Ivy O ar da cafeteria era morno, perfumado por café moído na hora e por alguma música suave que tocava ao fundo, quase tímida demais para existir. E mesmo assim, naquele instante, tudo me pareceu barulhento demais. Estava difícil respirar. Porque eu a vi antes que ele percebesse. Uma mulher — bonita, impecável, corpo moldado para ser visto, olhos calculados — olhava para Nicolas com um tipo de interesse que eu conhecia bem demais. Olhar lento. Olhar avaliando. Olhar que despia antes de tocar. E eu senti. Senti um calor subindo pelo meu pescoço. Senti a pele arrepiar. Senti o estômago contrair como se eu tivesse engolido algo que não cabia em mim. Senti ciúmes. A palavra veio inteira, cheia, ardendo, como uma verdade que eu jamais admitiria em voz alta. Mas estava ali. Respir

