Niki e eu ouvimos um grande estrondo.
-Que m***a é essa?
-Hari?
-Vamos descer para chácara se ela está bem?
-Ela está bem, eu vou te proteger e é melhor ficar aqui dentro da barreira.
Niki bagunçou meu cabelo de leve tentando me passar um sensação de confiança.
-Sammy, não é como se existisse muitos seres que pudessem machuca- lá. Eu sei que ela parece frágil, mas ela é mais forte do que qualquer um.
Ele caminhou até a janela e estava em guarda.
-Isso é alguma piada de m*l gosto?
Niki me olhava com as sobrancelhas arqueadas e com um sorriso sarcástico.
-O que é?
-Você nem pode chamar isso de combate. Você não iria gostar de ver esse cara ser espancado, melhor não olhar.
-E você gosta?
-Quer dizer, é engraçado.
-Niki, quem você acha que é?
-Não existem exatamente muitas pessoas que estariam dispostas a vir aqui saca? Quer dizer, que eu saiba só tem um assassino que está atrás de você.
O jeito que a Niki tratava a situação, como se não fosse nada, me tranquilizava. A confiança e certeza que ele tinha de que aquilo não era um problema era reconfortante.
Eu tinha certeza que mesmo que aquele cara se aproximasse de mim, nada iria acontecer. Niki estaria ali para mim não importa o que acontecesse.
As estrelas coladas no teto do meu quarto junto com a presença dele eram meu maior refúgio.
-Acabou?
Eu me jogava na cama enquanto esperava alguma resposta ou sinal de mudança.
Niki olhou para a janela e para mim.
-Acho que tudo bem, podemos descer agora.
Ele pegou minha mão me puxando da cama e me obrigando a levantar.
Descemos a escada e quanto mais me aproximava da onde ela estava, mais eu sentia meu coração acelerado. Por mais que eu confiasse neles, eu sentia uma ansiedade que não queria se calar. Ver ele de novo, isso me deixava muito nervoso.
Se passaram 8 anos, mas porque eu me sentia assim? Talvez porque o tempo todo, ele ainda continuava aparecendo nos meus sonhos atormentando todos esse anos?
-Niki, espera...
Eu segurei a mão dele. O calor da sua mão me tranquilizava.
-Niki... Eu não sei se quero vê-lo...
-Eii... Vai ficar tudo bem. Nada de r**m vai acontecer, eu estou aqui.
Ele me abraçou. Fiquei nos seus braços durante alguns segundos. Aquele abraço familiar, aquele cheiro fresco era tão confortável. Totalmente diferente a sensação que ele me passava mesmo nos sonhos.
Nunca nos vimos mas eu sabia que se Niki era como uma tarde ensolarada, ele era como uma tempestade numa noite escura. E só sua mera existência me abalava e mexia comigo de maneiras que nem mesmo eu entendia.
Eu tentava acalmar minha respiração, e inalando aquele cheiro familiar e fresco. Eu não poderia fugir, teria que enfrenta-lo mais cedo ou mais tarde.
Me soltei do abraço do Niki ainda segurando sua mão, reuni cada resquício de coragem que existia dentro de mim.
-Niki, vamos...
Ele abriu a porta, Hari estava segurando deu corpo pela cabeça.
-Queime.
E com uma só palavra, o motivo da minha ansiedade tinha virado cinzas.
Eu corri até ela e lhe dei um abraço.
-Você tá bem?
Ela beijou minha bochecha de leve, se soltou de meu abraço e deu um pequeno giro.
-Eu pareço bem?
-Sim. Muito bem.
-Você viu algo assustador, não é? Tem certeza que não pareço assustadora agora?
Eu sentia um pouco de ansiedade na sua voz, seus olhos ainda estavam vermelhos mas não era assustador como os olhos vermelhos dos meus sonhos, os olhos dele. Ela era fofa.
-Você está olhando para baixo enquanto mexe no cabelo. Onde está a híbrida poderosa que acabou de dar uma surra em um filha da p**a?
Niki deu um peteleco de leve na testa dela em tom brincalhão.
-Ela tá aqui, mas ela quer saber se ainda tem um amigo.
-Ela tem e lê tá aqui.
Niki sorriu. Hari deu um soco leve no ombro de Niki.
-Não estou falando de você, i****a!
Ele me encarava com aqueles olhos agora azuis profundos esperando um resposta.
-Eu te abracei antes, e você ainda tem dúvidas?
Eu ri.
-Não mais.
Ela me abraçou de novo.
-Nesses momentos você não parece sabe... ser séculos mais velha.
-Serio?
-Serio. Harry é um cara de sorte.
Ela era perfeita, perfeita para ele.
-Eu sei, também iria querer casar comigo se possível.
-Cof... Cof ... Não querendo atrapalhar a reunião de vocês mas, o que fazemos com aquilo?
Niki apontava para um corpo inconsciente alguns metros de distância.
-Obviamente, precisamos interrogar para obter respostas.
-A propósito, acabou? Você queimou ele, então isso é o fim?
-Ele usou um homúnculo. Não eram os corpos verdadeiros deles. Acredito que eles queriam informações, saber sobre a nossa força. Mas é impressionante achar que poderia obter alguma coisa além de humilhação me atacando com um homúnculo de m***a.
-Se eles querem informações, então provavelmente realizaram dois ataques sincronizados.
-Exato, um ataque direto aqui e um na mansão. Mas me parece que eles subestimaram muito a gente.
Hari riu fraco.
-Se eles quiserem pelo menos fazer a gente ficar sério, eles tem que tentar um estratégia melhor.
-Usar um homúnculo foi esperto, se estivessem lidando com gente normal ou vampiros de classe baixa, o plano deles seria um sucesso.
-O que é um homúnculo?
-Corpos feitos artificialmente, basicamente alquimia proibida.
-porque proibida?
-A alquimia é diferente da magia, alquimia é basicamente ciência. Então você não pode criar coisas do nada. Existe um lei chamada lei da troca equivalente. Se quer ter algo, tem que dar algo do mesmo valor. Mas qual o valor da vida?
-Eu não sei...
Por mais que eu valorasse a vida, eu não sabia o quanto ela valia.
-Por isso é impossível criar vida ou ressuscitar os mortos usando alquimia.
-Mas eles estão ali certo?
-Certo, provavelmente eles criaram pedras filosofais usando almas humanas, e criaram um recipiente para suas almas, já que mesmo usando pedras filosofais artificiais é impossível replicar a alma humana.
-Almas humanas?
-Eles sacrificaram milhares de pessoas para fazer essas pedras e no final só serem humilhados.
Essa era uma piada sem graça. Quanta gente morreu por culpa dele? Quanta gente ainda iria morrer? Eu estava assustado, assustado e furioso.
-Acho, melhor irmos para mansão logo.
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