CAPÍTULO 110 RAFAELLA NARRANDO: Eu entrei pelo portão da escola como se estivesse andando dentro d’água. Tudo parecia mais pesado. A bolsa no ombro, os passos no corredor, o barulho das crianças chegando, rindo, correndo, vivendo. E eu ali, com o peito doendo como se alguém tivesse arrancado algo de dentro de mim sem pedir licença. Assim que cruzei o corredor principal, Yasmin me viu. Ela estava encostada perto da sala dos professores, segurando um copo de café, e bastou nossos olhos se encontrarem pra ela perceber que tinha alguma coisa muito errada. Yasmin sempre foi assim comigo. Não precisava de palavras. — Rafa… — ela chamou, largando o copo em cima da mesa e vindo rápido na minha direção. — O que foi? Por que você tá chorando? Eu tentei falar. Juro que tentei. Mas a voz não sai

