CAPÍTULO 10

2071 Palavras
Hoje era segunda e assim que me levantei ouvir vozes alteradas lá embaixo. Desci e vi minha mãe brigando com Ana. Minha mulher estava sentada de cabeça baixa. Eu só queria entender o que está havendo. - Mãe, o que houve? Pedi e Anastásia levanta seu rosto e vejo que ela estava chorando. Merda. Haya. Vou para perto dela, mas ela se afasta. - O que houve? Sua esposa não pode deixar o trabalho para passar um tempo com à gente. Ela não faz questão nenhuma de ficar em casa para agradar os sogros. Ela já estava saindo para o trabalho e sabe sei lá que horas ela iria voltar. Não dá mais. Ela tem que se adequar aos nossos costumes. Respiro fundo. - Mãe, aqui não é assim. Ana trabalha desde sempre, então não tem porque essa implicância toda. Digo olhando para minha mulher. - Ela não pode tirar à semana para ficar com à gente? Gostaria muito de passar nossos costumes para ela enquanto estivermos aqui. Fecho meus olhos sabendo que eu vou me complicar mais com Anastásia. - Haya, não tem como você trabalhar em casa só por essa semana? Assim você passa o tempo com meus pais e também dar atenção ao seu trabalho. Ana pega sua bolsa e nos olha. - Eu vou pedir minha assistente para trazer às minhas coisas para cá. Ela fala subindo. - Mãe, eu não quero mais desavença com ela. Parar de querer impor às coisas para ela. Eu me casei sabendo de tudo dela, não tem porque impor às coisas dessa forma. - Você não está tendo pulso com ela. Ela tem que aprender sobre nossos costumes. Respiro fundo. - Combinamos dela tirar férias e assim vamos ficar um tempo em Marrocos. Porque brigar, gritar dessa forma? - Porque vocês não moram com à gente? Assim à educamos como deve ser. Meus pais são muito antiquados para entender as coisas. O mundo de hoje não é o mesmo de antes, mas eles não entendem isso. - Mãe, não é só Ana que tem um emprego aqui. Eu também tenho restaurantes aqui e não posso simplesmente me afundar em Marrocos e achar que minha vida é lá. - Você tem que cuidar da empresa da nossa família. - Eu faço isso junto com Elliot e tem anos que faço isso. Não estou tendo problema, então parar com isso. Não gosto de uma desarmonia na nossa casa, ainda mais entre você e minha esposa. - O problema aqui é ela. Ela que tem que se adequar à nossas tradições. Chega de ficar fugindo disso. - O problema pode ser ela pela falta de interesse em nossos costumes, mas não pode ser feito da forma que à Sra e o papai estão fazendo. Já concordamos em ir para Marrocos. Acredito que à Sra teria que esperar para ver como ela iria se portar lá, para depois vir com sete pedras. E outra, ela precisa de tempo, então vamos dar isso à ela. - Dois anos não foi tempo demais? Fora o tempo que vocês namoraram. Que seu pai e eu achamos um absurdo namorar esse tempo todo. Mas não podíamos cobrar nada dela antes de se casar com você, porém, vocês estão para completar dois anos de casado e nada dela se atentar à nossa cultura. Nem um filho esse tempo todo, porque ela está simplesmente pensando nela e não em como ela está matando meu netos dentro dela. Me sinto m*l por saber que culpa disso é minha. Eu sei que nós do nosso país casamos já com à intenção de termos um filho e eu nunca pensei que estaria desse jeito com ela. - Eu não quero saber de mais brigas aqui mãe. Deixa que tudo vai acontecer no tempo dela. Falo cansado dessa conversa. - Se deixarmos no tempo dela, nunca teremos um filho de vocês. Nunca teremos ela completamente dentro da nossa tradição. - Vou falar com ela. Digo subindo. Vou até o quarto de Ana que está aberto. Ela está sentada olhando para o nosso jardim. Fecho o porta e ela