Ivy A luz do final da tarde entrava pelas janelas altas da sala dele, derramando um brilho dourado sobre tudo — sobre os livros alinhados, sobre o carpete cinza, sobre a mesa onde tantas decisões foram tomadas. E sobre ele. Nicolas estava ali, de pé, de costas para mim, olhando para a cidade como se estivesse tentando controlar algo que escapava pelas frestas da própria respiração. As mãos estavam nos bolsos. Os ombros, tensos. A mandíbula, marcada. E eu… Meu corpo inteiro reconhecia quando ele estava lutando consigo mesmo. Reconhecia porque eu estava lutando também. Desde a cafeteria, desde o momento em que o ciúme me atravessou com força demais, tudo ficou diferente. O ar ao redor dele parecia mais quente. O silêncio ficava mais cheio. E meu corpo— meu corpo lembrava demais.

