Capítulo XI

1835 Palavras
Tyler Era diferente, era estranho e sufocante. Fazia muito tempo desde a última vez que fotógrafos me cercaram daquele jeito, eu era uma criança. Pessoas comuns não se comparavam a paparazzi. Eu e Melina estivemos cercados de estudantes, mais cedo, mas mesmo que fossem criminosos com armas, invés de câmeras na mão, ainda assim não seriam tão intimidantes. Ok, isso foi exagerado demais. Esqueçam os criminosos com armas, mas se lembrem que os paparazzi com câmeras estavam apenas uma escala abaixo deles. Eram ratos e não estavam atrás de informações, buscavam pontas soltas para eles conseguirem amarrá-las da forma que bem entendessem. Eu os odiava, os odiava desde sempre, mas tudo se tornou pior depois que os vi enfiando uma câmera por debaixo da saia de uma inocente Melina, uma criança foi vítima de um deles, da forma mais terrível: assédio e importunação s****l. Ela com certeza se lembrava bem daquele dia, se eu não fui capaz de esquecer, sabia que aquilo estava tatuado em sua pele. Foi por isso, por todas as memórias ruins que eu sabia que compartilhávamos que, assim que ela parou o carro na frente do hotel, saltei pela porta do carona e dei a volta pela frente do veículo, sem me importar com o flash, sendo mais rápido do que o manobrista que caminhava naquela direção. Abri a porta para que Melina descesse e fiz do meu corpo uma barreira, estendendo minha mão em sua direção, para que ela pudesse se movimentar confortavelmente. Nina usava um vestido curto e nenhum de nós gostaria de flashes inconvenientes, por isso, só saí de sua frente depois que ela ficou de pé e ajeitou o tecido que envolvia o seu corpo. —Obrigada— ela sussurrou, parecendo perceber o que ou o porquê eu tinha o feito. A vi entregar a chave nas mãos do manobrista e repetir o agradecimento para ele. Não soltei a mão dela da minha e deixei que Melina guiasse a velocidade de nossos passos, já que era ela que usava sandálias mortais nos pés. Não posamos para flashes, m*l ouvimos as perguntas que eram lançadas em nossa direção, tampouco demos atenção para nada que acontecia com os fotógrafos em volta de nós. Não era uma questão de generalização. Eu sabia que nem todos eles eram pessoas de m*l caráter, mas haviam escolhido seguir em uma profissão um tanto quanto inconveniente, que um dia já ultrapassou nossas barreiras e causou um trauma. Foi por isso que, desde o dia do ocorrido, nossas famílias nunca mais deram atenção para aqueles urubus em volta de nós. Não era uma questão de falta de educação de nossa parte e eles sabiam muito bem disso. As portas do hotel foram abertas em nossa direção e rapidamente, logo no hall de entrada, um funcionário nos identificou com duas pulseiras de eventos na cor branca, com o nome da aniversariante escrito em vermelho brilhante, nos liberando para seguirmos em direção ao elevador, já que a festa acontecia no salão da cobertura. Enquanto caminhávamos até a caixa metálica, um cara passou a nos acompanhar. Melina tinha a cabeça baixa, mexia no celular, e pareceu não o notar por ali. Envolvi a sua cintura com o meu braço, pouco antes dela levantar a cabeça, logo que entramos no elevador, para apertar o botão do andar correto. —Melina? —ele perguntou, dando um passo na direção dela. O elevador era pequeno, não tinha necessidade alguma de estar mais próximo, para ser ouvido. —Oi, Brandon— ela pareceu não dar muita confiança para ele, mas reconheci o nome, como o “namorado” da aniversariante, com quem a minha noiva já havia tido alguma coisa, pelo que ela me disse, pouco mais de dois anos atrás. —Não é que o seu noivo finalmente apareceu? —ele deu uma risadinha i****a e eu revirei os olhos, discretamente. —Ele não estava desaparecido, querido— ela foi irônica. —Mas você sabe bem o que todo mundo estava falando, por aí. Eu sempre acreditei em você, Mel! —ele deu dois tapinhas de leve no ombro dela, qual era a daquele cara? —Acreditou mesmo, Brandon? Porque a sua namorada sempre foi a primeira a dizer que eu estava criando toda uma situação, porque estava com inveja pelo namoro de Tyler. Agora eu te pergunto, como posso sentir inveja de mim mesma, em? —Foi meio b****a, todos acreditaram no relacionamento secreto de Tyler, mas não no seu. E a propósito, Barbara não é minha namorada. —É, não é? Porque as mulheres são sempre as loucas e manipuladoras da situação. —E você, não fala nada? —perguntou sobre mim. Aquele elevador era de que, mil novecentos e vinte? Não era possível, toda aquela demora para subir menos de trinta andares. —Se quer que eu diga algo, por mim eu já teria esfregado o meu relacionamento na cara de vocês a muito tempo, desde que começaram a desconfiar que Nina estava mentindo. Só não fiz isso em respeito a ela, que queria esperar para contar— segui com o nosso plano mentiroso, me sentindo extremamente culpado por ter fugido dela durante tanto tempo e a obrigado a manter a identidade do noivo em anonimato. A verdade é que se realmente tivéssemos nos encontrado, poderíamos ter tirado fotos e usado isso para comprovar que estávamos juntos (um do outro, em um relacionamento obviamente). Poderíamos até mesmo termos revelado sem nos encontrar, mas aí sofreríamos durante anos com a pressão por fotos e momentos juntos, foi por isso que