Pré-visualização gratuita 1º capítulo - Encontro
Anna...
Me chamo Anna, tenho de 22 anos, sou bolsista, estudante de psicologia e estou no último ano da faculdade. Tenho um objetivo bem definido por isso sou focada nos meus estudos e concílio a vida acadêmica com o trabalho voluntário que faço numa ONG que trata crianças com transtorno do espectro autista (TEA), além disso, faço um estágio de meio período numa clínica de psicologia, que também atende crianças. Procuro ser o máximo organizada e ter controle sobre todos os aspectos da minha vida. Moro sozinha desde os meus 20 anos por opção própria e não permito que nada tire o foco dos meus objetivos que é me formar e seguir carreira clínica atendendo crianças com algum tipo de dificuldade intelectual.
Não costumo sair de casa para me divertir, a minha rotina é sempre a mesma, ONG, meu estágio e a faculdade. Aos finais de semana aproveito para me concentrar no TCC, pois em poucos meses terei que apresentá-lo e preciso de uma excelente nota para conseguir bolsa para minha pós. Como moro sozinha, procuro sempre tirar um tempinho para ir à casa dos meus pais, moro sozinha por opção e um colinho de mãe é para onde sempre quero ir quando me sinto solitária e precisando de um pouco de atenção.
Há alguns anos vi a minha vida ser destruída por um monstro, essa é uma parte dela que nunca dividi com ninguém, nem ao menos com os meus pais. Eu nunca me senti tão vulnerável e tão impotente e por isso pensei que nunca poderia me apaixonar por alguém, até conhecer Karl, ele também é voluntário na ONG e trabalha em dias alternados com as mesmas crianças que eu. Não sei muito sobre ele, nunca conversamos e o que sei é apenas aquilo que vejo, que ele é militar, pois na maioria das vezes vem a ONG de farda fazendo as crianças vê-lo como um super-herói, elas têm verdadeira adoração por ele. É incrível a facilidade que ele tem em se aproximar das crianças, mesmo aquelas que com mais dificuldade de contato, mas algo em Karl faz com que as crianças se entreguem a ele, como se elas conseguissem ver algo além do físico, e essa entrega é surpreendente.
Karl é alto, claro, tem um olhar expressivo e eu sinto-me nua quando percebo que ele me olha, o seu sorriso então, me deixa sem ar. Não sei se ele é comprometido, casado imagino que não, pois ele não usa aliança, mas um relacionamento? É bem provável, afinal como alguém como ele não teria uma namorada? Somos voluntários há alguns anos, mas Karl ficou um período sem aparecer, acho que ele passou por problemas familiares, mas sei muito pouco a respeito. Nunca conversamos, tivemos alguns encontros no corredor, mas trocamos apenas um olá, sou muito introvertida e além disso, sinto-me estranha na presença de Karl, sempre que ele se aproxima o meu coração dispara, sinto como se ele fosse sair a qualquer momento, as minhas mãos começas a suar frio, fico estática. Por isso, nunca consegui dizer mais que oi e ficar me lamentando depois por não conseguir desenvolver uma conversa com ele.
Karl também é muito reservado, quando está com as crianças se dedica exclusivamente a elas, nunca vi ele afastar-se das crianças para conversar com outras pessoas, o seu momento é exclusivo delas, a sua dedicação é total. Como se essas crianças trouxessem algo bom para Karl, tamanha sua devoção. Na maioria das vezes, está de farda, talvez por isso passe um ar mais sério, mais fechado, mas quando sorri tudo em volta se ilumina. Os seus cabelos são claros, não chega a ser loiro, mas um tom mais claro de castanho, usa um corte mais social que harmoniza perfeitamente com o seu rosto. Ele é perfeito e eu poderia ficar horas admirando o seu sorriso e imaginando como seria um encontro com ele. Acho inclusive que os meus suspiros por ele já estavam levantando suspeitas de Thyna.
Thyna é fisioterapeuta da ONG e já faz esse trabalho com as crianças a 8 anos, foi através dela que conheci esse projeto, na verdade, precisei fazer um trabalho para faculdade e descobri pelo i********: uma página que ela administra e que mostra o dia a dia das crianças na ONG, puxei conversa para entender melhor como funcionava e para ter as informações necessárias para realizar o meu trabalho ela me convidou para visitar a ONG, foi amor à primeira vista e poucos dias depois já estava trabalhando como voluntária. Acho que o amor que Thyna tem por esse trabalho me contagiou e confesso que foi uma das melhores decisões da minha vida.
Thyna é solteira, já está chegando nos 30 anos e vive em busca de uma paixão avassaladora e está sempre em busca de histórias de amor, parece que ela rastreia no ar o cheiro de amor, rsrs. Nunca comentei nada sobre Karl, mas Thyna já tentou saber se eu sinto alguma coisa por ele, pois ela sempre diz que os meus olhos não negam. Nunca falei nada a respeito, pois a última coisa que preciso é me envolver em fofoca na ONG. Sou muito reservada e não gosto de misturar a minha vida pessoal, então melhor que ninguém saiba o que sinto por Karl. Até mesmo porque não tem nenhum possibilidade de ir para frente.
