Dominick
Saio da sala de reuniões tentando manter meu semblante sério de sempre, sem deixar transparecer como a raiva está me corroendo por dentro. Não posso fazer isso, seria como entregar que estão conseguindo o que querem, por isso só me permito demonstrar tal sentimento ao adentrar a minha sala, pegar um copo do meu minibar e jogá-lo contra a parede, vendo-o se espatifar em vários pedaços no chão.
Sou dono de uma rede de cosméticos. Um negócio que conquistei com muito esforço e suor, uma rede grande e reconhecida mundialmente, está entre uma das maiores e mais importantes do mundo. É uma honra ter tal visibilidade, mas para isso não é tão fácil. Principalmente quando não tenho o apoio do homem que mais admiro...
O sonho de meu pai era me ver a frente dos negócios da família, principalmente porque como ele mesmo afirma, não saiu da Itália à toa, para ver seus negócios irem parar na mão de qualquer pessoa, porém, eu nunca quis isso, sempre ambicionei crescer por mérito e não por causa de um sobrenome.
Hoje em dia sou conhecido por trabalhar de mais, por isso consegui tal credibilidade. Mas isso só aconteceu quando peguei a mulher que eu amava, na cama com outro.
Mas isso me mudou, tirou o meu sorriso e colocou uma carranca no lugar. Aprendi a não confiar em ninguém, não demonstrar meus sentimentos. Mulher, para mim, só serve para uma noite alucinante de muito prazer e nada mais.
E por isso é tão difícil aceitar o acordo que estão tentando me fazer engolir sem uma gota de água.
Tem uma empresa com a qual pretendo fazer sociedade, porque sei o quanto vai ser bom para a minha, mas o dono sabe disso e está querendo tirar proveito. Só quer fazer o acordo caso eu me case, mas isso é apenas uma desculpa para me empurrar sua filha, que de bonita não tem nada. Nem mesmo pagando uma multa super alta, caso seja descoberta alguma traição, algum ato de agressão ou se eu pedir o divórcio, nada disso adiantaria. Ou seja, aceitar isso é a mesma coisa que assinar prisão perpétua.
Decidi reunir convocar meu advogado e outras pessoas para uma reunião e fiz de tudo o cara enxergar o quão grotesca era aquela ideia. Casamento arranjado em pleno século vinte e um? Tenha dó! Tentamos persuadi-lo de diversas maneiras, mas ele rapidamente fazia questão de rebater, me dando cada vez mais vontade de matá-lo. Se eu pudesse, arrancaria seu pescoço ali mesmo naquela sala.
Ele sabe a reputação que vai trazer para a empresa dele, o quanto irá valorizar seu trabalho, colocando uma de suas filhas como minha esposa. Mas isso, nem fodendö!
Pego um outro copo, o enchendo outra vez. Não penso duas vezes antes de entornar o líquido na minha garganta, sentido o líquido descer queimando. Estou preparando outra dose, quando a porta da minha sala é aberta e o i****a que eu chamo de amigo passa por ela, caminhando em minha direção com um sorriso sacana nos lábios.
— E aí, vamos sair pra comemorar? — Eduardo pergunta.
— Comemorar o quê? Você não estava naquela sala? Não viu que o desgraçado me ferrou? Não consegui mudar o contrato e a única forma de obter a aliança continua sendo através do casamento. — o lembrei de tudo que foi dito na reunião, com o objetivo de tirar o seu sorriso também.
— Por que você não se casa?
— Tá louco? — rebato em seguida.
— Não com ela, com outra pessoa. A gente sabe que ele quer te forçar a casar com a filhinha mimada, mas em momento algum ele falou que tinha que ser com ela, afinal, ele jamais faria isso por querer manter a fachada de homem, então é só você se casar com outra. Um casamento por contrato que vai te ajudar conseguir esse e outros contatos, depois de um tempo estipulado, você se divorcia e transfere um valor para a conta dessa pessoa — começo a me interessar por sua ideia — Não precisa ser muito tempo, apenas o tempo necessário. Aí durante o casamento você vai bancando o apaixonado, sempre saindo em lugares públicos para demonstrar o quanto estão felizes e essas coisas.
— Dessa forma, todos que estão querendo usar essa tática direta ou indiretamente, vão ser obrigados a redefinir o contrato, caso eu esteja casado. Aí a situação vai virar, porque eu estaria no controle da situação novamente. Sem contar que eu passaria a imagem de que estou construindo uma família, me dando mais credibilidade para esse mercado. — por incrível que pareça, concordo com essa loucura.
Já estou na merda mesmo.
— Exato! — meu amigo concorda, esboçando seu sorrisinho cínico — Agora temos um motivo pra comemorar, vamos?
Estalei a língua para ele.
— Mas com quem eu me casaria? — pergunto, ignorando sua palhaçada e passando o dedo na borda do copo de Vodca, com o olhar distante.
— Com um de seus casos.
— Não, são todas muitos superficiais. Não iria aguentar ficar muito tempo com nenhuma daquelas mulheres.
Ele abaixa a cabeça, parecendo pensar. Eu faço a mesma coisa, pensando em todas as mulheres que eu conheço, se não tem como uma delas ser a minha parceira. Mas logo descarto todas, por serem todas superficiais demais, querendo estar comigo sempre pelo meu status e dinheiro, para estar nas capas de revistas e terem acesso infinito as minhas contas bancárias.
Não, não e não!
