Ricardo acordou cedo, tomou a liberdade de preparar o café, foi até uma padaria comprou pão francês, pão doce e pão de queijo, na intenção não apenas de agradá-la, mas acertar algo que ela gostasse de comer, tendo uma grande surpresa com o valor que pagara, sendo esse quase três vezes mais do que era acostumado pagar onde morava , ainda assim voltou contente os preparou e foi para o quarto, ficou um tempo admirando a beleza de Gisele, ele sabia que dia após dia seu sentimento por ela vinha crescendo consideravelmente e tinha medo de estar se entregando de mais a uma relação que desconhecia o futuro, pois não sabia que tipos de planos poderia fazer para estar com ela ao longo prazo sendo forçado a viver dia após dia. Ele passou a acariciar os cabelos dela, de olho em cada traço do rosto dela, só tinha visto esse tipo tinha visto um rosto tão lindo quanto o dela na televisão, na comunidade as mulheres não tinham condições financeiras para se tratarem como ela; depois deixou o rosto dela descendo os pés, fazendo com que ela se mexesse na cama, esticando as mãos até as pernas fazendo massagem a acordando carinhosamente tendo ao seu lado o café que preparara para servi-la fazendo-o gentilmente.
Ela sentou-se feliz com o ato dele encostando-se na imensa cabeceira da cama, arrumando-se para tomar o café, de todas as coisas que tinha ali, gostava apenas do pão de queijo e do café, porém sem açúcar, mas faria um esforço para agrada-lo assim como ele estava fazendo com ela que nunca recebera tamanha atenção de nenhum dos ex namorados que tivera, aquilo era novo e bom, pois só havia namorado homens que gostavam mais de si próprios do que qualquer outra coisa e tinha detestado a experiência.
Ela olhou para o relógio estranhando a hora, ainda era muito cedo para estar acordado no final de semana, observando que ele estava já arrumado, mas achava que estava assim porque havia saído para comprar o café esperando que ele deitasse ao seu lado aquecendo seu corpo mais um pouco enquanto dormiam de conchinha, ela comia pensando em como seria bom um dia inteiro com ele em sua cama. Quando terminou de comer lhe deu um beijo grato esperando que ele tirasse a roupa e voltasse para a cama.
“Vamos?” perguntou ele ansioso.
“Onde tão cedo?”
“Para minha vida!” respondeu inseguro de como seria o dia sem saber se ela gostaria ou não da vida que ele tanto amava, mesmo que desejando mudá-la a todo custo.
“Hum esse sim é tipo de convite que não se faz todo dia, finalmente vou conhecer sua vida.”
Ela levantou sorridente, finalmente saberia o que ele fazia quando não estavam juntos, ela correu para o banho ansiosa, depois perfumou seu corpo delicadamente, deixando a casa inteira perfumada, escolheu para si um vestido rosa de ceda, justo na cintura e solto nos quadris que cobria acima do joelho pois mesmo sendo muito cedo o sol ganhava o cenário mostrando que aquele seria um dia quente e abafado e calçou um salto, Ricardo sugeriu uma rasteirinha, mas ela não tinha nenhuma, então sem falar mais nada observou ela cuidando de cada detalhe de sua vaidade, na maquiagem, no perfume do corpo, nos brincos e colares caros, ele olhava tudo, não acreditava que iria apresentar uma mulher daquele nível a sua família, as vezes era difícil acreditar que tinha uma mulher como ela, sentindo-se inseguro por causa da situação da família e da casa, com medo por gastar um dinheiro que não tinha para impressiona-la, sentindo que estava a beira de um colapso. Eles discutiram para decidirem se iriam no fusca de Ricardo ou na bmw de Gisele, e decidiram ir na bmw, Gisele deixou que Ricardo dirigisse, e ele não acreditava que estava dirigindo um carro daqueles, nem em seus sonhos mais distantes aquilo era possível sentia até certa adrenalina quando acelerava, o carro era uma nave de conforto e rapidez, seu fusca não se comparava a ele. Os ares nobres iam desaparecendo e Gisele observava atenta e com medo a paisagem pobre que via da janela, na qual cada vez mais seu carro adentrava chamando enorme atenção por onde passavam, ela confiava que ele não tinha uma má intenção, mas era assustador estar adentrando cada vez mais uma realidade tão diferente, esforçando cada vez mais para disfarçar sua reação vendo os moradores de rua com crianças correndo, o odor daquele bairro invadia seu carro e ela não entendia como que a prefeitura investia tanto de um lado da cidade, deixando o outro tão largado se toda vida era valiosa. Eles foram na academia; Ricardo a apresentou a todos, e ela não parava de se perguntar o que seu primo Carlos tinha achado naquela academia minúscula, num lugar tão distante da onde morava, com maioria dos equipamentos e má conservação, ela passou por um enorme espelho, parou em sua frente e perguntou-se o que fazia ali também. Ainda assim vibrava com o mundo que via, sentia-se uma patricinha rebelde e aventureira por estar ali, observava que por onde passava os homens até paravam para olhá-la, sentindo-se completamente sexy, deixando Ricardo constrangido pela forma que eles se comportavam.
“Ei!” disse um amigo de Ricardo em voz baixa “da onde tirou essa gata? Ela não tem mais amigas riquinhas para me apresentar não? Isso é tudo que eu queria, dava um trato bem dado e nunca mais precisaria trabalhar.”
Ricardo olhou-o com raiva e sem responder nada viu que todos olhavam para Gisele, era óbvio que uma mulher daquela não passaria despercebida, mas ele não achou que ela chamaria tanta atenção, sentiu um ciúme o percorrer, porém não quis nem falar nada, nem voltar atrás, pois queria que ela conhecesse seus sonhos e visse seu potencial na luta, sendo talvez aquele o único meio de obter honestamente a mesma condição financeira que ela.
Gisele assistia ao treino excitada com a força do namorado, achava-o ainda mais sexy lutando sem camiseta e com o peito molhado pelo suor, ele tinha perfil físico para a luta e também grande potencial, ela também prestava atenção nos rumores sobre a expectativa dele conseguir ganhar o campeonato sendo a esperança da academia alcançar o primeiro lugar, percebendo a pressão e a responsabilidade que estavam sobre ele o deixando mais importante perante os olhos dela que gostou de conhecer não apenas o sonho dele mas também o sonho de todos daquele lugar, Ricardo era mesmo o tipo de pessoa que gerava inspiração.