Capítulo XII

1730 Palavras
Melina Senti meu rosto ganhar tons de vermelho, como aquele vestido h******l usado por Barbara. Não era vergonha, era raiva. Além de tudo, ela era a p***a de uma hipócrita. —Pelo menos Melina está dando para a mesma pessoa pelos últimos dois anos, pior é você, que mesmo namorando, não consegue ser fiel e ficar com um só, não é, Barbara? —Cara a desafiou. —E quem é você para falar de mim, em? —Uma pessoa solteira que pode ficar com quem quiser? O que sabemos que não é bem o seu caso, Barbara. O seu negócio é chifrar os outros, se bem que acho que você também gosta de ser chifrada— Foi Dom quem disse, dessa vez. —Vê se me respeita, Dominic. Vocês estão na minha festa de aniversário, posso expulsá-los quando quiser! E digo mais, só os convidei por um favor, porque fiquei com pena de vocês! —Barbara, nos poupe. Ninguém aqui tem medo de você, ninguém te deve nada e não temos nada para esconder. —Será mesmo? —ela disse, passando seu olhar entre Tyler e eu— Não vai se sentar? —Perguntou para ele. Quase dei um pulo discreto da cadeira, segurando-o pela mão e esperando que ele se acomodasse na cadeira. Olhei em sua direção, tentando tornar um pedido de desculpas legível por entre os meus olhos, antes de me sentar em suas pernas, de forma meio desconfortável. Tyler passou o braço em volta da minha cintura e me puxou mais para perto, me colocando em uma posição melhor para mim e, com certeza, mais desconfortável para ele. —Mas e então, aniversariante, qual é o tal boato que você queria nos explicar? —foi o meu noivo quem perguntou para ela, ainda me abraçando pela cintura. —Ouvi dizerem, por aí, que eu estou com inveja de vocês. Veja, se eu um dia sentir inveja disso— fez uma careta nojenta— me internem em um manicômio, o mais rápido possível. Mas, como isso é uma obvia mentira, achei melhor vir aqui dizer que a conversa que tive com Brandon, que vazou pelo microfone do DJ, foi completamente m*l interpretada e foi apenas um pretexto para acabar com uma discussão pequena que eu tive com meu namorado, vocês sabem, coisa de rotina. —Sei bem, inclusive da parte que Brandon falou, quando chegou junto com a gente, no elevador, que não é seu namorado— falei, dando de ombros. —E você deve ter adorado ouvir sobre isso, não é? Você sabe que, antes do seu noivo milagrosamente aparecer, eu tinha minhas dúvidas se você estava inventando toda aquela história para causar inveja e atrair Tyler, ou se tudo isso era por causa de Brandon e aquela noite que vocês compartilharam, anos atrás. Porque, sabe de uma coisa, Melina? Nada me tira da cabeça que, agora que você viu que estava na m***a e que todos iam ver a sua humilhação, em um casamento sem noivo, você ligou desesperada para o seu melhor amigo de infância e o convenceu, ou melhor, o manipulou a largar a namorada e a vida dele na Europa, para vir até aqui limpar a bagunça que você fez e fingir que está junto contigo, para não te fazer passar vergonha. —Você deve ter muito tempo livre para pensar em todas essas idiotices, não é, Barbara? —Ethan voltou a falar. —A vida não é uma fanfic— foi a vez de Dom. —Eu sempre fui apaixonado por Melina, desde a infância, por isso, quando nos separamos e eu me mudei para a França, só me permiti ter casos pontuais e sem compromissos, porque sabia que nenhum relacionamento iria para frente, se não fosse com ela. E eu não sei em que mundo fantasioso você vive, Barbara, mas te garanto que esse seu universo de relacionamentos falsos não é real. Acho que anda lendo muito romance clichê, ou melhor, assistindo adaptações na televisão, acho que faz mais o seu estilo. —Tyler disse, me pegando de surpresa com as suas palavras, mesmo que eu soubesse que eram ditas de forma falsa, para enganar as pessoas em nossa volta, ainda assim me questionei o porquê de nós dois nunca termos nos envolvido em um relacionamento sério. Só podia ser porque tínhamos medo de nos apaixonarmos de verdade, por outras pessoas, e termos que quebrar corações (incluindo os nossos próprios) quando a hora do nosso inevitável casamento chegasse. —Está me chamando de burra? Meu pai é reitor da UCLA e eu leio 5 livros por ano, ok? —Nossa, que impressionante! —Cara falou, de forma irônica. —Como eu estava dizendo, antes de alguém me interromper, sinto que há algo de errado nesse enlace de vocês. E eu sou uma pessoa muito sensitiva, papai sempre diz que a vovó era médium, então é melhor terem cuidado comigo, porque quando eu descobrir o que vocês dois escondem, não vou pensar duas vezes antes de contar para todo mundo, incluindo a mídia, o porquê de vocês estarem fingindo que estão juntos. Soltei uma gargalhada, uma risada falsa e nervosa, mas ainda assim uma risada, que no momento pareceu muito divertida e destemida. Que