CAPÍTULO 112 RAFAELLA NARRANDO: Eu sempre achei que o fim do dia tinha um peso diferente. Não era só o sol se escondendo atrás das casas do morro, nem o barulho das crianças voltando pra casa, nem o cheiro de comida escapando pelas janelas. Era um cansaço que vinha de dentro, como se o corpo soubesse antes da cabeça que alguma coisa estava prestes a doer. Quando o portão da escola se abriu e eu saí ao lado da Yasmin, eu já estava exausta. Não fisicamente. Por dentro. O dia tinha sido longo demais pra quem não tinha dormido direito, pra quem tinha chorado no banheiro entre uma aula e outra, pra quem estava tentando fingir normalidade enquanto o coração parecia um copo trincado, prestes a quebrar de vez. — Você tá muito quieta — a Yasmin disse, ajeitando a bolsa no ombro. Eu dei de ombr

