Capítulo X

1333 Palavras
Melina Eu estava nervosa e agitada, era a minha primeira noite sendo vista ao lado de Tyler. Quando pisei na grama do meu jardim, agradeci pela minha escolha por saltos grossos e confortáveis, com a firmeza dos meus tornozelos, após anos de prática usando as sandálias assassinas. Olhei para trás, apenas para ter certeza de que eu era acompanhada, no caminho até a garagem. Pelos carros na garagem, pude constar que toda a família estava em casa, apesar de não termos encontrado com ninguém, quando cruzamos a sala de estar. Encarei cada carro parado ali, eram sete veículos ao todo: O de Tyler, um de cada um dos membros da minha família e dois extras. Tínhamos um carro grande, usado em viagens em família, onde queríamos mais espaço e conforto ou solicitávamos um motorista e tínhamos uma Ferrari 458 Itália, na cor vermelha, que era usado só em ocasiões especiais e que me levaria, em grande estilo, até o altar, na próxima semana. Apesar da proposta tentadora de chegar a festa de Barbara com ela, passei direto pelo modelo e parei ao lado do meu Audi RS7, também vermelho. Eu e Tyler mantivemos uma breve conversa sobre carros, enquanto nós nos acomodávamos no meu e aguardávamos até que o portão de garagem fosse todo aberto. Assim que eu comecei a dirigir, entretanto, ele me questionou: — O que mais eu preciso saber, sobre as pessoas que vão estar nessa festa? Além dos seus colegas de faculdade não acreditarem em você, a aniversariante gosta de ser o centro das atenções em todas as oportunidades. Os seus amigos são a Cara, o Ethan e o Dominic, estou certo? — Fez um pequeno resumo da situação. Concordei com a cabeça. —Dominic gosta de ser chamado pelo apelido, Dom— falei, observando, pelo canto de olho, a careta que Tyler fez. —E eu sou bem mais próxima do Ethan, do que dele— Achei importante pontuar. Não tirei os meus olhos da estrada na minha frente. A festa de Barbara aconteceria em um hotel famoso e com muitas estrelas. — E há algo mais ou mais alguém em quem eu deva prestar atenção? —me perguntou novamente. — Brandon. Ele é um cara popular, com o ego nas alturas. Sei que não é uma pessoa má, que tem bom coração, mas ele acha que fingindo ser superficial, vai conquistar mais status. Então, releve se ele disser alguma m***a. — E me deixe adivinhar, esse Brandon está envolvido com a Barbara, a aniversariante? — É tão óbvio assim? Acho que eles tem um relacionamento aberto, algo do tipo. Vivem brigando, então nem sei se ele estará na festa. — Se eu bem conheço esse tipo de gente que faz tudo pela aparência, eles vão fazer questão de parecerem o casal mais feliz do mundo, mesmo estando brigados, só para não perderem a pose, em um "grande evento". —Tyler deu a sua opinião. — Nós dois não somos muito diferentes disso— as palavras pularam para fora da minha boca e eu me arrependi no momento em que elas foram ditas, em voz alta. — Nós não estamos brigados, Melina— ele argumentou. — Mas quando estivermos, não vamos deixar que percebam! Vamos fazer questão de mantermos a aparência de casal mais feliz do mundo. — O nosso caso é diferente— ele disse, apenas. — Nem tanto... Mas não importa, Barbara e Brandon praticamente só estão juntos nos momentos importantes, quando eles precisam se mostrar para os outros. No dia a dia, é cada um para o seu lado, ficam com outras pessoas e fingem que não se conhecem. — E você, já ficou com Brandon? — Por que quer tanto saber com quem eu tive ou não tive algo, no passado? — perguntei direta. — Eu não estou te fazendo esse tipo de pergunta! — Porque você não vai conviver com as mulheres com quem já fiquei. Eu vou precisar lidar com o seu passado e vai ser melhor se eu, ao menos, conhecê-lo. — Tudo bem, eu fiquei