m***a, por que essa garota tinha que estar desconfiando de nós? —Fiquem parados aí, vou tirar uma foto de vocês. Vocês estão tão lindinhos, fazia tanto tempo que eu não via Melina tão feliz, acho que ela só ficava assim quando viajava para estar perto de você— Cara falou, completamente ignorando Barbara e os aparentes desvaneios dela. Eu e Tyler sorrimos para os flashes de minha amiga e, quando ela falou que ia me mandar as fotos, aproveitei a desculpa para ficar mexendo em meu celular e poder fingir que a aniversariante não tinha decidido se alojar em nossa mesa. Tyler me pediu que lhe mandasse as fotos e eu assim fiz, entrando no i********: logo em seguida e passando o meu tempo avaliando os stories das pessoas que eu seguia. Cheguei ao do meu falso noivo e li o que ele tinha escrito, quando compartilhou a foto que eu tinha postado, pouco antes da gente sair da minha casa. Não sabia se ele se considerava um cara romântico ou não, mas se não fosse, sabia mentir e enganar muito bem. Na mesma hora em que passei pelo seu story, recebi uma notificação vinda de seu próprio perfil, dizendo que tinha me marcado em uma publicação. Cliquei para ver, não precisando disfarçar a minha ansiedade, e sentindo que Tyler tinha ajeitado a postura, apoiando a cabeça em meu ombro e mantendo os olhos em meu celular, também prestando atenção na tela. Observei, mais uma vez, a foto tirada por Cara, que eu tinha acabado de enviar para ele. O braço de Tyler cruzando a minha cintura, as minhas pernas sob a sua, o sorriso em meu rosto, parecendo extremamente confortável de estar sentada no colo dele, nada ali parecia falso, nada soava como uma mentira, talvez Barbara fosse mesmo uma pessoa sensitiva, porque parecia impossível desconfiar. Desci para a parte da legenda, curiosa sobre o que Tyler podia ter escrito. Me deparei com um texto pequeno e fofo, onde ele dizia: “Ainda não acredito que vou acordar ao seu lado em todas as manhãs, pelo resto de nossas vidas. Quão sortudo eu sou? Agradecerei o resto da minha vida! O maior desafio que já vivi foi o de passar tantos anos longe de você, mas um oceano inteiro nunca foi o suficiente para nos separar. Eu te amo, Nina!”. Abri um sorriso involuntário e fui até a parte destinada a comentários, começando a digitar: “Nada poderá separar o que já nasceu unido. Mesmo assim, não vou desgrudar de você nunca mais! Nem pense em nadar até o outro lado do oceano! Eu te amo infinitamente, Martin!” Utilizei seu nome do meio, que apesar de não ser o que eu usava para o chamar com frequência, a não ser em momentos de briga e estresse, foi o que assumi para todos, enquanto não podia contar sobre a sua verdadeira identidade. Então agora eu teria, que pelo menos de vez em quando, fingir que aquele era um nome usado por mim em momentos carinhosos. E como Tyler não tinha muitos apelidos, seu nome do meio poderia assumir essa função para mim, a partir de então. —Vocês são tão fofos, eu não aguento— Cara disse—Mas o que vocês acham de irmos embora dessa festa? Sei que acabamos de chegar, mas não sei, tem uma presença inconveniente por aqui e infelizmente não podemos mandar ela embora, sabe? Porque ela é a aniversariante. Achei que Cara foi um pouco m*l educada, mas preferi não dizer nada, porque estávamos tratando de Barbara e eu jamais corrigiria a minha amiga na frente dela, ou a seu favor, dando motivo para ela falar de nós por aí. Se bem que, focando no mesmo ponto, se tratando de Barbara, ela bem que merecia umas respostas atravessadas assim, já que fazia o mesmo com todo mundo, falando o que podia e o que não podia, usando a desculpa de ser sincera e verdadeira demais, para encobrir a sua falta de educação. —Eu estava mesmo esperando por esse convite— Dom falou, já se levantando. —Para onde vamos? —Ethan perguntou e eu, percebendo que aquela realmente tinha se transformado em nossa hora de “dar licença e ir embora”, me levantei do colo de Tyler, também. —Não sei, vocês vieram de carro? Porque nós três viemos de taxi, na intenção de beber até esquecer o dia de amanhã, mas nem para isso essa festa serviu, do que adianta pagar tanto em buffet e garçons, se não tem nem bebida direito, na festa? —Deixa de ser alcoólatra, garota— falei para Cara, porque ela sabia que eu detestava essa romantização da embriaguez exagerada. —Viemos de carro sim! Agora vamos? —Tyler respondeu por mim, envolvendo minha cintura prestes a me guiar, novamente, para o elevador. Que divertido, nos vestimos todos de branco, como noivas, para passar apenas umas meia hora na festa de Barbara. Quer dizer, melhor isso e ir embora logo do que ficar aqui olhando para a cara dela e ouvindo suas provocações, só porque demoramos para nos arrumar.
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