Capítulo 9

1238 Palavras
Dylan A última coisa que eu quero é deixar Scarlett. Quando cheguei esta manhã, meu objetivo era simples: conversar com ela, nos reconectar, tentar reconstruir o que perdemos. Mas, de alguma forma, acabei em sua cama, fazendo amor como se o tempo não tivesse passado. A sensação de sua pele macia, o som de sua respiração ofegante, seus gemidos… tudo era tão familiar — e ainda assim parecia completamente novo. Enquanto a segurava em meus braços, uma profunda sensação de contentamento tomou conta de mim. Era ali que eu pertencia. Com ela. Passei anos tentando seguir em frente, me convencer de que os sentimentos que tive por Scarlett foram apenas uma paixão juvenil, uma febre adolescente. Mas bastou vê-la novamente para tudo voltar à tona. Mais forte. Mais visceral. Todas as dúvidas desapareceram. Ela é minha. Claro, há complicações. Logísticas, alianças, expectativas familiares. Preciso romper meu noivado, desfazer o casamento dela. Mas que tipo de i****a é o homem que se casou com ela e não percebe o que tem? Que não se dá ao trabalho de mantê-la feliz? Scarlett não está feliz. Posso ver isso nos olhos dela. Aquele brilho travesso, a centelha de desafio… sumiram. E sei que ela jamais permitiria que outro homem a tocasse se estivesse satisfeita com quem tem em casa. Ela não é do tipo que trai por capricho. A questão agora é: o marido dela vai embora em silêncio? Por bem dele, espero que sim. Mas se não, estou preparado. Não hesitarei em fazê-lo desaparecer. Ninguém vai se meter entre mim e Scarlett — nem a lei, nem minha família. Esperei oito longos anos por esse momento. E não vou deixá-la escapar de novo. Gostaria de poder ficar com ela agora, mas as responsabilidades me chamam. Os negócios me aguardam. E, claro, o problema do meu casamento iminente com Ava Bonanno. A aliança entre nossas famílias é delicada, e romper esse noivado não será bem aceito. Preciso encontrar uma maneira de apaziguar Dimitri sem mergulhar tudo em guerra. Quando chego ao meu escritório, minha mente muda para o modo implacável necessário para liderar nossa organização. — Onde você esteve, chefe? — pergunta Matteo, andando atrás de mim até a sala. — Ocupado. Não estou pronto para contar sobre Scarlett nem para falar do fim iminente do meu noivado. Ainda não. — O que? Foi Matias? — Está se recusando a calcular as porcentagens de novo. Reviro os olhos. Em outros tempos, homens como Matias acabavam com uma bala na testa. Hoje, somos mais sutis. E, com a possibilidade dele estar colaborando com o FBI, um “desaparecimento” seria mais problemático que efetivo. — Eu cuido disso. E os Bonanno? — Entrei em contato. Ele pensa que é sobre o casamento. Concordo com um aceno. — É. Passo rapidamente por outros assuntos, reviso relatórios dos negócios legítimos e ilegítimos, lanço ordens, e então sigo para visitar Matias. Durante o trajeto até a loja de fachada que ele usa para esconder as apostas ilegais, minha mente se volta novamente para Scarlett. A curva do seu corpo, a forma como ela se entregou ao meu toque. A lembrança da entrega em seus olhos quando finalmente se rendeu... É como uma febre que não consigo suprimir. Quando me despeço de Matias, ele está devidamente advertido. Minhas ameaças são medidas, veladas em um tom calmo, quase cordial — mas ele entendeu. E sabe que, se vacilar de novo, o lago o espera. Mais tarde, em casa, respiro fundo ao atravessar o saguão. O jantar com os Bonanno se aproxima, e preciso estar preparado. Sei que Dimitri exigirá mais que palavras. Vai querer sangue ou um prêmio de consolação. Vou ao escritório pegar uma bebida. Encontro minha irmã já lá, com uma taça de vinho na mão e os olhos afiados como navalhas. — Por que esse jantar de última hora com os Bonanno? Dou de ombros, servindo-me de uísque. — De repente, você quer participar dos planos do casamento? — Onde está o Matteo? — pergunto, desviando do interrogatório. Ela cruza os braços, desconfiada. Provavelmente sente que algo está fora do lugar. E está. — Aqui. — Matteo entra e serve-se também. — Ouvi dizer que Matias está se comportando. Você bateu nele? — r**m o suficiente para fazer doer. — Ele vai chorar de novo. — Matteo ri. — Logo vai nos forçar a fazer algo mais permanente. — Ele gosta do lago… Às vezes, coisas ruins acontecem lá. Vamos ver se ele se controla antes de alimentar os peixes. Harper cruza os braços. — Você deveria falar com ele sobre Henry. Ele foi um dos últimos a vê-lo. Respiro fundo. Queria que ela aceitasse que nosso irmão morreu. Já pressionei Matias, e duvido que ele tenha culhões para se envolver nisso. — Agora preciso me preparar para o jantar. Subo, me refresco e desço quando me informam da chegada dos Bonanno. Estou irritado por ele ter trazido Ava. Não quero machucá-la — mas ele claramente não entendeu o propósito dessa reunião. — Obrigado por virem, Dimitri. Ava. — Cumprimento os dois, conduzo-os à sala de jantar onde Harper e Matteo já estão. Durante os primeiros minutos, trocamos amenidades e brindes. Quando o prato principal é servido, pigarreio e encaro os presentes. — Tenho uma notícia inesperada. Todos os olhares se voltam para mim. Dimitri franze a testa, já em alerta. — Não poderei me casar em duas semanas. — De quanto tempo precisa? — ele pergunta, com tensão contida. — Deixe-me reformular. Não me casarei com sua filha. O silêncio que se segue é esmagador. Dimitri cerra os punhos. — Como é? — Você é um homem respeitável. Ava é uma mulher encantadora. Mas essa decisão é pessoal. Não é culpa de vocês. — Pessoal? — ele cospe a palavra com escárnio. — Você me chama aqui para isso? Espera que eu aceite calado? — Não. Espero que compreenda que não posso forçar um casamento sem amor. — Isso não é por amor, garoto. Isso é negócio. É sobrevivência. Seu pai sabia disso. — Meu pai se foi. E eu sou quem está no comando agora. Dimitri bate com força na mesa, os utensílios pulando com o impacto. — Você vai se casar com ela. Ou pagará o preço. — A decisão é final. — Está cometendo um erro que vai custar caro. Ele se levanta abruptamente, arrastando Ava consigo. — Vamos, Ava. O som da porta batendo ecoa pela casa. — Bem... isso foi divertido. — Matteo corta sua carne com um sorriso. — Que diabos foi isso, Dylan? — Harper se ergue da cadeira, furiosa. — Você sabe o que acabou de fazer? — Sei exatamente o que fiz. E não me arrependo. — Você está destruindo tudo. Tudo o que papai construiu! — Então se case com ela você. Ou o Matteo. — Eu? — Por que não? Ela é bonita, obediente… — O acordo era com você — Harper diz, dura. — O acordo acabou. Não posso me casar com uma mulher se meu coração pertence a outra. — Coração? — Harper ri, incrédula. — Isso aqui não é conto de fadas. Suspiro, exausto. — Scarlett voltou. A expressão dela desmorona. — Meu Deus, Dylan... — Eu a amo. Nunca deixei de amar. Harper balança a cabeça, consternada. — Você vai afundar esta família por um romance de adolescência. Olho nos olhos dela. — Não é adolescência. É destino.
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