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O corredor era espaço o suficiente para não parecer um corredor, eu andava tão rápido que sentia meus pés formigarem. Eu ia encontrá-lo, ele era meu melhor amigo e agora um vampiro. Saber disso foi estranho, mas não mudou como eu me sentia em relação a ele.
Nós éramos amigos, melhores amigos... E isso não iria mudar. Meu coração doía um pouco, não sabia porque mas uma grande ansiedade preenchia meu peito.
-Niki...
Do outro lado da sala ele me espera, se é como nos filmes, ele provavelmente já sabe que eu estou aqui. Queria vê-lo. Mas porque meu pés não se mechem?
Ouço passos, ele caminha lentamente em direção a porta. Talvez eu devesse fugir? Não, não posso. Não entendo o que estou sentindo mas o Niki é meu melhor amigo. De alguma forma, eu sei que tudo vai estar bem.
A porta grande de madeira maciça se abre revelando um figura em tanto quanto abalada, ele estava descabelado, e com um rosto preocupado. Longe do Niki cool que eu conhecia.
-Sammy... Como vo- você está?
Ele gaguejava um pouco, tenho certeza que não foi fácil, ele me olhava de cima em baixo como se conferisse o estado do meu corpo.
-Ei, o que há com você?- eu ri de leve, vê-lo desgrenhado nunca me passou pela cabeça, mesmo quando acabava de acordar Niki ainda era perfeito.
Ele sorriu um pouco mostrando seus dentes perfeitamente brancos,
--O que é? Eu fiz a pergunta primeiro! - Ele bufou em protesto
Talvez porque agora eu tinha consciência de que ele era um vampiro, suas características pareciam ainda mais atraentes e misteriosas. Sua pele pálida se destacava em meio a suas roupas de couro preta, a essência de bad boy pairava no ar, a única coisa que contrariava isso eram seus doces olhos castanhos. Eles não eram frios, muito menos assustadores. Mas sim hipnotizantes.
Todos os vampiros eram assim? Pelo menos na família do Niki todos eram incríveis, me pergunto se isso é um m*l de vampiro.
-Eu estou chocado, quem diria que eu seria amigo de uma versão melhorada de Edward Cullen?
Eu soquei de leve seu ombro em um tão brincalhão.
- Privilégios de poucos não acha?
Ele tentava imitar os vampiros de crepúsculo. Ela Hilário.
Nós aproximamos a mesa de bilhar que ficava no meio da sala de estar, e como hábito começamos a jogar.
-Mas me diz aí, vocês também brilham como nos filmes?
Niki me olhou incrédulo, pensou um pouco e se aproximou de mim.
-Eu não brilho, eu queimo.
Seus olhos pareciam estar em chamas. Eu sinto minhas bochechas queimarem e acabo desviando o olhar. Niki pareceu perceber minha reação e riu fraco.
-Sabe, os vampiros morrem se aparecem no sol, queimam e viram fumaça.
-Mas como você sempre sai no sol?
Ele tinha uma vida relativamente normal, ele não gostava de sol mas nunca vi ele o evitar ou sentir dor ao ficar exposto a luz solar.
-Por isso aqui.
Ele apontou para um anel de rubi que ele sempre levava com ele.
-Há muito tempo os vampiros vagavam pelas trevas, mas a União entre as espécies fez com que as bruxas nos ajudassem, então Rowena criou uma forma de os vampiros caminhassem durante o dia usando pedras de maana.
-HMM... Eu entendo um pouco.
-...
Niki parecia concentrando em ganhar no bilhar, mas não é como se ele precisasse se esforçar afinal ele sempre ganhava mesmo.
-Então, quando eu vou virar um vampiro?
-Ejem? Ouu essa pergunta me surpreendeu um pouco!
Ele piscava enquanto processava o que acabara de ouvir.
-O quanto você sabe?
-Seu que eu fui marcado por aquele serial killer, e que foram vocês que o transformarão.
Ele estava meu cabisbaixo, tenho certeza que assim como Hari ele se culpava.
-Quando uma pessoa é marcada, isso torna impossível de que outro vampiro se aproxime dele.
-Porque?
-Seu sangue agora é como um veneno para qualquer um exceto quem te marcou.
Niki largou o taco em cima de mesa de bilhar e se aproximou de mim novamente, inclinou sua cabeça perto do meu ouvido. Eu conseguia sentir sua respiração perto do meu pescoço. Isso era perigoso, mas eu não sentia nenhum medo. Eu encaro seus olhos ardentes.
-Se eu tomasse seu sangue agora, eu definitivamente morreria. Ele fez isso para dizer que você pertence a ele.
Ele se afastou um pouco, eu agarrei sua mão o impedindo de se afastar mais.
-Eu não pertenço a ninguém. Eu sou meu e ele não é dono de mim.
-E nunca vai ser.
Ele sorriu com a própria afirmação. Ele me conhecia bem, mas eu sinto um pouco de ganância naquela frase.
-Mas se não tem como morder... Logo eu não posso me tornar um vampiro?!
Hari tinha dito que a minha única opção era se tornar um vampiro, era isso ou a morte. Ser humano agora não era perigoso só para mim, mas para os meus familiares também.
Eu tremi com a ideia da minha família correr perigo.
-Ei, tecnicamente sim, mas a Hari disse que vai dar um jeito. E até lá eu vou te proteger, okay?
Eu peguei sua mão e coloquei no meu rosto. O toque frio da sua pele, parecia cálido o suficiente para me acalmar.
-Okay... Mas vocês tem poderes especiais mesmo?
-HMM, sim, tecnicamente nós somos melhores que vocês humanos em todos os sentidos. Super força, super velocidade, sentidos sobrehumanos, e além de skills únicas.
Ele se orgulhava de cada frase. Eu gostava de vê-lo assim.
-Skills únicas?
-Sim, tipo em crepúsculo, mais uma coisa aquela mulher acertou. Alguns de nós possuem poderes extras como sei lá, telecinese ou prever o futuro.
-Você possui alguma?
-Claro, eu sou um vampiro super poderoso. Eu posso me teleportar.
-Uau, isso é incrível... Niki? Ontem na hora que entramos na festa, você perguntou se o passado podia interferir na nossa amizade, porque você disse isso?
-Quando eu fui designado para ser seu guarda costas eu me aproximei de você só pela minha missão, mas quando eu te vi...
Niki engoliu seco, como se lembrasse de algo doloroso. Me conhecer foi doloroso. Eu queria perguntar, mas agora a coisa que eu mais temia era sua resposta.
-Mas, a gente acabou se aproximando muito mais do que você esperava não é?!
Ele piscava como se tentasse voltar a si. Niki o que você está escondendo de mim?
-Sim... Ontem es estava com medo das coisas mudarem entre nós.
- Eu volto a dizer, nossa amizade é mais forte que qualquer coisa do passado.
Ele suspirou pesadamente.
-Promete que no futuro independente de qualquer coisa que descubra sobre o passado, isso não vai mudar.
Ele apontava para nós dois, tinha uma grande pontada de desespero no seu olhar. Quando as pessoas estão desesperadas elas costumam parar de enxergar ao seu redor. Eu coloco minha mão no seu rosto.
-Nik, eu prometo.
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