Nicolas A noite havia caído faz tempo, mas dentro de mim o escuro parecia mais antigo. Mais profundo. Mais silencioso. Estou sentado no sofá da sala, sem acender as luzes. A cidade brilha lá fora, mas aqui dentro tudo ainda tem o cheiro e a temperatura dela. Ivy atravessou este espaço horas atrás, e ainda assim parece que o ar se recusa a deixá-la ir. Meu corpo ainda sente o momento em que ela recuou. A proximidade. O quase-beijo. A respiração presa entre nós. E a dor que veio logo depois. Não porque ela fugiu. Mas porque eu sabia — eu sabia — que a fuga dela tinha meu nome escrito na origem. Encosto os cotovelos nos joelhos, passando a mão pelo rosto. Não sei quanto tempo fico assim. O relógio marca minutos que não reconheço. Mas minha memória insiste em voltar ao mesmo lug

