Capítulo 3

965 Palavras
Anne Não consigo acreditar que estava em meu juízo perfeito, quando deixei minha amiga me convencer dessa ideia. Porém, quando ela falou no visto, tocou no meu ponto fraco. Quando ela me apontou que, com esse casamento, eu seria vista como uma cidadã americana e, num futuro bem próximo, poderia estender essa cidadania para minha mãe e irmãos pequenos, enquanto os meus velhos teriam meu apoio, foi impossível dizer não. Ninguém poderia me julgar por agir assim, afinal, seria um jogo de interesse mútuo. Sempre sonhei em me casar por amor, mas amor não paga boletos, então prefiro deixar as coisas rolarem e talvez isso dê certo. E foi por causa desse compilado de coisas, que tomei coragem e agora estou aqui, sentada à mesa, com duas pessoas desconhecidas, em um dos restaurantes mais chiques e caros que já pisei, sem conseguir parar de pensar na loucura que estou prestes a embarcar. Confesso que não será nenhum sacrifício, porque o homem é lindo. Posso até dizer que é o mais lindo que já vi. Olhos azuis, cabelos devidamente penteados para trás, os músculos desenhados em seu terno e um olhar extremamente penetrante. Quando a Nanda comentou ter certeza de que eu viria, apenas concordei revirei, deixaria para matá-la depois. Não estava conseguindo falar nada, principalmente quando vi o homem me olhar por inteira. Aquilo causou um arrepio insano em minha nuca. — Gente, essa é a Anne, minha melhor amiga — Nanda me apresenta, após eu me sentar, dando um sorriso carinhoso para mim — Esse é o Dominick, meu futuro cunhado. Respiro fundo, olhando para ele, sorrindo simpático. — É um prazer te conhecer. — digo. Dominick aproxima o corpo do meu, chegando bem perto do meu ouvido. — O prazer é todo meu... — sua voz soa como um sussurro, fazendo-me passar a língua nos lábios. Sinto todo meu corpo se arrepiar. O garçom chega, nos entregando o menu com o cardápio e anota nossos pedidos. Como não estou acostumada a frequentar lugares assim, fico assustada com o preço de tudo, mas tento não demonstrar. Fernanda, com seu jeito espevitado de ser, puxa assunto e não demora a se entrosar com o Eduardo. Sinto, ainda que discretamente, o olhar do Dominick queimar sobre meu corpo. Ele não diz nada, apenas me olha atentamente. O garçom retorna com nossos pedidos e jantamos tranquilamente. Eduardo olha para Dominick, ambos parecem conversar pelo olhar, até que meu noivo concorda com a cabeça. Ele simplesmente se levanta, estende sua mão na minha direção, como um convite silencioso. Com delicadeza, repouso minha mão sobre a sua e me levanto, ele enlaça minha cintura, deixando nossos corpos colados lateralmente, enquanto caminhamos. Sei que tudo isso não passa de fingimento, um teatro para todos que estão aqui e conhecem sua fama, mas isso não evita o frio que sinto na barriga. Ele me guia pelo restaurante, até o jardim, muito lindo por sinal. A noite está linda, a lua iluminando tudo, os flocos de neve caem e pintam o chão. É final da estação do inverno, mas esse cenário é incrível, apesar do frio. — Ainda não vou te pedir em casamento, porque, mesmo sabendo que amanhã mesmo estaríamos estampados nas capas das revistas, devido a quantidade de paparazzis lá fora, seria repentino demais. Mas em algum momento terei que fazer isso, então essa é sua última chance, caso queira mudar de ideia, ainda dá tempo. Quero deixar bem claro que não sou o tipo de cara que dá flores, o máximo que poderá haver entre nós será uma boa f**a e, levando em conta o quão gostosa você é e a atração s****l que se instalou entre nós, isso não vai demorar a acontecer. — entreabro os lábios, surpresa com suas palavras. Eu poderia retrucá-lo, mas ele tem razão, a tensão s****l entre nós está quase palpável. Eu só não esperava que ele falasse sobre isso tão abertamente. — Se quiser voltar atrás, fique à vontade, mas saiba que, caso aceite seguir em frente, não terá nada de mim, sentimentalmente falando. — admito que suas palavras são como uma faca penetrando o meu peito, pois não foi dessa forma que imaginei um dia me casar com alguém, mas levando em conta a minha situação atual, não me restam muitas opções. — Sim, eu tenho certeza. — falo convicta, após respirar fundo. Dominick entra no teatro, me dando um sorriso ainda maior. — Temos que passar a imagem de um casal feliz e apaixonado, se quisermos convencer os paparazzis. — sussurro baixinho, passando minha mão pelo seu cabelo em um gesto de carinho. — Como? Não sou muito bom nisso... — Me beija. — peço, sorrindo. — Será uma honra. — ignoro completamente o duplo sentido em sua voz. Sua mão envolve meu quadril, colando nossos corpos. Logo em seguida, sua mão livre vai até o meu pescoço e aos poucos aproxima nossos rostos. Já de olhos fechados, sentindo seu hálito que, diante do clima gélido, é a única coisa que aquece minha pele, vou cedendo. Quando sinto seus lábios em contato com o meu, meu coração parece querer saltar do peito, eu levo minha mão até sua nuca, segurando alguns fios de cabelo e dando leves puxadas. A ponta de sua língua toca em meu lábio inferior, pedindo passagem e eu cedo, dando início ao primeiro beijo com o meu futuro marido. Envolvente, lento e calmo, como em uma novela, fazendo um friozinho percorrer meu corpo inteiro. Depois de algum tempo, tão entregue ao momento quanto eu, Dominick se afasta, parecendo se dar conta de que se deixou envolver demais. — Agora todos sabem que você é minha, isso é o suficiente. Vamos entrar. — diz de um jeito sério e tira o terno, o colocando sobre meus ombros.
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