CAPÍTULO 116 GRINGO NARRANDO: Saí da casa do Magrão dando risada, mas era aquele riso torto, meio sem graça, meio nervoso. A porta fechou atrás de mim e eu ainda fiquei um segundo parado no portão, respirando fundo. O sol batia forte, o morro seguia do jeito que sempre foi, barulho de criança correndo, som alto em alguma laje, gente indo e vindo, e, mesmo assim, tudo parecia fora do lugar. Eu balançava a cabeça enquanto caminhava até o carro. Quem diria… o dono do morro, o cara que sempre falou que Natal era ilusão, agora tirando dinheiro do cofre pra bancar presente de criança. Tudo por causa de uma professora teimosa que teve coragem de bater na porta dele e peitar de frente. — Essa mulher é maluca… — murmurei sozinho, ligando o carro. — Maluca, mas é diferente. Engatei a primeira

