-Me desculpe, Samie eu sempre te amei, mas porque eu não consigo te proteger?!
O garoto loiro me encarava com seus olhos cheios de lágrimas, e um expressão que indicava profunda dor e arrependimento.
-Não, Niki você sabe que a culpa não é sua. Algumas coisas elas só não podem ser evitadas.
-Isso deve estar doendo.
O garoto apontava para um ferimento na minha barriga. Uma mordida.
-Na verdade não, acho que o remédio dela está fazendo efeito.
-Mas não o suficiente para te salvar.
Mais lágrimas escorriam pelo seu rosto. Mais do que morrer, me doía saber que ele estava assim.
-Ei, não fique assim.
Parecia que meu corpo pesava uma tonelada, não doía, mas apenas levantar meu braço gastou toda a minha estamina. Eu acariciava seu rosto pálido, limpando suas lágrimas enquanto sentia sua pele fria como o próprio gelo.
-Se eu tivesse te protegido, você não teria sido mordido, eu não te perderia e íamos passar a eternidade juntos.
Quando mencionada, tive a impressão de sentir a mordida latejar.
-Malditos lobisomens.
Agora no meu corpo, os genes brigavam entre si destruindo célula por célula do meu corpo. É isso que acontece quando um vampiro é mordido por um lobisomem. A destruição em nível celular era impossível de parar. Eu não tinha muito tempo.
-Ei, Niki, você lembra que existia uma lenda antiga sobre um fio vermelho?
-Aquela lenda do Japão?
-Sim... Se ela for verdade, nem mesmo a morte vai poder separar a gente, porque você é minha alma gêmea, meu Akai ito.
Ele iria protestar, mas sabia que no fim era inevitável.
-Eu gosto de pensar que algumas coisas tem que acontecer, ou são inevitáveis. Por exemplo, se não morresse desse jeito, talvez morresse de outro. Gosto de pensar que há um motivo ou algo maior por trás das coisas.
Eu falava enquanto fitava o nada.
-Um vampiro que acredita em Deus? Parece início de piada infame.
Ele deu um leve sorriso.
Os sons vão ficando mais fracos, a luz ainda mais tênue.
Minha hora estava chegando.
- Niki, fala pra Hari que eu sei que ela fez o melhor que ela pode. Ela só tem 13 anos, não quero que nem ela e nem você fiquem se culpando.
Agora era difícil até para as palavras saírem, minha garganta estava seca e já não via nada na minha frente.
-Niki...
Fechei meus olhos instintivamente, tudo era escuro e calmo.
-Eu também te amo.
Eu ouvia alguns ruídos, tinha certeza que ele estava chorando.
-Não importa o que aconteça, mesmo que você tenha um outro nome, uma outra aparência... Eu vou te encontrar.
As falas em meio aos soluços, davam um ar fofo pra sua voz rouca.
-Eu estarei te esperando.
Eu me despedia do meu Niki.
- Até logo, meu sol.
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Acordei com uma leve dor de cabeça, tenho certeza que deveria ter sonhado com algo importante. Mas eu não me lembro.
Aquela sensação de nostalgia permanece.
Meus olhos vão se acostumando com a luz ambiente.
O quarto em que eu estava passava uma sensação Extraordinária. Ele não parecia pertencer a este mundo.
Os móveis eram Dourados, e as paredes brancas como a neve. Tudo na mansão era luxuoso. Mas esse quarto tinha uma aura de nobreza indescritível.
A medida que eu piscava meus olhos eu percebia mais coisas. Haviam coisas brilhantes no ar, os raios de sol as tornavam mais e mais visíveis.
Já era de manhã.
Antes elas pareciam mais como uma poeira brilhante, mas agora elas definitivamente estavam vivas.
-O que são vocês?
O que caralhos estava acontecendo aqui?
Os brilhinhos se aproximavam, eu podia ouvir barulho de sinos. Isso não estava acontecendo. Estava incrédulo.
-Fadas? Acho que bati a cabeça muito forte.
-Você consegue vê-las?
Hari entrou na sala, com um vestido branco. Parecia que ela desaparecia ao mínimo toque. Ela sempre teve uma beleza inumana. Mas agora tinha certeza que ela era como uma deusa.
-Esses brilhinhos? Realmente são fadas?
-Parece que agora a sua afinidade com esse mundo está florescendo.
Eu estava muito confuso. Outro mundo? Afinidade? Do que ela estava falando.
-Sammy, querido. Niki- queria ter essa conversa com você, mas Jhon achou que eu faria isso melhor.
Ela se aproximou de mim, e se sentou numa cadeira de veludo vermelho que ficava perto da cama.
-Você já ouviu aquelas histórias sobre bruxas, vampiros lobisomens e coisas do tipo?
-Claro, está por toda a parte. Antes poderia ser algo meio desconhecido, mas o boom que o drácula deu para essas lendas fez com que se tornasse parte da cultura pop.
Ela definitivamente tinha ficado com o rosto levemente vermelho quando mencionei o drácula. Era definitivamente vergonha.
-E se eu te dissesse que essas histórias são verdade?
-Eu iria rir.
Eu já tinha passado da idade de acreditar nesse tipo de história.
-Você lembra o que aconteceu com o Jake?
Ela dizia calmamente enquanto mexia no seu cabelo.
Jake. Como tinha me esquecido? Ele estava tão ferido. Lembrar daquela cena ainda me fazia ter arrepios.
-Como ele está?
Eu falei levemente alto, tinha certeza que ele estava bem, mas ainda estava preocupado.
-Vocês o levaram para o hospital?
-Não. Eu o curei.
-Ah... Que bom que ele está b.... Pera você não levou ele para o hospital?
-Sim, eu curei ele.
-Haha, que história é essa do que você está falando?
Não entendia o que ela dizia? Curar? Como isso seria possível?
Hari me olhava com um sorriso no rosto, ela estalou os dedos e fez aparecer um conjunto de chá e biscoitos.
-Eu vou te ajudar a enxergar as coisas, sua afinidade já é boa mas a névoa ainda te atrapalha.
Ela se aproximou e serviu uma xícara de chá para nós dois. Estalou os dedos novamente e beijou a minha testa.
Eu sentia minhas bochechas queimarem, respeitava muito o Harry, mas ela era uma beleza que não era de brincadeira.
Senti Um formigamento pelo meu corpo. Pisquei os olhos instintivamente. Quando abri o quarto estava cheio de rosas, e os brilhinhos sumiram. O que eu via agora era algo similar a um paraíso, as pequenas criaturas parecia brincar com a cabelo de Hari. Agora eu tinha certeza, elas eram algo parecido com fadas.
-Sammy, as lendas são reais e eu sou filha do drácula, uma original meio vampiro e meio bruxa. E você está em perigo.
Ela acariciou meu cabelo como se tentasse me consolar.
- Agora que pelo menos você enxerga temos muito a conversar.