eu achei melhor manter tudo no maior sigilo possível. Eu não imaginava que isso só estava funcionando no meu ponto de vista, que só estavam acreditando na veracidade do meu relacionamento, não no de Melina. Se eu soubesse, teria passado por cima das minhas próprias vontades para fazer diferente. Felizmente, ou não, Brandon não teve chance de dizer nada, ou expressar nenhuma reação às minhas palavras, além de uma levantada de sobrancelhas interrompida pelo barulho do elevador, nos avisando que tínhamos chegado ao último andar daquele prédio. Soltei, discretamente, o ar preso em minha garganta e me deixei ser guiado por Melina, para dentro daquela festa lotada. Passei o olho pelas pessoas, percebendo que muitas delas tinham sua atenção voltada em nós, quase que como se tivessem visto o nosso vídeo de mais cedo, mas não pudessem acreditar que aquilo realmente estava se concretizando em frente aos seus olhos. Percebi uma cabeleira ruiva praticamente correndo em nossa direção. O rosto logo ganhou uma identificação, era a Cara, a aparente melhor amiga de Melina, que parecia ser ainda mais doida do que ela. —Vocês chegaram, finalmente! Achei que tinham desistido de vir e estavam aproveitando o tempo juntos. —Tínhamos prometido sair com você, Ethan e Dom, não vir para a festa de Barbara, que eu tinha até esquecido que aconteceria— Nina respondeu, em tom de reclamação. —Não fique chateada, só fomos convidados hoje, as pressas, graças a vocês dois. É obvio que tínhamos que vir. —Vocês dois uma ova, por causa de Tyler. Eu já estava aqui há muito tempo, inclusive quando ela começou a distribuir os convites e nos ignorou. Não que eu tenha odiado, só vim hoje para calar a boca desse povo que estava me chamando de mentirosa— ela voltou a explicar. —Bem, então você nem vai querer saber do showzinho que a nossa querida aniversariante deu, um tempo atrás— Cara tentou aguçar a curiosidade de sua amiga, a puxando em direção a sua mesa, onde provavelmente os outros dois integrantes do quarteto estavam sentados. Como um efeito dominó, minha mão também foi puxada por Melina, na mesma direção para onde as duas iam. —Cara, não brinque comigo. Pode me contar— Minha noiva praticamente gritou, porque o volume da música estava cada vez mais alto, conforme caminhávamos festa adentro. —Ela foi até a cabide do DJ, fazer alguma coisa, pedir uma música em especial, sei lá. Só sei que atendeu ao telefone lá dentro, ela Brandon e eles dois começaram a discutir. Barbara gritou para a festa inteira, porque não sabia que o microfone do DJ estava ligado, que ele tinha que vir até aqui o mais rápido possível, mesmo brigado com ela, porque ela não iria deixar você e Tyler e o que ela chamou de “relacionamento aparentemente verdadeiro de vocês” chamarem mais atenção do que ela, no dia do aniversário dela. —Quantos anos tem essa garota mesmo? Quinze? — me meti na conversa, perguntando. Que ela agia como uma adolescente mimada, não parecia ser surpresa para ninguém. As duas em minha frente ameaçaram soltar uma risada, mas se calaram quando chegaram a mesa onde Dom e Ethan estavam, bem, com uma outra companhia. E sendo entregue pelo vestido vermelho que se destacava por entre todas as outras pessoas, vestindo branco, não demorei a entender que estávamos cara a cara com Barbara, a aniversariante. Ela tinha os cabelos descoloridos até o branco, praticamente, com a raiz um pouco saltada, entregando que assim como Cara, ela era naturalmente ruiva. O vestido cheio de purpurinas e penas vermelhas realmente a fazia se sobressair da multidão e, não que eu entendesse muito de moda feminina, mas em meus conceitos, tudo aquilo, misturado a bota de couro vermelha, até os joelhos e em um estilo completamente diferente só a fazia parecer extremamente brega e cafona. Metade motoqueira, metade madame rica na casa dos setenta anos, não era o tipo de combinação que fazia alguém parecer estilosa, mas sim perdida em seus próprios gostos. —Veja só, não é que eles vieram? —disse em voz alta, jogando os cabelos para trás dos ombros. —Vim até aqui, desmentir o m*l-entendido que aconteceu antes de vocês chegarem, por mim mesma. Já até sei que devem ter ouvido inverdades das bocas de alguns invejosos por aí— disse, encarando Cara de cima a baixo. A ruiva revirou os olhos e se sentou em uma das duas cadeiras vazias, entre Dom e Ethan. Olhei para a cadeira sobrando e, em seguida, para Melina. Ela fez o mesmo movimento que eu. Dei de ombros, apontando para ela se sentar e olhando em volta, procurando por algum outro assento disponível, que eu conseguisse trazer até aqui. Como não encontrei, decidi por mim mesmo que poderia me sentar depois que a dona da festa saísse de nossa mesa. —Eu tinha escolhido uma mesa para cinco pessoas, só não contava que a aniversariante fosse querer fazer de nossa mesa a recepção da festa— Ethan disse, sem papas na língua. Acho que aquela tinha sido a primeira vez que eu tinha escutado a sua voz. —Não tem problema, Ethan. Sei que os pombinhos não vão ligar de dividir uma cadeira. Vamos, não sejam envergonhados! Sente no colo de seu noivo, Melina, tenho certeza de que, com a sua fama, você não está guardando nada para o casamento— Barbara disse, venenosa.
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