz dando uma piscada pra mim.
Sorrio e aceno com a cabeça.
- nos vemos amanhã então...- digo.
Ele me da um abraço e beijinhos no rosto.
- até amanhã, querida!- ele diz arrumando sua pasta nos ombros e se vai.
Me virei para a avenida e o carro do Bruno vindo.
Ajeitei minha bolsa nos ombros e suspirei.
Logo o carro parou em minha frente, mas quando eu fui entrar ele foi mais rápido e desceu.
- tudo bem?- perguntei sem entender sia ação.
Ele me pegou pelos braços e me encarou com os olhos em chamas.
- o que você estava falando com aquele cara? Ele é seu amante, não é sua v***a?!- ele disse tudo de uma vez e eu fiquei totalmente perdida.
Engoli seco olhando em seus olhos.
- responde sua v***a!- ele diz me balançando.
Balanço a cabeça rapidamente.
- não, ele é um colega de trabalho, ele é gay!- digo olhando em seus olhos.
Ele me encara com aquele olhar de desprezo e da um sorrisinho frio.
- você acha que me engana?! Você é uma p*****a, não passa de uma cachorra, até uma prostituta tem mais valor que você...- suas palavras me atingiu como uma bala.
Meu coração apertou no mesmo momento e meus olhos se encheram de água.
- você está me magoando!- minhas palavras saíram engasgadas.
Ele me encarou, deu um sorriso frio e se aproximou de mim.
- se eu descobrir que você está me tratando eu vou enfiar uma bala no seu cérebro e vou picar seu corpo todinho!- ele diz olhando em meus olhos e da maneira mais fria.
Meu corpo gelou na mesma hora, não consegui me mover, as palavras dele não entravam em meu cérebro.
Não acredito que ele está me dizendo isso.
- Bruno...- eu disse quase sem voz.
Ele me olhou de relance e deu as costas.
- entra na p***a de carro antes que te arraste...- ele diz dando a volta e entrando no carro.
Eu fiquei ali parada sem nenhuma reação.
- você quer que eu saia daqui e te faça entrar?- ele diz entre dentes.
Abri a porta do carro e entrei no mesmo.
O caminho inteiro ele foi falando em minha cabeça, me xingando de todos os nomes possíveis e me colocando mais pra baixo que eu já estava.
Se eu já estava me sentindo um lixo eu fiquei mil vezes pior.
Quando chegamos em casa ele finalmente se calou, ele foi para o quarto e eu fui fazer a janta.
Cozinhei deixando as lágrimas desceram por meu rosto.
As palavras dele ainda martelam em minha mente.
Coloquei a mesa e fiquei ali parada sem coragem de fazer nada, apenas pensando em o quão perdida eu estou.
Um telefone apitou vindo da sala afastando meus pensamentos.
Me desencostei da bancada e entrei na sala vendo o celular dele jogado na mesinha de centro.
Peguei o mesmo vendo um número desconhecido por mim, atendi no quarto toque.
- Oi meu bem...- a voz feminina surgiu do outro lado.
Meu corpo gelou no mesmo momento.
Eu não consegui me mover e muito menos dizer uma palavra.
- amor? Sua esposa está aí?- a garota perguntou.
- quem está falando?- foi a única frase que consegui formar.
A ligação foi interrompida no mesmo momento.
Liguei para o número novamente, mas ela não atendeu.
O sangue subiu e minha única vontade foi de matar o filho da mãe.
- a janta está pronta?- ele pergunta entrando na sala, mas quando ele viu seu celular na minha mão ele paralisou.
O encarei sentido meu rosto queimar de tanta raiva.
- o que você está fazendo com o meu celular?- ele pergunta correndo em minha direção tentando tirar o celular de mim.
Ele grudou em minha mão e quando finalmente consegui tirar o celular de mim ele me jogou contra o chão.
Me levantei no mesmo momento indo pra cima dele.
- quem é ela? Você é canalha, tem coragem de me acusar de traição quando o filho da mãe é você!- grito tentado tomar o celular da sua mão.
Ele me joga contra o chão novamente.
- você está ficando louca!- ele diz baixo.
