117- MARA

1143 Palavras

CAPÍTULO 117 MARA NARRANDO: Eu sempre achei que a vida gosta de rir da gente quando pensa que estamos confortáveis demais. Grávida. Eu, Mara. Logo eu. Levantei da cama devagar, a mão instintivamente pousando na barriga ainda lisa demais pra justificar qualquer orgulho. Mas orgulho era exatamente o que eu sentia. Um orgulho torto, meio errado, meio construído em cima de suposições. E, convenhamos, eu sempre fui boa em escrever finais antes mesmo da história começar. Fui até o espelho do banheiro, observando meu rosto com atenção. Eu estava mais bonita. Ou talvez fosse só o brilho de quem acha que, finalmente, a sorte resolveu bater à porta. Passei a mão pelo cabelo, ajeitei a roupa justa de propósito, não pra mostrar barriga, porque não tinha, mas pra mostrar presença. Eu queria ser vis

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