Scarlett
Isso é errado. Eu sei disso até a medula. E, no entanto... enquanto os lábios de Dylan pressionam os meus, um calor antigo e uma ternura esquecida inundam meus sentidos. Faz tanto tempo que não me sinto assim. Segura. Amada. Querida.
Com Patrick, a i********e é árdua — uma obrigação fria, mecânica. Ele não se importa com meus sentimentos, tampouco com meu prazer. Para ele, o toque é um meio para um fim, desprovido de emoção ou desejo verdadeiro. E com o tempo, encontrou outros corpos para satisfazer suas necessidades. Hoje, o toque de Patrick é sinônimo de dor. Medo. Pavor. Nunca carinho. Nunca amor.
Mas o beijo de Dylan reacende uma faísca há muito enterrada dentro de mim. Suas mãos fortes seguram meu rosto com uma delicadeza reverente, os polegares acariciando minhas bochechas enquanto me puxa para mais perto. Eu me derreto nele, todo o peso do certo e do errado se dissolvendo no calor de seus lábios. Neste instante, só existe Dylan. E a necessidade avassaladora de me sentir viva. Amada. Escolhida.
Ele tem razão sobre o nosso passado. Fomos felizes. Éramos dois jovens apaixonados, cheios de sonhos, de promessas. Ríamos por qualquer coisa, jurávamos amor eterno sob o luar. Naquela época, o futuro parecia brilhante, um mundo só nosso à espera. Mas então tudo desmoronou. Ele se foi, e com ele levou o que restava do meu coração — e do nosso bebê. Fiquei quebrada. Sozinha.
Eu deveria afastá-lo agora. Exigir explicações, gritar, perguntar como ousa aparecer assim, invadir minha casa como se nada tivesse acontecido. Mas ele inclina a cabeça, aprofundando o beijo, seus braços me envolvendo como se eu fosse o único tesouro do mundo. E como posso lutar contra isso?
Apesar da razão me implorar que pare, minhas mãos agarram as lapelas do seu casaco, puxando-o para mais perto. Sei que é traição. Que estou quebrando os votos que fiz a Patrick. Mas nos braços de Dylan, sou novamente mulher, não sombra. A dor no meu peito cessa por um momento — e tudo o que resta é calor.
Suas mãos descem pelas minhas costas, seu toque gentil me arrepiando. Ele beija minha mandíbula, depois desliza os lábios até meu pescoço, onde murmura com a voz rouca:
— Tão linda…
Meus olhos se enchem de lágrimas. Não por tristeza. Mas por, pela primeira vez em tanto tempo, me sentir vista. Valorizada. O Dylan sempre foi assim — desde os nossos tempos mais jovens. Ele me olhava como se minha felicidade fosse a missão da sua vida.
— Eu preciso de você, Scarlett… preciso tanto de você.
Não. Eu deveria dizer não. Impedir esse colapso moral, interromper essa loucura. Mas... que mulher consegue resistir a um homem que a deseja com desespero? Que a quer com cada fibra do corpo? Eu não. Não uma mulher tão desesperadamente carente de amor.
Suas mãos deslizam sob a minha blusa e o calor do seu toque me faz suspirar. Uma onda de desejo há muito tempo esquecida acende uma chama nova, feroz.
— Diga que você sente isso também... que precisa tanto quanto eu. — Sua voz vibra contra minha pele.
— Sim. — Respondo, quase sem voz. Quase sem acreditar. Estou fazendo isso. Estou me entregando a Dylan. Depois de tudo. Depois de toda dor e ausência. Estou permitindo que ele me toque outra vez.
Ele me levanta com facilidade e me carrega escada acima. Por um instante, me sinto dentro de um romance proibido, algo entre o delírio e o sonho. Eu sei que é errado. Que isso não tem futuro. Mas, por uma noite, quero beijos doces. Quero paixão verdadeira.
Ele hesita ao chegar diante do quarto de hóspedes, mas então segue adiante até o quarto principal. Uma parte de mim hesita. A cama que divido com Patrick...
Mas quando Dylan me olha, com aquele desejo ardente misturado a algo mais — algo que pode ser amor —, eu me rendo.
