Eu ainda estava ali, sentada na beirada da mesa, com o corpo tremendo, as pernas meio abertas e o coração dando cambalhotas dentro do peito. O ar parecia pesado, como se tivesse ficado denso depois das palavras que o Kaique jogou no meu ouvido. Ele se afastou, mas continuava ali perto, me olhando com aquele fogo nos olhos. A boca entreaberta, como se também estivesse tentando se controlar. — Que foi? — ele perguntou com um sorriso enviesado. — Te assustei? — Um pouco... — confessei, respirando fundo. — Mas não sei se foi de medo ou de... outra coisa. Ele arqueou uma sobrancelha e se aproximou de novo, devagar, como se tivesse medo de me espantar. — Me fala o que você tá sentindo, Helena. De verdade. Porque eu tô me segurando... e não sei até quando vou aguentar. Fechei os olhos p