com Brandon, em uma festa, um pouco antes de começarmos a fingir um namoro. — Ethan e Dom? — voltou a questionar sobre eles dois. Eu não daria respostas, porque tinha a sensação de que isso prejudicaria a convivência deles e, se Tyler for mesmo estudar com a gente, era bom que ele entrasse no grupo. Eu não abandonaria os meus amigos por conta dele e, bem, seria estranho se me vissem andando com o meu grupo pela faculdade e o meu marido não estivesse incluído nele. — As pessoas da faculdade são bem aproveitadoras, então não pense que elas estão sendo verdadeiras, quando tentarem beijar os seus pés ou o chão que você pisa. Eles sabem que os nossos pais têm um escritório de advocacia renomeado e, eu te garanto, que as pessoas do nosso curso seriam capazes de tudo por uma vaga de estágio e uma manchete em uma revista de fofocas. — Fugi do assunto, fingindo não ter ouvido a sua pergunta. Eu não mentiria para ele, mas ainda não era a hora de contar a verdade. — Melina! — Pude perceber os seus olhos na minha direção, aguardando por uma resposta. Dei de ombros e disfarcei a respiração pesada, antes de dizer: — Você faz muitas perguntas e eu terei tempo de sobra para respondê-las, uma a uma. Conversaremos sobre isso depois, mas agora, preciso te deixar a par dos cenários com os quais podemos nos deparar, nessa festa. — Se fosse um "não", você já teria me dito— constatou sozinho, mas mais uma vez eu ignorei. — A mãe de Barbara foi uma modelo famosa, quando era mais nova. Ela também faz uns trabalhos na área e tenta obter o mesmo sucesso, por isso, conhece muitos filhos de celebridades, influenciadores digitais e artistas em ascensão, em um geral. Então, com certeza, estaremos sendo filmados e fotografados, seja na entrada, por paparazzi, seja dentro do hotel. Não sabemos quando uma celebridade vai resolver gravar um story e nós apareceremos no fundo. Precisamos estar atentos e sermos cuidadosos. — Queria ser capaz de mentir e dizer que eu senti falta dos paparazzi, no tempo em que estive fora. Mas seria ingênuo demais, da minha parte, brincar com algo do tipo. Diminui a velocidade do carro e desviei o meu olhar para o de Tyler, pela primeira vez desde que entramos no veículo. Ele acenou com a cabeça, percebendo que estávamos chegando e, antes de estacionar completamente, falei para ele: — Deveríamos nos mudar para a Europa, depois do casamento. — Ele abriu um sorriso fraco, que deixou claro a sua vontade de permanecer no país dos seus pais. Me senti culpada, por fazê-lo voltar para os Estados Unidos, para o casamento. Mas o que eu podia fazer? Não fui eu que o forcei a se casar comigo e, bem, eu não entendia uma palavra de francês. Como abriria mão da minha vida aqui, para me aventurar pela Europa? Todos nós sabíamos que o mais coerente era trazer Tyler de volta. Nenhuma outra opção foi se quer cogitada, mas ainda assim, eu sentia que não era justo vê-lo mudando a sua vida por causa desse casamento, enquanto a minha rotina parecia bem menos confusa e alterada. Mas era o preço que tínhamos que pagar. Como uma fatura de cartão de crédito, como se os nossos pais tivessem pedido emprestado, estourado o limite e esquecido de pagar. E agora, quando eles podiam nos justificar dizendo que estavam comprando remédios e não tinham como pagar a conta, eles preferiam, sem nenhuma desculpa, deixar a fatura vencer nas nossas mãos. Encarei o prédio do lado de fora, o tapete vermelho guiando desde a calçada, até a portaria. Uma multidão de fotógrafos, muito mais do que eu imaginei, cercava o espaço e começava a se amontoar em volta do carro. Era hora de encararmos a realidade, a nossa fatura vencida e os juros que custariam caro.
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