As roupas se desfazem em nossas mãos trêmulas. Caímos sobre os lençóis, os corpos entrelaçados, como se o tempo nunca tivesse passado. Minhas mãos percorrem seu torso, reconhecendo e redescobrindo. Ele está mais forte. Mais sólido. É um homem feito — não o adolescente que um dia amei.
Ele se posiciona sobre mim, seus lábios traçando um caminho pelo meu pescoço. Um gemido escapa antes que eu consiga conter.
— Adoro os sons que você faz — murmura, os olhos fixos nos meus. Me lembro: ele sempre gostou de conversar durante o sexo. Para Dylan, o ato era conexão. Entrega.
Ele me beija com intensidade, sua língua explorando minha boca com desejo. Como se quisesse devorar cada pedaço de mim que o tempo roubou. Eu me arqueio em resposta, o corpo implorando mais.
— Deixe-me redescobrir você, Scarlett. — Sua voz é uma prece.
Ele desce mais, os lábios encontrando a curva da minha garganta antes de deslizar pelo meu peito. Sua língua lambe um mamilo antes de envolvê-lo com a boca.
— Oh… — suspiro, arqueando as costas quando uma onda quente me toma.
E, naquele momento, no silêncio entre nossos corpos entrelaçados, percebo: há cicatrizes em mim que só o amor pode alcançar. E Dylan, de algum modo, está tentando tocá-las com as mãos que um dia me perderam — e agora me procuram com fé.
Ele se move para o meu outro seio, levando-o à boca, passando a língua por ele. Meu corpo treme de desejo crescente.
Ele beija uma trilha descendo pela minha barriga, seus dedos traçando as curvas do meu corpo, descendo ainda mais até chegar ao ápice das minhas coxas. Minha b****a se contrai em antecipação. Ele me beija ali, sua língua sobre minha boceta..
— Oh... Deus...— Meus dedos se entrelaçam em seus cabelos grossos e escuros, segurando-o contra mim enquanto o prazer aumenta cada vez mais.
— Vem, Scarlett— ele murmura contra minha pele sensível. — Deixa eu te provar.
Sua língua está em mim novamente, lambendo, chupando, saboreando. Não demora muito. Meu corpo se contrai e então estremece enquanto o orgasmo mais doce me inunda. Ele continua a lamber e chupar até que eu me contorça e outro orgasmo me percorra.
— Dylan. — Eu suspiro e o puxo, precisando de um alívio.
Seus lábios deslizam de volta pelo meu corpo até capturar minha boca em um beijo firme. Sinto meu gosto em seus lábios.
— Você sente o quanto eu te quero?— Sua respiração está irregular enquanto seu p*u pressiona minha barriga.
Abro as pernas, precisando senti-lo dentro de mim mais do que preciso respirar.
Seus lábios cobrem os meus novamente enquanto ele me penetra, profundo e poderoso. Envolvo seus quadris com minhas pernas, seus ombros com meus braços e o abraço. A sensação é mais do que um prazer físico. É como se eu estivesse me tornando inteira novamente, e quero saborear isso o máximo que puder.
Ele balança contra mim.
— Tão apertada, querida... tão gostosa. Você sente?
Sim. Claro que sim. Ele é grosso e enorme, e cada movimento me transmite sensações deliciosas. Ele abaixa a cabeça, chupando meu mamilo enquanto entra e sai. Cada nervo do meu corpo está em ebulição com o ataque do seu toque, do seu gosto, do seu corpo consumindo o meu. Eu me entrego a isso, movendo-me com ele enquanto a necessidade aumenta cada vez mais.
— Porra... Estou perto... Scarlett…
Sua mão desliza entre nós e esfrega meu c******s.
Eu grito, meu corpo tremendo enquanto outro orgasmo poderoso me atinge.
— Sim... p***a… — Ele geme, seus movimentos se tornando mais frenéticos, mais fortes, mais rápidos até que ele grita novamente, seu corpo se contraindo com sua própria libertação, o calor me preenchendo.
Ele desaba sobre mim, e mesmo assim seu p*u continua pulsando, minha b****a apertando, até que finalmente nossos corpos, nossos corações, nossas respirações se acalmam.
Ele rola para longe de mim, mas me puxa para perto, seus braços me envolvem enquanto beija minha têmpora. O gesto é tão doce que meus olhos se enchem de lágrimas. Isso é errado, mas ainda não estou pronta para deixá-lo ir.