nem percebe. Desculpa pela minha mãe. Eu não imaginava que ela iria te atacar dessa forma. - Seus pais me culpam por eu não conviver com eles, me culpam por não ter dado um neto à eles, me culpam por eu afundar à cabeça no meu trabalho. E sabe qual é o mais engraçado disso tudo? Ela me questiona sem olhar para mim. Eu não tenho nada haver com isso. À culpa disso tudo é sua. Você escolheu me afastar de você, da sua família. Escolheu que eu me focasse no meu trabalho ao invés de querer ficar aqui. Você insiste em me manter com você. E eu ainda sou obrigada à abaixar à cabeça e escutar tudo que seus pais falam de mim. E o mais hipócrita de tudo isso é que eu não quero conviver com eles, eu não quero ter um neto deles e não quero nada com você. Eu não quero nada que nos ligue. Não quero me aproximar de ninguém da sua família, porque não quero ter que ficar perto de você, ter que conviver com você. Às palavras dela doem. Meus olhos enchem de lágrimas por saber que ela não me ama mais. Porém eu quero mantê-la comigo para resgatar esse amor. Eu ainda acredito em nós. - Eu sinto muito. - Sente merda nenhuma. Se sentisse já tinha me deixado livre. Já tinha me dado o divórcio, mas você insiste em tornar à minha vida miserável. Insiste em fazer eu passar tudo que estou passando. Fecho meus olhos me sentindo m*l por tudo que está havendo, mas deixá-la ir não é uma opção para mim. Eu à amo muito. Eu quero só ver você explicar aos seus pais que nunca teremos um filho. E te digo mais, se eles continuarem com essa implicância comigo, eu vou dizer à verdade. Olho para ela com receio. - Você não pode fazer isso. Digo com medo. - E você pode fazer o que está fazendo comigo? Seus pais podem colocar à culpa do fim do nosso casamento em mim? Não Christian, eu cansei. Eu vou me manter em casa essa semana, farei tudo que sua mãe me mandar fazer, mas se ela me atacar da forma que me atacou ali embaixo, pode ter certeza que vou dizer que nosso casamento acabou e que você não me deixa livre e o resto eu deixo para você explicar o motivo do fim do nosso casamento. - Na nossa cultura não tem divórcio Anastásia, portanto o que meus pais poderiam fazer é te culpar mais ainda pelo fim do nosso casamento. Tento fazer com que ela não vá para o lado do divórcio, por mais que à culpa seja minha, mas eu não vou perdê-la. - Claro, à mulher da sua região tem culpa de tudo. À mulher é seca, à mulher não sabe cuidar do marido, e a mulher ainda é culpada por seu marido arrumar uma amante. Vocês homens são todos uns santos, e à culpa de tudo é das mulheres. - Eu sei que à culpa não é sua, eu sou o culpado de tudo. Só que não vou abrir mão de você por nada Haya. - Assim como você não abre mão da sua amante. Ela sabe de mim? Sabe que eu estou disposta à te dar de bandeja para ela, porém você insiste em me manter infeliz ao seu lado? Kate sabe que sou casado, mas não sabe do inferno que se transformou à minha vida por causa dela e de Elliot. Saia do meu quarto? Não entre aqui de novo. Evite falar comigo assim como tenho evitado falar com você. Ela diz limpando suas lágrimas. - Vamos nos dar uma chance. Vamos tentar consertar as coisas entre à gente. Por favor. Eu estou sofrendo assim como você. Ela vai até o criado mudo e pega à jarra de vidro que tem água dentro. Me olha e depois lança com força à jarra na parede. Fico assustado com que ela fez. - Pronto. Tentar consertar essa jarra. Se você conseguir colocá-la do mesmo jeito que ela estava, eu te dou à chance de consertar as coisas comigo. Ela abre à porta. Saia. Suspiro forte e saio. Eu quero que Elliot arrume essa merda logo. Cada dia que passa ela está