Mäl aguento ficar com elas após o sexö, que dirá dividir a casa por um tempo. Sem chance alguma. Meu humor iria piorar e eu poderia acabar fazendo uma besteira da qual me arrependeria. Então, me conhecendo bem, é melhor nem tentar e evitar uma confusão ou até mesmo uma tragédia.
— A melhor amiga da minha ficante. Ela é brasileira e, pelo que a gostosinha me falou, está prestes a ser deportada, caso não consiga um motivo para ficar dentro de três meses, porque estava aqui com o visto de estudante e já se formou, então temos o motivo perfeito para ela aceitar. Sem contar que, pelo que a Fernanda fala, ela deve ser linda. — tira o celular do bolso, olhando para mim, sem me dar tempo para recusar sua proposta.
Dou de ombros, achando que pode ser uma boa. Dando a entender que ele pode ligar para a tal mulher e tentar marcar um encontro o mais rápido possível.
Como ela é brasileira, deve querer aproveitar esse casamento para conseguir o visto de cidadã americana. O que leva em torno de cinco anos, mas se ela realmente for bonita como a ficante do Edu deu a entender, tenho certeza de que valerá a pena. Sem falar nos contratos que conseguirei ao longo desses anos. Ela me parece ser a mulher perfeita para isso.
Ele liga e no início tem aquele papo todo meloso, de quem está querendo garantir a f**a de mais tarde. Logo chega ao assunto que realmente interessa, me deixando levemente ansioso. Eles ficam um bom tempo em ligação, com ele dando detalhes sobre tudo, até que no final, marcam um horário em um restaurante que costumamos frequentar e o Edu desliga, me olhando com um sorriso nos lábios.
Imediatamente, peço a minha secretária para reservar as nossas mesas. Então é somente uma questão de esperar o fim do dia.
Talvez eu estivesse muito ansioso por resolver esse meu problema, porque nunca fiquei tão agoniado, a ponto de tentar imaginar como poderia ser a tal mulher. Mas foi exatamente assim que passei o restante do expediente, sem nem mesmo conseguir focar no que era importante.
(...)
Ao fim do dia, antes de ir ao encontro marcado, tanto eu, quanto o Edu fomos para casa, afinal, passamos o dia inteiro usando a mesma roupa e eu não gostaria que minha talvez futura esposa me conhecesse cheirando m*l. Por isso, coloquei um dos meus melhores ternos e logo estava a caminho do restaurante.
No horário marcado, Edu e eu chegamos praticamente juntos. Estaciono o carro, descemos e seguimos em direção a entrada do estabelecimento.
Já sentados, meus olhos não saem um segundo sequer da entrada do restaurante, esperando que a qualquer momento ela passe por ali, mesmo sem eu saber quem é.
A primeira a chegar é a amiga do Edu, a qual ele já havia me mostrado fotos. Loira de olhos azuis e um corpo mediano. Bonita, mas está dentro dos nossos padrões novaiorquinos e, pelo que o Edu falou sobre a tal mulher, parece ser um tanto diferente, por isso deduzo não ser ela.
— Cadê a nossa menina? — meu amigo pergunta, se levantando e afastando a cadeira para que sua acompanhante se sente.
— Estava terminando de se arrumar, logo deve chegar aqui, não é do feitio da Anne se atrasar. Eu adiantei, porque vim direto do trabalho.
— Como ela é? —pergunto, sentindo a ansiedade acabar com meus nervos.
— Bonita é pouco para definir, e pode deixar que você vai reconhecê-la. Aquela ali não passa despercebida nunca.
Começamos alguns assuntos aleatórios, apesar de eu não conseguir prestar atenção no que eles falam, até uma mulher passar pela porta do lugar. Cabelos longos, negros como a cor da noite. Os lábios carnudos e muito bem pintados de vermelho, chamam a atenção mesmo de longe.
Vejo ela falar algo com a recepcionista e no final agradecer com um sorriso. Putä merda! Que sorriso mais lindo.
Um funcionário vai até ela, pega o seu casaco e me revela um corpo lindo. Aliás, pelo visto, não sou o único a ficar de queixo caído, já que outros homens que estão no lugar — mesmo os que estão acompanhados — a estão encarando.
Ela está usando um vestido preto, que destaca cada uma de suas curvas. Tem um cordão que termina bem no meio de seus seiös, fazendo nosso olhar se encontrar naquelas belezas tão lindas e fartas. Pelo seu quadril, enquanto ela caminha em nossa direção, já dá para perceber que atrás o pacote também é grande.
— Sua noiva. — Fernanda aponta discretamente.
— Boa noite. — nos cumprimenta ao chegar à mesa.
Apenas aceno com a cabeça, a olhando como águia, prestando atenção em cada movimento seu. Acho que nunca fiquei tão deslumbrado com uma mulher.
— Sabia que você viria. — Fernanda fala com um sorriso, enquanto a morena gostosa revira os olhos.
Me mexo na cadeira, me sentindo um pouco desconfortável. Em apenas alguns minutos estando perto dela, já imaginei diversas situações para ela fazer e em todos elas, possuíam gemidos altos de puro prazer. Consigo imaginar tantas cenas em que eu me perco nesse corpo delicioso. Isso faz arrepiar até o dedo do pé e todo o sangue do meu corpo se concentrar na cabeça de baixo.
Olho para o Edu e nem mesmo preciso dizer nada, porque somente com o meu olhar, ele percebe. Se tem alguém que me conhece bem, esse alguém é o Edu. Ela é perfeita para seguir meu plano à risca. Tem que ser ela!