Helena Depois do beijo, a volta pra casa O caminho de volta foi quase mudo. Mas não daquele silêncio pesado que incomoda, não. Era um silêncio cheio, denso, como se tudo o que precisava ser dito tivesse ficado naquele beijo no alto do morro. Eu sentia meus lábios ainda quentes, latejando como se guardassem a lembrança dele. Kaique dirigia tranquilo, com uma das mãos firmes no volante e a outra segurando a minha. Não era uma prisão, era um cuidado. Seus dedos entrelaçados nos meus pareciam me ancorar, como se dissessem sem palavras: tô aqui, não solto mais. Eu olhava pela janela, vendo as luzes da cidade passarem depressa. As ruas estreitas do Vidigal se misturavam com o piscar das lâmpadas dos postes, e o som distante de uma moto ecoava morro acima. Mas nada parecia real. Nada alcançav