Sai de casa há dois anos, apesar de ser muito apegada a minha família, sempre quis ter a minha independência. Comecei a trabalhar como aprendiz aos 14 anos e desde então me organizei para comprar o meu primeiro apartamento, sou bolsista na faculdade e por isso consegui comprá-lo há dois anos. O meu apartamento é pequenininho, mas tem a minha identidade em cada cantinho, a minha casa é o meu refúgio, é um lugar que amo voltar ao final de cada dia. Fica bem localizado e facilita muito o meu deslocamento, pois ainda não tenho carro, sou muito comprometida e organizada com a minha vida, gosto de ter o controle de tudo e esse sentimento por Karl é o único ponto que me incomoda. Nunca me apaixonei, mas sei o que esse tipo de sentimento pode me causar. Sou extremamente romântica, de sonhar com um príncipe encantado montado num cavalo branco e lidar com um sentimento assim não poderia ser algo positivo para mim. Por isso, o melhor é manter-me distante de Karl, e evitar qualquer contato para não me machucar.
O encontro...
Concilio o meu tempo com a clínica onde faço o meu estágio, a ONG e a faculdade. Mas na ONG sinto paixão por estar, adoro as crianças e quando estou com elas nem vejo o tempo passar. Certo dia me distraí com as crianças e quando me dei conta já estava super atrasada para a faculdade, não podia perder a aula, pois era super importante o conteúdo e ele ia complementar o meu TCC. Quando percebi, juntei os meus objetos, despedi-me das crianças e saí correndo pelos corredores como uma louca e não poderia ser diferente por ser eu, bati de frente em alguém e fui direto ao chão. Era incrível como eu tinha esse poder, estava sempre no chão após trombar em algo ou em alguém. Desta vez senti algo diferente, mas morrendo de vergonha apenas olhava para chão, balançando a cabeça em sinal de reprovação por minha estupidez. Por que isso sempre acontecia?
Percebi então uma mão estendida como apoio para que eu pudesse me levantar, morrendo de vergonha, nem olhei de quem se tratava, estava sem graça, apenas aceitei a ajuda e ao ficar de pé percebi que era Karl. Ele me olhou fixamente e umedeceu seus lábios com a ponta da língua. Senti na hora o meu corpo reagir, fiquei paralisada até que ele se desculpou;
_ Me desculpe, estava distraído e não percebi que você vinha correndo, se machucou? Se precisar podemos ir até a posto de enfermagem, a sua mão está fria.
Não consegui dizer nenhuma palavra, estava congelada admirando ainda os olhos de Karl, como alguém podia mexer tanto comigo? Então Karl disse mais uma vez;
_ Posso acompanhar você até lá, você está pálida e pode ter tido uma queda de pressão.
Consegui então me recuperar e sem graça disse que estava atrasada.
_ Não precisa, está tudo bem. Me desculpe também, mas preciso ir estou muito atrasada.
_ Acho que você não devia sair assim, você não parece bem.
_ Estou, sim, obrigada por me ajudar e desculpe-me também. Estou muito atrasada para a faculdade e tenho aulas importantes hoje por isso estava correndo. Mais uma vez me desculpe e não se preocupe está tudo bem comigo. Tenho que ir agora.
_ Se você diz que está bem, tudo bem então. O seu nome é Anna, não é?
_ Sim.
Respondi empolgada por ele saber o meu nome.
_ E você é Karl?
_ Sim, somos voluntários no mesmo grupo de crianças. Já te vi algumas vezes, e acho muito bonito o trabalho que você faz com elas.
Fiquei encantada por saber que ele sabia o meu nome, mas não podia conversar com Karl, por mais que quisesse aproveitar aquele momento e saber mais sobre ele, estava muito atrasada para a faculdade e precisava ir.
_Karl, me desculpe, mas realmente preciso ir.
_ Claro, vai lá. E tome cuidado, você realmente não me parece bem.
_ Não se preocupe, estou bem sim pode deixar, tomarei cuidado.
Falei desconcertada e sai.
Durante todo caminho até a faculdade fiquei pensando em Karl. Como ele podia mexer tanto comigo e que reação foi aquela do meu corpo quando o vi umedecer seus lábios. Meu Deus, como queria poder beijá-lo. A sua boca apesar de pequena, tinha tom suave de rosa. _Como ele é lindo!
Cheguei na faculdade, mas não consegui me concentrar em nada, era como se não estivesse ali. Karl não saia da minha cabeça, seu sorriso, sua boca, me lembrei do choque e como o seu abdome era firme. Meu Deus, estou perdida agora, como vou tirá-lo da minha cabeça?
Como não consegui concentrar-me, após o intervalo preferi ir para casa, precisava colocar os meus pensamentos em ordem, mesmo me lembrando a todo momento de Karl, não podia deixar esse sentimento que tenho por ele crescer, não posso perder agora o controle da minha vida. Não estou pronta para me envolver com alguém, mesmo que esse alguém seja Karl. Vou focar em minha faculdade, preciso de 100% neste TCC para conseguir outra bolsa para minha pós. Não posso colocar tudo a perder agora.