Então, deito, meu corpo entrelaçado ao dele, saboreando a sensação de ser acarinhada.
Mas não demora muito para que a culpa me atinja. Eu traí o Patrick. Não consigo acreditar. Não sou o tipo de mulher que trai. Não alguém que ama. Certo, então o amor que eu tinha pelo Patrick se foi há anos. Mas isso não muda o fato de eu ter feito uma promessa. Uma promessa que ele não cumpre, mas isso não me desculpa.
Mas não é só a culpa que ameaça me consumir. É a preocupação. A alegria que senti momentos atrás é substituída por uma inquietação crescente. O que Patrick fará se descobrir? Ele irá embora? Talvez, mas não sem me machucar física e emocionalmente. Ele poderia tentar levar Ellyse. Ou pior. Ele ameaçou fazer pior.
— Senti sua falta. — Os lábios de Dylan roçam suavemente minha bochecha, quentes e demorados o suficiente para despertar algo que tento reprimir. Fecho os olhos, tentando conter a enxurrada de emoções que guerreiam dentro de mim — saudade, culpa, desejo, medo.
— Eu também senti sua falta — admito, mesmo sabendo que não deveria. Mesmo sabendo que isso só vai complicar tudo ainda mais.
O toque abrupto de um telefone corta o ar, e meu corpo enrijece no mesmo instante. Se for o meu e eu não atender rápido, Patrick vai perceber que há algo errado. Ele sempre percebe.
— p***a. — Dylan desliza para fora da cama, pega suas calças do chão e retira o celular do bolso. — Matty. — Ele atende enquanto me observa, os olhos estreitos, atentos a cada movimento meu. — Vou me encontrar com ele. Preciso conversar com ele.
Algo no tom da voz dele — ou talvez na escolha cuidadosa das palavras — me diz que ele finalmente seguiu os passos do pai. Entrou de vez no mundo do crime organizado. Aquilo que deveria me afastar, parece só me atrair mais. A verdade é que a corrupção está por toda parte. Não sei os detalhes do que Patrick faz, mas sei que suas mãos estão longe de limpas. Talvez eu só esteja tentando racionalizar meus sentimentos por Dylan... talvez sempre tenha feito isso.
E no fim das contas, amar alguém como ele parece o menor dos meus pecados. O pior é ver Daniella crescer com medo, em silêncio, dentro de uma casa que nunca foi um lar.
— Chego aí em trinta minutos. Escuta, pode tentar entrar em contato com a Bonanno? — Pausa. — Quero te ver de novo. Hoje à noite. — Ele desliga e começa a se vestir, com os movimentos precisos de quem aprendeu a não perder tempo.
Parte de mim quer pedir que ele fique. Só mais um pouco. Mas a outra metade — a mais racional, a que ainda tenta sobreviver — suspira aliviada. Acabei de piorar tudo e não tenho a menor ideia de como consertar o que fiz.
— Desculpe. Tenho... negócios.
Arqueio uma sobrancelha, provocativa. — Negócios de família.
Ele sorri de canto. — Você ficará feliz em saber que agora temos muitos estabelecimentos legítimos.
Quero dizer que não importa. Que não podemos mais nos ver. Que isso tem que acabar, antes que destrua tudo que ainda resta em mim. Mas não consigo. Não agora. Não quando ele está aqui, com o cheiro dele ainda grudado nos meus lençóis, com sua voz dizendo meu nome como se eu ainda importasse.
Quero guardar esse momento. Mesmo cheio de culpa. Mesmo sabendo que é errado.
Ele termina de se vestir e volta até a beira da cama, se inclinando sobre mim, o rosto a centímetros do meu.
— Você é minha.
Abro a boca para protestar, mas ele me beija antes que eu diga qualquer coisa. Um beijo lento, profundo, carregado de promessas e riscos.
— Vou te fazer feliz, Scarlett. Eu prometo. — Ele me dá outro beijo, mais breve. Então sai do quarto, sem olhar para trás.
Eu me jogo contra os travesseiros, atordoada, tentando entender o que diabos vai acontecer agora. Os sinos de alerta soam alto, ensurdecedores. Não é só o medo de Patrick descobrir e me punir. É o medo de algo ainda mais perigoso:
Me apaixonar por Dylan. Outra vez.