Balanço a cabeça me sentando no chão.
- você é um canalha, é isso que você é!- grito.
Ele me encara e balança a cabeça.
- você está ficando doida, não vê? Ninguém me ligou!- ele diz calmamente.
Dou uma risada nervosa e balanço a cabeça.
- como você tem a coragem de ser tão falso?! Eu sei bem o que eu ouvi!- digo me levantando.
Em uma ação rápida ele jogou seu celular no chão fazendo com que o mesmo se quebrasse por inteiro.
Encarei aquilo sem acreditar, sem reação.
- viu? Olha a merda que você me fez fazer!- ele diz passando a mão pelos cabelos.
O encarei balançando a cabeça.
- Bruno...- foi a única coisa que saiu da minha boca.
Ele me encarou de relance e as lágrimas desceram por seu rosto.
- você com seu jeito histérico só me faz fazer besteira!- ele diz andando de um para o outro.
Balanço a cabeça.
- eu sei bem o que eu ouvi...- digo entre dentes.
Ele me encara, da um sorriso fraco e balança a cabeça.
- você acha mesmo que eu iria te trair?! Se eu quisesse já tinha te deixado a muito tempo, mas eu te amo e você não valoriza isso!- ele diz olhando em meus olhos.
Não consigo o responder, apenas sinto raiva.
- isso pode ter sido engano, uma brincadeira ou qualquer coisa, mas você insiste em manter sua loucura e me acusar!- ele diz.
Abaixo o olhar encarando meus pés.
As lágrimas descem por meu rosto.
- você não vê o que fez? Eu quebrei meu celular por sua culpa!- ele diz.
O encaro com os olhos cheios de lágrimas.
- você está mentindo!- digo com a voz embargada.
Ele balança a cabeça.
- por que eu faria isso?- ele pergunta.
Ele caminha em minha direção e para bem a minha frente.
- eu não preciso mentir, eu jamais te dei motivos de desconfiança, você não deveria pensar ele duvidar da minha fidelidade!- ele diz.
Abaixo o meu olhar.
Fecho os olhos e dou um longo suspiro.
- você está certo!- digo baixinho.
Levanto o meu olhar o encarando.
- desculpa!- digo o encarando.
Ele balança a cabeça e me dá um abraço.
- não se preocupe, eu jamais trairia você!- ele diz.
Fechei os olhos e cheirei sua camisa.
Bem no fundinho eu consegui sentir o cheirinho de um perfume doce, mas isso só pode ser loucura da minha cabeça, eu só posso estar ficando maluca.
Deixei o assunto pra lá.
Jantamos calados e logo depois fomos dormir.
Mal consegui dormir a noite com aqueles pensamentos.
Quando o despertador tocou eu estava pregada.
Eu tomei um banho quentinho e me arrumei.
Vesti um conjunto social e prendi os meus cabelos em um r**o de cavalo.
Bruno me deixou na empresa e eu logo fui para o meu trabalho.
Passei toda a manhã analisando alguns processos e quando dei por mim já passava do meio e metade do setor já tinham ido almoçar.
Deixei meu blazer sobre a cadeira, peguei minha bolsa e sai.
Chamei o elevador e fiquei aguardando o mesmo.
A porta do elevador se abriu e quando eu levantei a cabeça meu olhar se cruzou com aqueles olhos cinzas, misteriosos olhos cinzas.
Descobri por acaso que ele é o chefe e que seu nome é Victor Trindade.
Ele é um homem lindo, não posso negar.
Ele é alto, suponho que tenha mais ou menos um metro e noventa, é branco com a pele alva, tem cabelos lisos e negros e lindos olhos cinzas, o seu rosto e coberto por uma enorme barba e os seus lábios são grandes e rosados, o seu corpo é forte e malhado.
Um belo homem, não posso negar.
Ele desviou seu olhar do celular e me encarou uma maneira que despertou coisas estranhas em mim.
O seu olhar desceu por meu corpo e logo volto para o meu rosto.
- não vai entrar?- ele pergunta, sua voz saiu grossa e rouca.
Meu cérebro me alertou no mesmo momento que eu DEVO manter distância desse homem...