mais destruída e eu também. Desço e me coloco dentro do meu escritório. Eu não sei mais o que fazer. Às vezes penso que mesmo contando à verdade ela ainda não vai me olhar e vai continuar querendo essa merda de divórcio, que para mim não existe. Dentro das minhas tradições divórcio nunca foi uma opção para nenhum casal e comigo não é diferente. Eu a amo e não posso deixá-la ir sem tentar consertar as coisas com ela. Já tinha passado duas semanas que meus pais foram embora. Eles ficaram uma semana na minha casa e Ana fez tudo para eles. Mesmo desgostando da maioria das coisas, ela se submeteu ao que eles queriam. E antes deles irem embora nos cobrou de novo à nossa ida para Marrocos e também que filhos. Eu não sabia como isso iria acontecer. Eu precisava que Elliot arrumasse sua vida para eu arrumar à minha. Meus pais não iriam sossegar enquanto não visse um filho meu e de Ana. Eles iriam me atormentar e também iriam para cima de Ana com tudo. - Droga. Digo batendo na mesa forte. Olho no meu relógio e ela ainda não chegou. São quase dez da noite e nada. Ela sempre se tranca naquele escritório e eu não posso nem reclamar. Pego meu celular e ligo para Sawyer. - Sr Grey. Ele fala atendendo no segundo toque. - Ela ainda não saiu do escritório dela? Pedi suspirando. -Já sim Sr. Ela está jantando com à mãe e alguns amigos. - Amigos dela? Indaguei preocupado com isso. Os amigos dela também são um problema já que eles nunca concordaram que nós nos casamos. - Não Sr. Eles chegaram com à mãe dela. Parece que estão hospedados na casa da mãe dela. - Tudo bem. Me avise quando vocês tiverem vindo embora. - Sim Sr. Desligo e me sento no sofá abaixando à cabeça. O que eu fiz da minha vida? Essa sala me remete à momentos maravilhosos que tivemos. Lembro que antes de tudo acontecer, eu estava em uma viagem, e quando cheguei morto de saudades dela, à nossa casa estava toda escura. Fiquei intrigado, mas assim que entrei no Hall e vir velas espalhadas por toda casa meu sorriso veio aos lábios. Lembro exatamente às palavras dela ao adentrar mais à sala. - Sente- se no sofá, porque tenho uma surpresa para você. Ela pediu e eu assim o fiz tirando minha gravata. Não se via nada, à não ser às luzes vinda das velas. Logo uma música se fez presente. Fico olhando e minha linda mulher começa à dançar à dança do véu. Eu não estava acreditando no que estava vendo. Era uma surpresa e tanto para mim. Sempre tinha deixado claro que eu amava essa dança e gostaria muito que ela aprendesse e dançasse para mim, e aqui estava ela com toda sua timidez, com todo seu jeito simples de me fazer sorrir mais e de desejá-la dia após dia. Ela estava me fazendo delirar mais por ela. Estava me chamando mais para seu corpo. Eu à queria mais que tudo. E quando à música acabou, eu não pensei em mais nada. Puxei ela para meus braços e beijei ela com todo amor e desejo que eu sentia por ela. Eu queria agradecê-la por fazer algo por mim, e isso só podia acontecer comigo venerando seu corpo, jurando amor eterno. Naquela noite fizemos amor como sempre. Com à mesma intensidade do nossa primeira vez juntos, como mesmo amor que ambos sentiam um pelo outro. Eu era feliz. Eu à amava e amo mais que tudo, porém esse amor foi me tirado pelo amor da minha família. Por obedecer tradições que Ana não entenderia. Infelizmente nós muçulmanos somos assim. Não importa o que vai nos afetar, damos à vida pela nossa família e vejo que o que fiz teve consequências drásticas para mim. Eu livrando à pele do meu irmão acabei fudendo com que tinha de mais bonito e precioso na minha vida.
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